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Fabiula Nascimento diz que a chamam de 'fura olho' por conta de papel em novela

Na história de João Emanuel Carneiro, Olenka está envolvida com Silas (Ailton Graça), ex-marido de Monalisa (Heloísa Perissé), sua melhor amiga 28/06/2012 às 08:18
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Fabiula Nascimento
uol/televisão ---

O que a atriz curitibana Fabiula Nascimento, a Olenka de “Avenida Brasil”, mais escuta do público ultimamente é “fura-olho”. “Às vezes também cantam a música do seu Jorge, ‘Amiga da Minha Mulher’”, contou ela, aos risos, durante entrevista exclusiva ao UOL. Na história de João Emanuel Carneiro, Olenka está envolvida com Silas (Ailton Graça), ex-marido de Monalisa (Heloísa Perissé), sua melhor amiga.

Estreante em novelas, Fabiula – que já atuou na série “Força-Tarefa” e que foi revelada no filme "Estômago" – afirmou que também se sentiu meio traíra quando soube que sua personagem ficaria com o amor da melhor amiga. “Fiz a Olenka escudeira, fiel, melhor amiga, parceira, irmã, alma gêmea da Monalisa. Quando me chegou a história dela com o Silas, falei: ‘gente, não! Lolô [Heloísa Perissé], a gente vai brigar. Com quem vou gravar? Porque a gente é muito unida, dentro e fora de cena”, disse.

Leia a entrevista completa com a atriz:

UOL – O que você achou de a Olenka se apaixonar pelo Silas?
Fabiula Nascimento –
É muito maluco porque é a minha primeira obra aberta. Nunca tinha feito antes uma coisa sem começo, meio e fim. É muito difícil e jurei para mim que não ia construir nada fechado. Mas me enganei completamente. Fiz completamente fechado. Fiz a Olenka escudeira, fiel, melhor amiga, parceira, irmã, alma gêmea da Monalisa. Quando me chegou a história dela com o Silas, falei: ‘gente, não! Lolô [Heloísa Perissé], a gente vai brigar. Com quem vou gravar? Porque a gente é muito unida, dentro e fora de cena.

Você se surpreendeu?
Sim, mas acho isso muito comum de acontecer. Acho que o que despertou na Olenka esse amor pelo Silas foi ver que aquele cara amava incondicionalmente aquela mulher, então quando ele ama, ele ama. E aquela mulher não estava nem aí para ele e queria que ele morresse. Eu [Olenka] estava na linha de tiro, achando que o cara era maneiro. Minha amiga era burra e não queria ver isso. Então acho que a Olenka pensou: ‘se esse cara me amasse, eu amaria ele. Porque eu sim, eu gostaria de viver um amor de verdade’. A Olenka nunca está com ninguém. Ela nunca se dá bem nos amores. Acho que o único erro dela foi a falta de comunicação: ‘Monalisa, preciso falar uma coisa séria, estou gostando de uma pessoa e essa pessoa é o Silas’. Ou então, se não quisesse perder a amizade, que se mudasse de bairro ou de país.

Como tem sido a repercussão da Olenka nas ruas?
O que mais escuto na rua é que sou “fura-olho”. Às vezes também cantam a música do seu Jorge, “Amiga da Minha Mulher”. As pessoas não me reconhecem com facilidade, tanto que consigo ir ao mercado e fazer tudo na maior tranquilidade. Fui à Feira de São Cristóvão, que adoro, e uma mulher ficou me olhando, me olhando, me olhando. Pensei: ‘essa reconheceu’. Aí ela se aproximou e falou: ‘vem cá, você é aquela garota da novela?’. Disse que era e ela cismou que não. Aí ela disse: ‘fiquei aqui parada ouvindo sua voz e vi que a voz era, mas o sotaque não era’.

Porque a Olenka tem um jeito de falar bem carioca e você ainda tem o sotaque do sul...
Exatamente. A Olenka tira o S. Fala: ‘quer que eu compre’, ‘que seje’. E isso acontece em qualquer cidade. Não é o pobre e o rico não. Não tem distinção de classes. Tem muita coisa que é do interior do Brasil, que a gente escuta, que a avó fala: ‘pega três cadeira’. E isso não dói, é uma coisa de infância. Quem é do interior sabe do que estou falando. Como eu fiz muitos tipos populares é o que tenho mais simpatia. É o mais rico, é o que mais gosto. E as pessoas gostam, acham divertido. Não estou ensinando o Brasil a falar errado. Só estou retratando o que eu vejo.

