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Entretenimento
Paixão pela Moda

Estilistas falam sobre paixão pela moda e como criam e realizam sonhos

Apesar da criatividade e do amor pela profissão, as estilistas concordam que em Manaus falta material de qualidade 12/08/2012 às 19:04
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Fátima Nakajima e Thamy Pezzi são dois exemplos de paixão e perseverança
Melanie Hasimoto Manaus

Uma se especializou em alta-costura, enquanto a outra preferiu a moda prêt-à-porter. Mas a paixão de ambas pela moda ultrapassa até as possíveis barreiras erguidas pela diferença de gerações quando elas começam a falar sobre o que lhes move. Dando continuidade à série “Encontros” de reportagens, as estilistas Fátima Nakajima e Thamy Pezzi falam sobre suas carreiras e planos para o futuro.

 Thamy é um dos novos talentos que despontam na moda local. Proprietária da sua própria loja, a it! per Thamy Pezzi, vende ali as roupas que desenha junto a outras de marcas que fazem sucesso entre as mais jovens, e muda constantemente de coleção – ela cria, vende e usa a chamada fast fashion.    

“Comecei a me interessar por moda por querer fazer minhas próprias roupas aos 16 anos. Via um vestido na vitrine do shopping e dizia para minha mãe fazer igual”, lembra a jovem estilista.

Já Fátima, que tem 71 anos e 50 de carreira, tem encomendas agendadas para daqui três anos. Por fazer roupas de alta-costura, o corte clássico é mais difícil de sair de moda.

“Mas já fiz roupa de criança, de Primeira Comunhão. Continuo fazendo de debutante, mas gosto mesmo é de vestido de festa, de noivas”, diz a costureira, que insiste em dizer que sua sala de costura é isso mesmo, uma sala, e não um ateliê.

À frente

Com mais – muito mais! – de mil vestidos de noivas já feitos, Fátima diz que não parou no tempo e é adepta das viagens para se reciclar. “Amo Nova York e sempre vou para lá para saber o que estão usando. Visito as maisons e compro com fornecedores das grandes lojas”, disse, acrescentando que é autodidata, e que aprendeu seu ofício muito nova, porque gostava de “desmontar a roupa e fazer tudo de novo, do jeito que eu queria”.

Thamy, por sua vez, cresceu dentro de uma confecção: sua mãe é dona de uma fábrica de uniformes. “Cheguei a vender minhas criações para mais de 20 lojas espalhadas por toda a região Norte”.

 Únicas

 De maneira similar, as duas prezam pela exclusividade, mesmo trabalhando numa cidade onde é difícil encontrar material de qualidade. Os tecidos – além dos aviamentos e outros detalhes – que Fátima usa são comprados no exterior. “É muito chato ir à uma festa e dar de cara com outra pessoa com uma roupa igual a sua”, diz Fátima.

“O que mais tem é gente pedindo roupa igual a atriz da novela. E fica complicado aqui fazer algo diferente porque falta material de qualidade. Existe procura por esse material, mas acho que falta interesse de alguns empresários”, lamenta Thamy.

Com uma carreira consolidada e outra caminhando para mais sucesso, Fátima e Thamy afirmam ter realizado o sonho de uma vida. “Meu sonho sempre foi ter uma loja só minha, para vender minha marca. Realizei!”, disse Thamy. Para Fátima, é difícil pensar em abandonar uma de suas paixões, mas pensa que daqui a três anos vai ter que dar mais atenção para um amor maior: seu marido. “Ele fica bravo quando tenho uma ideia e corro para cá para anotar. Mas eu gosto dos desafios da minha profissão”, finalizou.