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Especialistas debatem sustentabilidade no AM

Eles defendem posturas da administração pública que garantam sustentabilidade ambiental na cidade 01/05/2012 às 14:22
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A sustentabilidade do Planeta foi debatida pelo juiz Dimis Braga e pela professora doutora Belinda da Cunha, da UFPB e da Universidade Nilton Lins, durante a Bienal do Livro
ANA CELIA OSSAME Manaus

A necessidade de se refletir seriamente sobre o consumismo e os seus efeitos para a sustentabilidade do Planeta, foi o principal ponto debatido no último domingo pelo juiz da 7ª Vara Federal no Amazonas, Dimis Braga, e a professora doutora Belinda da Cunha, da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e da Universidade Nilton Lins, no Território Livre, evento realizado na Bienal do Livro Amazonas, que acontece no Studio 5.

Os dois pontuaram em quais setores da nossa vida cotidiana podemos interferir para ajudar a salvar o nosso meio ambiente e a nós mesmos das catástrofes anunciadas por cientistas e ecologistas. A sessão foi mediada pela jornalista Tatiana Lima, assessora de imprensa do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).

EQUILÍBRIO

A professora Belinda da Cunha destacou que a questão primordial da sustentabilidade é encontrar o ponto de equilíbrio entre a atividade humana, a exploração e conservação dos recursos naturais. “Não há sustentabilidade, sem desenvolvimento humano e este processo também passa pelo crescimento da economia verde”, acrescentou a especialista. Ela falou também sobre a gestão integrada de resíduos sólidos, que compreende o conjunto de ações voltadas para a busca de soluções para estes resíduos, considerando as dimensões política, econômica, ambiental, cultural e social, permitindo o controle social diante da premissa do desenvolvimento sustentável.

O juiz federal Dimis Braga lembrou que o conceito de sustentabilidade pressupõe o direito à educação, direito de comer bem, de ter casa própria e sobreviver com dignidade, para afirmar que em Manaus isso é impossível na medida em que nossos esgotos estão ligados diretamente aos “ex-igarapés”, com tubulações submersas levando detritos para o rio Negro. Nesse aspecto, ele defendeu uma ação do Governo Municipal para cuidar dessa questão com seriedade, adotando posturas semelhantes a de países que já enfrentam essas situações. “Nos países ricos, só se tem lixo reciclável. Se a pessoa não usar a sacola de papel biodegradável, paga pesadas multas. Por que em Manaus isso ainda não acontece?” questionou ele, cobrando a efetivação da política de reciclagem de lixo, já anunciada na esfera municipal, mas não implantada. A demora traz danos irreparáveis para a vida humana e animal. “Não faz tanto tempo assim, nós tomávamos banho nos igarapés da cidade. As crianças de hoje estão privadas deste direito”, lamentou.

Outro ponto discutido pelos dois e alvo de vários questionamentos da plateia foi sobre o consumismo. “Tem muita gente que todo mês troca o celular e todo ano troca o carro por um modelo mais potente que consome mais gasolina sem nenhuma necessidade, apenas por influencia do marketing e consumismo”, argumentou Braga, questionando esse comportamento e lembrando que a sustentabilidade é algo que nunca se vai alcançar, mas deve ser sempre perseguido.