A Olenka é um papel de composição...
Mas ela é uma composição de várias mãos: cabelo, make, batom vermelho, figurino. Sempre falo que não sou uma pessoa de vaidade, mas descobri que a minha vaidade está na minha profissão mesmo.

Por quê?
Porque não me importo de aparecer socada num macacão jeans, naquela calça justa que marca o corpo inteiro, até a gordurinha que tem para disfarçar. Aquela mulher existe e para mim é muito prazeroso fazer aquela mulher que existe na rua, em Madureira.

A Olenka é mais um papel sensual na sua carreira. Como você encara essa sua sensualidade?
Não sei dizer. Não que não seja sensual. Acho que todo mundo é sensual. Todo mundo tem a sua sensualidade em algum lugar. Claro que tem as pessoas insossas que não têm mesmo (risos). É um mexer de cabelo, é uma frase interessante, é uma simpatia, é alguma coisa no olhar, não necessariamente é uma coisa vulgar, de mostrar partes do corpo. Não acho que a sensualidade seja isso. Acho que a minha está mais no meu jeito de me comunicar. Acho o meu bom humor sensual para caramba. A Olenka, por exemplo, anda com roupa justa, apertada, mas não mostro nenhuma parte do meu corpo. Não tenho decote nas costas ou uma microssaia ou um peito aparecendo. Sou totalmente coberta, inclusive. Uso calça jeans. E aí tem uma coisa de postura, que você pode ser sensual na postura. Mas não sei onde que as pessoas acham isso em mim. Claro que não sou feia, nem sou linda. Mas sou uma mulher brasileira, normal, com curvas. Acho que o homem mesmo gosta de uma mulher com curvas. Sou grande, tenho uma mão gigante. Não me olho e falo: ‘nossa, você é sensual, hein!’. Isso não passa pela minha cabeça. Mas acho que a minha sensualidade está no meu jeito de me comunicar, na minha postura com a minha vida. Sou de bem com a vida, gosto de ser quem sou. Não tenho o desejo de ser magra, esquelética, acho isso doença.

Como tem sido a repercussão da novela nos bastidores? Muitas personalidades já comentaram que não perdem um capítulo de “Avenida Brasil”.
A gente se assiste. Quer mais sucesso do que isso? Você fazer uma novela e se assistir, querer ver o que está rolando? Acho que isso é o que também dá energia, está todo mundo feliz, está todo mundo fazendo de coração. É uma alegria fazer parte de uma novela como essa. Qualquer lugar que eu vá, vem alguém e fala: "Parabéns! A novela é maravilhosa!’. É um parabéns coletivo. Não é um: "Parabéns, você está incrível". Isso é fantástico.

Você já é atriz há 17 anos. Como surgiu o seu interesse pela interpretação?
Quando era pequena fui fazer uma peça no jardim de infância e precisava de uma menina para se assustar com uma boneca, que era a minha professora de balé, e cair de bunda. E fiz isso e a plateia riu muito. Olhei aquilo e fiquei com aquela sensação. Não sabia o que era. Mas aquela sensação de riso e de aplauso foi muito viva para mim e nunca mais esqueci. Fui crescendo e na escola onde estudava tive uma professora de história muito bacana que deixava a gente encenar a história do Brasil. Era muito legal e era a primeira a encabeçar esse projeto. Fiz muito teatro amador na escola. E a minha vida sempre foi no comércio. Cresci em comércio: bar, lanchonete. Minha família sempre mexeu com comida, com atendimento ao público. Mais tarde fui ter um salão de cabeleireiro com a minha mãe. Nesse meio tempo fiz um curso de teatro e sabia que era aquilo que queria fazer.

