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Entrevista exclusiva: rapper Criolo comemora carreira e relança disco de estreia

“Muito importante poder viver esse momento, porque eu nunca pude viver isso. Esse álbum veio para o mundo em 2006 e não teve festa de lançamento, não teve comemoração. Nunca fiz show dele também, então isso poder acontecer é especial mesmo”, diz o cantor 07/05/2016 às 19:09 - Atualizado em 07/05/2016 às 22:50
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O músico gravou seu primeiro álbum, “Ainda Há Tempo”, em 2006, e desde lá lançou mais três discos: “Nó na Orelha” (2011), “Convoque seu Buda (2014), e “Viva Tim Maia!” (2015). (Divulgação)
Felipe Wanderley Manaus (AM)

Em 2006, o paulistano do Grajaú, favela na Zona Norte de São Paulo, pensava em desistir da música. Por incentivo de amigos, gravou seu primeiro álbum, “Ainda Há Tempo”, ainda com o codinome Criolo Doido. Sucesso de público e crítica, o disco e seu autor foram parar nas capas dos principais suplementos e revistas culturais brasileiros.

Nomes consagrados como Caetano Veloso, Chico Buarque e Ney Matogrosso prestaram referência ao artista, hoje um dos mais importantes da nova geração da música brasileira. Dez anos e três discos depois de sua dúvida se seguia ou não na música, Criolo comemora ter feito a primeira opção com o relançamento de seu álbum de estreia, disponibilizado no site oficial do artista esta semana.

“Muito importante poder viver esse momento, porque eu nunca pude viver isso. Esse álbum veio para o mundo em 2006 e não teve festa de lançamento, não teve comemoração. Nunca fiz show dele também, então isso poder acontecer é especial mesmo”, diz o artista, que teve a ideia de convidar amigos para celebrar os dez anos do disco em uma turnê, o que acabou rendendo um álbum físico.

“Foi chegando perto dos dez anos e a gente pensou: ‘Vamos bolar um show?’ Aí revistar isso e a partir daí que rolou o disco, a partir da ideia de fazer algo para não passar batido”, compartilhou ao BEM VIVER, por telefone, um Criolo que se define como o mesmo que seguia o sonho de cantar rap há mais de dez anos.

“Vivo normalmente, tudo igual”, diz ele, que ainda é morador da mesma comunidade em que cresceu, a favela do Grajaú, na Zona Norte de São Paulo. É do local, aliás, que o artista tira não só inspiração, mas ensinamento de vida e de arte. Versátil, o músico vai além do rap, e a cada disco dá mostras de seu talento não só nas rimas tônicas e versos de “sabotar o raciocínio”, como também em sambas, boleros, reggaes e outros gêneros que “experimenta”. 

“Não falo ‘vou fazer um samba, um reggae, um forrozão. É muito da raiz onde cresci. Nasci num barraco com cinco, seis outros ao redor, (com) cada pessoa de um lugar do Brasil. E você cresce escutando música. É a favela, meu filho, a pluralidade cultural que você acaba encontrando onde você vive. E barraco de pau, o som vaza, né?”, diz ele, sobre a contribuição da vivência no Grajaú para a amplitude musical de suas canções.

Lição de mãe

E foi assim, às vezes curto, mas nunca grosso, que Criolo respondeu as perguntas da reportagem num bate papo que foi desde o novo projeto recém-lançado até o atual momento político brasileiro, passando pela vontade de conhecer Manaus, onde ele ainda “deve” um show; por sua relação de amor pela mãe, a propósito da data comemorativa; e até sobre a questão de distribuição de música no Brasil, onde os grandes artistas da nova geração quase “desaparecem” da maioria das rádios comerciais. Mas com isso, ele, que aprendeu com a mãe a acreditar na boa energia e na inteligência das pessoas, não está preocupado. “Hoje tem Internet, o jovem escolhe o que quer escutar”. Sábio Criolo!

Quatro perguntas para Criolo

Criolo, o que é esse disco de releitura de “Ainda Há Tempo”, dez anos depois?

Foi chegando perto dos dez anos e a gente pensou: ‘Vamos bolar um show?’ A partir daí que rolou o disco, da ideia de fazer algo para não passar batido. As músicas já existem, o jeito de cantar as melodias, o flow, aí o grande lance foi a ideia de convidar uns beat makers (criadores de batida) para ver o que sentiam desse som.

Você ainda não veio em Manaus. Tem vontade?

Tenho muita vontade. Eu e o Dj Dandan (parceiro de anos). Manaus é Brasil! É cheia de cultura, cheia de história. É tão importante quanto São Paulo, Rio, Porto Alegre, Salvador. Quero ir praí aprender um pouco também. Fiquei sabendo que recentemente rolou um evento de hip-hop feminino aí, na Zona Leste? Vou mandar um abraço, um saludo a todos os MCs, DJs e falar parabéns por essa iniciativa!

Em uma de suas músicas, você fala de mãe de uma maneira muito universal. Sua mãe lhe inspira muito?

Minha mãe é tudo pra mim. Não sou nada sem essa mulher. 

O Brasil vive um processo de impeachment, ao qual você já declarou ser contra. Algo a dizer da iminente saída da presidente Dilma Rousseff?

Quem acha que tudo que tá acontecendo é pra acabar com a corrupção no Brasil, é só puxar a ficha dos caras pra ver que é pra grupo isso. E aí não tem massagem. Não tem essa de que lado você tá. Eu tô do lado de quem não é corrupto.