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‘Estou magoada e frustrada pela falta de inclusão’, diz presidente da Academia sobre Oscar 2016

Cheryl Boone Isaacs se juntou aos pedidos por uma Hollywood mais diversa após nenhum negro ser indicado a um Oscar de atuação este ano 19/01/2016 às 16:22
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"Esta é uma conversa difícil, mas importante, e é hora de grandes mudanças", escreveu Cheryl
Lucas Jardim Manaus (AM)

A presidente da Academia, Cheryl Boone Isaacs, se manifestou publicamente na noite desta segunda-feira (18) sobre a controvérsia gerada pela ausência de negros entre as indicações aos prêmios de atuação no Oscar deste ano.

Cheryl é a primeira membro da instituição a fazer declarações sobre o assunto desde o anúncio dos indicados, que aconteceu na última quinta-feira (14). Na ocasião, vários membros da indústria reagiram negativamente a candidatos negros tidos como fortes, como Will Smith, Idris Elba e Michael B. Jordan terem ficado de fora da disputa.

"Eu gostaria de reconhecer o trabalho maravilhoso do candidatos deste ano. [No entanto], enquanto nós celebramos suas conquistas extraordinárias, eu estou magoada e frustrada pela falta de inclusão. Esta é uma conversa difícil, mas importante, e é hora de grandes mudanças", escreveu ela.

Proposta de solução

A presidente da Academia disse estar tomando medidas severas para alterar a composição de seu corpo de membros e anunciou que uma revisão do sistema de recrutamento da associação deverá acontecer nas próximas semanas para trazer diversidade aos ingressantes de 2016 e anos subsequentes.

"Como muitos de vocês sabem, nós implementamos alterações para diversificar nossos membros nos últimos quatro anos, mas a mudança não está vindo tão rápido quanto gostaríamos. Nós precisamos fazer mais, e melhor e mais rapidamente", explicou Cheryl.

Precedente

Ela ainda mencionou que medidas do tipo tem precedentes na Academia, trazendo à tona o recrutamento de membros mais novos que começou a acontecer nos anos 60 e 70 como forma da instituição se manter atualizada.

"Em 2016, a necessidade é inclusão em todas as suas facetas: gênero, raça, etnia e orientação sexual. Nós reconhecemos as reais preocupações da nossa comunidade e eu aprecio todos aqueles que me procuraram no nosso esforço de nos movermos para frente juntos", concluiu.

Boicote

As declarações de Cheryl vieram depois de vários artistas negros pedirem um boicote à cerimônia do Oscar. Um dos mais vocais protestantes, o premiado diretor de cinema norte-americano Spike Lee, anunciou nesta segunda-feira (18) que não pretende ir ao evento, que acontece no próximo dia 28 de fevereiro, em Los Angeles (EUA).

No dia do nascimento do ativista Martin Luther King, feriado estadunidense equivalente ao Dia da Consciência Negra, o cineasta manifestou incredulidade ante a ausência de afro-americanos nas categorias de atuação, reforçando, no entanto, que o problema não está restrito à Academia.

“A batalha real está nos escritórios executivos dos estúdios de Hollywood, nas TVs e nas redes de televisão a cabo, porque são eles que eles têm o poder de realizar projetos [...] É mais fácil para um afro-americano ser presidente dos Estados Unidos do que presidente de um estúdio de Hollywood", disse.

O cineasta, que ganhou em novembro do ano passado, um Oscar honorário pelo conjunto de sua obra, já recebeu o apoio de Jada Pinkett-Smith, mulher do ator Will Smith. Ela também não irá à cerimônia por conta da falta de diversidade entre os indicados.