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Escritores mirins: pouca idade, porém muita vontade de publicar

Enquanto muitos dos colegas da mesma idade se entretêm com joguinhos em tablets e smartphones, eles preferem a quietude da leitura 10/10/2015 às 11:24
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Emily Losada escreveu “Quando eu vou dormir no meu quarto”, lançado em julho pela All Print Editora
LOYANA CAMELO Manaus (AM)

Enquanto muitos dos colegas da mesma idade se entretêm com joguinhos em tablets e smartphones, eles preferem a quietude da leitura. E gostam tanto dela, que acabaram desenvolvendo a nobre habilidade da escrita a ponto de se tornarem autores daquilo gostariam de ter em sua cabeceira. Mesmo com tão pouco tempo de vida, essas crianças já fizeram uma das três coisas - talvez a mais difícil - que o ditado diz que o todo homem deve fazer antes de morrer: escreveram livros.

E ao que parece tudo começa com o incentivo dos pais. Glícia Losada sempre contou histórias para a filha, Emily, e também a presenteava com livros desde bem pequena. Logo que aprendeu a ler, com cinco anos de idade, a menina passou a ter apreço pelos passeios em livrarias. “É  o lugar que ela mais gosta. É curioso e até assusta, porque ela gosta de ler tudo: desde os livros infantis até Augusto Cury”, diz a mãe, aos risos. 

A parte escritora de Emily nasceu a partir de uma dificuldade que a pequena passou. Depois de uma febre, seus pais a colocaram para dormir com eles e nos cinco anos seguintes ela teve medo de dormir sozinha. Até que um dia, sem comunicar, ela  pegou o elefante de pelúcia  e borrifou o perfume da mãe nele, borrifou o perfume do pai no travesseiro e foi para o seu quarto. A história virou o livro “Quando eu vou dormir no meu quarto”, lançado pela editora All Print em julho.

Emily hoje está com sete ano e Glícia comenta que a escrita deixou a filha mais independente (ela hoje dorme sozinha sem nenhum problema, como sua personagem no livro).“Inclusive tem escolas em São Paulo e consultórios de psicólogos que estão trabalhando o livro dela com outras crianças. Dá o maior orgulho”.

De família

Outra mãe orgulhosa que engrossa a fila dos pais que incentivam a leitura dentro de casa é Greicianne Nakamura. Mãe de Naomi, seis anos, a médica costuma ler com a filha antes de dormir todas as noites. 

Um dia, a pequena estava demorando demais para se deitar e Greicianne questionou o motivo. Ouviu como resposta: “Estou escrevendo o meu livro”. Surpresa, a mãe perguntou se a filha gostaria de ajuda e sentou ao seu lado para, na mesma noite, lhe auxiliar a encerrar “The beautiful and lovely day” escrito e ilustrado por Naomi. Aluna de escola bilíngue, ela começou a ler em português e inglês com quatro anos.

De escrita simples, mas com o olhar mágico que só uma criança tem, o livro trata de dois dias na vida de Marina (personagem criado por Naomi). A obra foi dada de presente do dia dos pais para Daniel Nakamura, pai de Naomi. Greicianne conta que Daniel costumava escrever poesias quando mais novo, e inclusive, ganhou um concurso promovido por A CRITICA em 1986. O avô de Naomi, por si, fez faculdade de Belas Artes nos Estados Unidos. Parece que está mesmo no sangue.

Naomi já adianta que o livro vai ter sequência. “Quando fizer sete anos, vou escrever a parte dois. Para cada aniversário meu quero escrever um livro”.

Hobby saudável

Apesar da grande reper-cussão do livro de Emily, Glícia diz que não pretende inse-rir a filha em grandes even-tos literários, pois teme que isto possa fazer tirar a magia da escrita. Da mesma forma pensa Greicianne:  por enquanto, ela não pensa em publicar o livrinho de Naomi. “Se deixar de ser hobby, vira obrigação”.

Incentivo à leitura

Como o encanto pela leitura é passo praticamente obrigatório antes de se desenvolver a paixão pela escrita, é fundamental incentivar os pequenos. Na Electrolux, foi criado um projeto social que tem mobilizado bastante seus colaboradores: a Refriteca. Trata-se de uma biblioteca itinerante montada dentro de um refrigerador que, ao abrir a porta, a criança tem acesso a obras literárias.

A ideia foi implementada em três  cidades que recebem as unidades fabris da Electrolux (Curitiba, São Carlos e Manaus) e já ajudou mais de 600 crianças e adolescentes carentes e engajou 90% dos funcionários por meio da doação de livros. A Refriteca foi  implementado após a sugestão de uma colaboradora da Electrolux. Segundo Valmir Buscarioli, vice-presidente de RH para América Latina da marca, ouvir e implementar ideias como esta significa trazer melhor aproveitamento do capital humano “não só para os negócios da companhia como também para a sociedade e comunidade”.  

A Refriteca em Manaus tem o acervo formado por mais de 200 livros diversificados, composto de obras de literatura infanto-juvenil, literatura em geral, biografias, obras de referência, obras de culinária, artes, artesanato, religião, política, esporte, música, saúde, livros informativos, periódicos, e diferentes materiais de leitura como revistas e gibis.Em parceria com o Fundo de Promoção Social é realizada a escolha das instituições que irão receber a mini-biblioteca e, as primeiras escolhidas foram Inspetoria Salesiana da Amazônia e Casa Mamãe Margarida. Ainda em outubro outra instituição receberá a Refriteca.