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Estilista Sandro Barros fala sobre suas novas criações

Reconhecido pela relação com moda de festa e vestidos de noiva, Sandro Barros lança sua nova coleção Kabuki, referente à secular arte dramática do Japão  18/04/2015 às 10:48
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O estilista ao lado da amiga, cliente e sócia Renata Queiroz, durante o lançamento da coleção no atelier em São Paulo
Lucy Rodrigues Manaus

O nome dele figura como sinônimo de bom gosto, luxo e sofisticação, principalmente quando se fala em moda festa e vestidos de noiva. Um dos mais requisitados estilistas brasileiros, Sandro Barros acaba de lançar sua nova coleção Kabuki, com referências à secular arte dramática do Japão e a vários elementos da cultura nipônica. A inspiração, segundo conta o estilista em entrevista ao Vida&Estilo, vem das memórias de infância dos parentes e das colônias japonesas de sua cidade natal, Itapetininga (SP), e das viagens, entre elas a de lua de mel à terra do sol nascente com o marido, o jornalista Bruno Astuto.

“Sou apaixonado pelo Japão e pela cultura japonesa desde criança. Falo e escrevo em japonês, não fluente como antes, pois não pratico, mas sempre soube que um dia eu faria essa coleção e achei que era o momento. Na viagem de lua de mel eu ainda não sabia o tema da coleção. Mas em Nova York, no início de dezembro, tinha certeza e fui focado na exposição de kimonos do Metropolitan e na Gagosian, com as novas obras do Murakami. Não existe melhor terapia que viajar, não importa o destino. Sempre volto renovado, cheio de energia e ideias. E quando o lugar de destino é repleto de museus, livrarias, exposições, aí eu volto cheio de novidades, com muitas vontades e sonhos pra realizar”, revelou.

Com 120 vestidos, ao mesmo tempo em que a coleção Kabuki evoca diferentes aspectos da cultura japonesa, como os bambuzais, os dragões, as gueixas, as porcelanas Imari, as flores de cerejeira e os templos xintoístas, em forma de bordados preciosos em linha, cristais e paetês, silhuetas mais retas e tubulares, vestidos-obi e estampas delicadas, ela também faz referência ao Japão que se conecta ao mundo depois da Era Meiji.

“Pensei na febre do japonismo da segunda metade do século XIX, que levou a moda ocidental a libertar a silhueta feminina. Worth, Poiret e até Chanel foram influenciados por esse movimento para abolirem os espartilhos e deixarem as mulheres com mais liberdade de movimento”, diz Sandro. Até as tatuagens da Yakuza, a temida máfia japonesa, e os grafites dos muros de Harajuku e Roppongi, bairros com pegada mais street de Tóquio, estão presentes. “As tattoos bebem totalmente na fonte do teatro Kabuki”, conta o estilista.

As peças foram feitas com tecidos clássicos da alta costura como zibeline, mousseline, tule ilusione, organza, crepe e veludo com lamês ouro, veludos devorês e rendas guipure e chantilly. As cores mais trabalhadas foram o vermelho, marinho, rosa claro, nude, dourado e a combinação azul com branco, amarelo com turquesa e preto com branco ou com dourado. Os tecidos estampados são exclusivos de cada modelo, garantindo o uso de uma única cliente. 

Noivas

Com o mês de maio batendo na porta, não há como conversar com o estilista sem tocar no assunto o qual o consagra por sua extrema sensibilidade e perfeccionismo. Capaz de modernizar o clássico e reinventar o tradicional, ele que já assinou vestidos famosos, como o da herdeira da marca de calçados Arezzo Patricia Birman, da blogueira Lalá Rudge e mais recentemente, do casamento da publicitária Sofia Derani com o advogado André Bocchi, cujo vestido com cauda “quilométrica” foi destaque de várias publicações, conta como se renova a cada criação.

“Sempre digo que o vestido deve ter a cara da noiva e para isso preciso respeitar o seu estilo. A inovação virá na forma de como vou interpretar o sonho dela e fazer um vestido único. Sempre tento me superar e digo que a próxima noiva sempre é a mais bonita. Entre os pedidos do momento, os vestidos clássicos, com mangas compridas e saias volumosas continuam em alta, mas eu destacaria a volta das caudas gigantes”.