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Estudo da Ufam confirma contaminação do Lago do Aleixo por dejetos de esgoto de presídio

Diagnóstico da Ufam apresentam altos índices de fósforo, nitrogênio, turbidez e cor acima do permito pela legislação ambiental 03/02/2012 às 19:27
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Resíduos de esgoto são despejados no Lago do Aleixo
Elaíze Farias Manaus

Estudo realizado pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam) em 2011 nos períodos de vazante e cheia atestou a contaminação do Lago do Aleixo e do Igarapé Castanheira, na Zona Leste de Manaus, causada por coliformes fecais, despejos industriais, bactérias e matéria orgânica em decomposição.

A análise do diagnóstico foi feita em laboratório em janeiro deste ano e apresentado nesta semana aos moradores dos bairros Colônia Antônio Aleixo, Puraquequara e comunidade Bela Vista, áreas cortadas pelo lago e pelo igarapé.

Os dados analisados apresentam valores de fósforo total, turbidez, cor e nitrogênio total acima do permitido pela resolução do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama), órgão vinculado ao Ministério do Meio Ambiente (MMA).

Entre as principais causas da poluição do Lago do Aleixo e do Igarapé Castanheira está a grande concentração de resíduos do esgoto sanitário provenientes da Unidade Prisional do Puraquequara (UPP). O despejo dos coliformes é feito diretamente nas águas do lago e do igarapé, situação que já vem sendo relatada pelos moradores há vários anos.

Doenças

O autor da pesquisa, que não quer ter seu nome divulgado, disse que há outras fontes de poluição, uma delas causadas pelos próprios moradores. Mas ele destacou que a principal causa são os resíduos do esgoto do presídio. Ele orientou os moradores a procurar a Vigilância Sanitária.

“A preocupação com a situação do lago é histórica, mas nunca as denúncias foram levadas a responsabilizar os culpados pela degradação do lago. Hoje as águas e os peixes estão impróprios para o consumo dos moradores, além de favorecer o aparecimento de doenças e em pouco tempo a própria morte do lago”, conta o educador Valter Calheiros, membro do Movimento S.O.S. Encontro das Águas.

Denúncia

As lideranças comunitárias pretendem agora encaminhar os dados para as autoridades públicas e Ministério Público Estadual e Federal.

“A gente já conhecia essa realidade, mas agora a pesquisa comprovou o problema. A comunidade corre perigo. Os dejetos vindos do presídio prejudicam os banhistas, causam doenças como micose e polui o solo freático. A gente quer fazer um abaixo assinado para ver se, desta vez, as autoridades nos ouçam”, disse Adenaldo Costa, morador da comunidade Bela Vista e membro do Conselho Municipal de Saúde.

Neuza França, outra liderança comunitária e também conselheira municipal de saúde, diz que “tudo de ruim” foi mostrado no diagnóstico.

“A pesquisa nos mostrou que podemos até pegar câncer de pele e que podemos pegar infecção intestinal por causa dos peixes que pescamos e comemos no lago”, disse Neuza.

Para a comunitária, outros resíduos também poluem o lago e o iragapé, tais como resíduos químicos de fábricas de papel, de chumbo e de cimento, empreendimentos comuns naquela região de Manaus.

O portal acritica.com procurou, por email, a assessoria de imprensa da Secretaria Estadual de Justiça (Sejus), ao qual o presídio é subordinado, pedindo informações sobre o posicionamento do órgão a respeito do assunto, e aguarda retorno.

Um ano atrás, a mesma denúncia foi feita por moradores, antes da realização do estudo da Ufam. A denúncia foi publicada no portal no dia 3 de fevereiro.

Um dia depois, a Sejus emitiu nota dizendo que havia determinado que o atual sistema de fossa da Unidade Prisional do Puraquequara (UPP) seja substituído por uma estação de tratamento de esgoto para evitar a poluição do igarapé (curso d'água) que passa próximo ao local.