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Estudos apontam Zona Sul de Manaus como a de maior concentração de casos de leptospirose

Doença infecciosa aguda causada por microrganismos pertencentes ao gênero Leptospira, a transmissão ocorre via contato com urina de animais silvestres ou domésticos 18/01/2012 às 13:20
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Alagações são fatores de risco para a ocorrência de surtos de leptospirose humana
acritica.com Manaus

A Zona Sul de Manaus concentra a maior área de ocorrências de casos de leptospirose (26,64%), de acordo com um levantamento realizado pelo Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), seguida pela oeste (23,52%) e leste (19,72). A pesquisa sobre a incidência e a prevalência da doença foi conduzida pela cientista Ormezinda Celeste Cristo Fernandes, que analisou 665 casos notificados na capital, entre os anos de 2008 e 2010.

A leptospirose é uma doença infecciosa aguda causada por microrganismos pertencentes ao gênero Leptospira. A transmissão ocorre via contato com urina de animais silvestres ou domésticos.

Os resultados são preliminares.

A pesquisa iniciou em 2010 e está sendo desenvolvida no âmbito do Programa de Pesquisa do Sistema Único de Saúde (PPSUS), o qual conta com financiamento do Governo do Estado, via Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam). O trabalho é realizado em parceria com pesquisadores do Laboratório de Referência Nacional para Leptospirose/IOC Fiocruz-RJ. A previsão é de que os trabalhos sejam
concluídos em junho de 2012.

Doutora em Biotecnologia pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Fernandes explicou que a falta de saneamento básico, coleta de lixo inadequada e as condições precárias de moradia são os principais fatores que contribuem para o acumulo de roedores. Consequentemente, há o aumento do risco da população das áreas estudadas desenvolverem a doença.

“O resultado já era esperado, devido à falta de saneamento. Esse tipo de ambiente favorece a proliferação de roedores. Manaus apresenta uma situação agravante com relação ao sistema de esgoto. Constatam-se também áreas de igarapés com precárias condições de moradia”, lamentou.

Durante os meses de chuva, as inundações constituem o principal fator de risco para a ocorrência de surtos de leptospirose humana. Especialmente, nos locais que apresentam precárias condições de saneamento básico, por exemplo, esgoto a céu aberto e lixões na proximidade de córregos.

Resultados
Segundo Fernandes, na análise dos dados secundários, 339 casos foram confirmados e 35 (10,35%) evoluíram para óbito. Ela informou que o maior número de casos, 63, foi observado em 2009 e os meses de maior ocorrência são maio (16,81 %), março (13,31 %) e abril (11,41 %), que corresponde ao período chuvoso da Região. Os dados também demonstraram que o maior número de casos, inclusive com óbitos, encontra-se na faixa etária dos 14 aos 44,9
anos (74,04%).

As fontes de dados secundários foram extraídas do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), Sistema de Informação de Agravos de Notificações (Sinan) e da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa-Manaus). As variáveis analisadas e correlacionadas foram faixa etária, sexo, aspecto clínico da doença, letalidade, ambiente de risco e áreas geográficas.

A partir dos dados secundários, de acordo com Fernandes, foi realizado o mapeamento dos casos confirmados dos três últimos anos (2008 a 2010). Em seguida, foram sorteadas, aleatoriamente, as áreas de coletas. Foram considerados os locais onde a população encontrava-se em situação de maior vulnerabilidade de risco.

Cada domicílio sorteado recebeu a visita de um técnico e de um entrevistador para coleta de amostra sorológica (sangue) e dados socioambientais e epidemiológicos.

A coleta foi realizada em Manaus no período de 2010-2011, considerando diferentes períodos no verão (junho e novembro) e no inverno (dezembro e maio). Todas as residências foram georrefenciadas para posterior análise espacial.

“Embora haja uma vasta literatura sobre leptospirose humana no Brasil, existe uma escassez de estudos em Manaus sobre a incidência dessa doença e sua relação com aspectos geográficos, sociais e espaço urbano”, salientou.