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Estilistas apostam em tendências mais leves e atemporais na 43ª SPFW

Evento apresentou coleções de inverno de 31 marcas. A maioria apostou em produções mais minimalistas, de olho no mercado 20/03/2017 às 05:00
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Estreante na passarela da SPFW, Fabiana Milazzo fez uma coleção inspirada na riqueza da fauna, paisagens e arquitetura do Brasil (Fotos: Agência Fotosite/Divulgação)
Lucy Rodrigues São Paulo (SP)

A São Paulo Fashion Week encerrou sua edição de número 43 na última sexta, apresentando 31 coleções para o Inverno 2017 e discutindo o mundo cada vez mais tecnológico e em constante transformação. Na nova era do “see now, by now”, em que as marcas têm que disponibilizar os produtos logo após ou poucos dias depois dos desfiles, a maioria dos estilistas apostou no caminho mais minimalista, buscando se aproximar cada vez mais do mercado, apresentando um inverno mais leve e atemporal, que dialogue com todas as estações do ano.

Entre as tendências que vieram com força, o veludo, que foi pré-lançado na temporada passada; a camuflagem e o verde militar continuam, além de muito brilho e tecidos tecnológicos. Os bordados também apareceram bastante, tanto nos looks de festa quanto nos esportivos. Destaque para os bordados com flores, patches e pedrarias nas jaquetas jeans. As telas e transparências também estão em alta e aparecem em diferentes tecidos. A tendência esportiva foi outro ponto forte, com bonés, elásticos em moletons, calças e na jaqueta bomber, tanto em combinações totalmente esportivas quanto nas mais elegantes, a exemplo dos desfiles de Memo e Patbo.

A assimetria veio com tudo, nas saias, barras, jaquetas e casacos. Tecidos estruturados e muito volume com babados curtos e longos também estiveram presentes em algumas coleções como as dos estilistas Lino Villaventura e Isabela Capeto . A forte influência da rebeldia dos anos 90 também foi marcante, a exemplo do desfile comemorativo dos 45 anos da Ellus.

Desfiles

Fabiana fez uma coleção inspirada na riqueza da fauna, paisagens e arquitetura do Brasil e também nas “pessoas que fazem, em quem está por trás do que a gente faz, que borda, costura…”, contou a estilista. O desfile trouxe um equilíbrio de forma a atender mulheres de diferentes estilos, com looks de festas em vestidos lindamente bordados aos mais casuais, com peças em jeans – blusões oversized, saias, trench coats – que aparecem em bordados misturando lã e pedraria ou com aplicação de tiras de jeans reaproveitados.

Para apresentar sua nova marca Sissa, Alessandra Affonso Ferreira abriu seu ateliê para que o público entrasse no espírito da coleção “Mombassa Dendê”, que trouxe inspiração do casamento dos pais dela, na África. Croquis, maquinários, linhas, pedaços de tecidos e tintas se misturavam às modelos que apresentavam os looks em um cenário decorado com 16 mil biscoitos de polvilho. “Morei em vários lugares e sempre viajei bastante com meus pais, então gosto dessas referências de culturas diferentes e também de valorizar a nossa cultura”, afirmou a designer.

Conceituais

Conhecido por seu trabalho minucioso e conceitual, Lino Villaventura encerrou a noite do segundo dia de desfiles. O estilista elevou o streetwear a outro patamar, levando para a passarela uma mistura do grunge e do luxo, em peças que brincaram com o visual dark e a desconstrução. Os primeiros looks apresentaram um mix de alfaiataria com shapes esportivos, em peças de visual mais simplificado.

Ainda na pegada street, Patbo apresentou coleção que teve forte influência do grafite e do hip hop norte-americano, com moletons, bonés macacões e outras peças esportivas, mescladas às pedrarias, veludo, transparência e lindos bordados que são marcas da estilista Patricia Bonaldi.

Anos 80 e 90

Com forte inspiração nos anos 80, o desfile de Vitorino Campos, no segundo dia, foi muito elogiado pela imprensa especializada. Entre as tendências marcantes, o decote profundo em "V", as meias-calças com sandálias abertas, bastante cortes assimétricos, e uso de cores primárias como o vermelho e o azul, com estampas listradas e xadrez, um ponto alto da linha de inverno.

Os volumes assimétricos, com uma cintura marcada, brilhos, transparêcias e veludo, também em uma pegada anos 80, foram as apostas de Lilly Sarti para a sua coleção. Os tons de rosa, vermelho, vinho, cobre e dourado compuseram a cartela de cores das peças, nada minimalistas.

A Ellus em seu desfile de 45 anos fez um resgate dos clássicos de sua trajetória e ícones que remontam a rebeldia dos anos 90, como a jaqueta de couro, o coturno e o jeans. A eles somaram-se peças com ares românticos, a exemplo dos vestidos e blusas vitorianas, estampas florais e animal print em vermelho. Nos acessórios, o clima fetichista e rocker, DNA da marca, com chockers de couro, acessórios com correntes e detalhes com franja de metal.

Apesar das cores frias como azul, cinza mescla, roxo e grafite predominarem na cartela de cores de todas as coleções de inverno, outros tons mais quentes como vermelho, laranja, amarelo e verde apareceram, trazendo constrastes interessantes e inusitados. Foi o caso a Osklen que apostou em moletons, parkas e anoraks oversized nos cinza mescla, preto, contrastando com bolsas, sapatos e acessórios em amarelo, azul royal e laranja. O desfile que encerrou a primeira noite teve inspiração na participação de Oskar Metsavaht no exercício criativo do filme Soundtrack (estrelado por Selton Mello e Seu Jorge).

+Discurso engajado

Questões importantes como igualdade e diversidade de gênero, combate ao racismo e preconceito, empoderamento feminino, liberdade sexual, sustentabilidade, entre outros temas também foram abordados em eventos paralelos e nos desfiles durante a São Paulo Fashion Week de número 43.