Foi aí que você decidiu que queria ser atriz?
Sim. Mas não sabia que podia me sustentar daquilo. Até então parecia muito mais diversão do que trabalho. Queria manter o teatro em paralelo. Durante um verão, estava em casa –tinha o salão com a minha mãe e meu pai trabalhava com alimentos– e vi um teste na televisão para fazer uma peça de teatro, “A Cinderela”, e me inscrevi. Na verdade, liguei para saber se precisava ser profissional para se inscrever e disseram que não. Me inscrevi e fui fazer esse teste. Cheguei lá e tinham 300 meninas, era um lugar chamado Espaço da Criança, e fui passando por uma maratona de testes. No final, ficamos eu e outra atriz, que fez a Cinderela. Eles gostaram tanto de mim que me chamaram para fazer um ratinho na peça. E nesse lugar a gente não fazia peça no final de semana. A gente fazia peça durante a semana para as escolas. Então trabalhava de segunda a sexta e sábado e domingo tinha folga. Fazia duas apresentações pela manhã e duas à tarde. Aí falei: ‘mãe, descobri minha profissão’. Tinha feito vestibular para veterinária, já tinha passado. Mas fui ter a noção de que era isso mesmo que queria fazer no segundo semestre, porque me chamaram de novo para uma produção. Então falei: ‘cara, acho que vai dar certo’.

E como foi seu início de carreira?
Trabalhei durante cinco anos no Espaço da Criança, em Santa Felicidade, em Curitiba. Em 2001, saí de lá e comecei a trabalhar com a classe artística da cidade. Aí já engatei uma peça à noite, outra de dia, fiz contra-regragem para outra. Fui fazendo, fui fazendo... Nunca fiquei sem trabalhar, graças a Deus.

Mas você fez algum curso ou faculdade de teatro?
Não fiz nada. Meu aprendizado foi no palco mesmo. Posso dizer que tive cinco anos de escola mesmo. Porque nesse Espaço da Criança foi onde tudo começou e foi onde as pessoas mais incríveis passaram pela minha vida. Rosana Stavis, que é uma atriz maravilhosa; a Claudete Pereira Jorge; Mário Schoemberger, que já morreu, que é como se fosse um padrinho para mim. Foi o cara que me olhou e falou: ‘cara, você tem um futuro. Você é uma atriz maravilhosa!’. E me apresentou para as pessoas e fez com que a classe artística abrisse os olhos para mim. Foi a Regina Vogue que me deu esse primeiro trabalho adulto infantil fora do Espaço da Criança. Fui bebendo de várias fontes e de outros atores que passaram por lá. E aprendi muito, o que fazer, o que não fazer. Sempre fui muito observadora no trabalho, no gestual. Saí dali e fui fazer contra-regragem. Estou numa faculdade e vou até o fim da minha vida. Porque o aprendizado é constante. A minha formação teatral é totalmente em Curitiba. Minhas referências são todas de lá. Eles me formaram não só como artista, mas como pessoa.

Você acha difícil se manter de teatro?
Olha, eu não sei te dizer. Eu vivi a minha vida inteira de teatro.

Se sustentando com o teatro?
Me sustentando. Eu sou bem-sucedida desde 1998. Eu vivo somente disso e nunca pedi dinheiro para ninguém emprestado. Eu tenho uma vida desde então. É claro que não tinha luxos, é óbvio que eu não tinha um carro, é óbvio que eu andava a pé, mas nada que um outro ser humano normal não viva. Eu fazia única e exclusivamente teatro. Até 2006 eu vivi só de teatro. O próprio “Força-Tarefa” era um trabalho de período. Depois viajei com a minha peça pelo Brasil com a Katiuscia. Paguei todas as minhas contas com esse dinheiro. O cinema nunca me deu dinheiro. Pelo contrário. Ele te dá um status, uma posição, mas é sempre baixo orçamento. O teatro realmente foi o que me sustentou a vida inteira. Não tinha luxo, mas eu vivi. Eu acho que quando você pega alguma coisa como a sua profissão ela é a sua profissão. Você vai fazer de tudo para viver dela e você consegue. Quando você desiste é porque você não era dela. Acho que aí você deve ir embora, deve ir fazer outra coisa mesmo. Hoje podem me tirar tudo. Mas nunca vão me tirar isso, esse aprendizado que eu tive. Eu posso fazer a minha profissão em qualquer lugar. Posso fazer na rua e passar o chapéu. Eu nunca vou ficar desempregada mesmo.

Você sofre quando se despede de um personagem?
É muito triste. Caramba! Foi. Ela está lá. A televisão e o cinema têm uma coisa de eternizar a imagem, mais do que o teatro. Então elas estão lá e eu posso talvez ir buscar alguma coisa que eu fiz e que eu tenha esquecido. Cada uma é de um momento da vida. Então é tão engraçado assistir depois ao “Estômago” ou à “Bruna Surfistinha”.

Você gosta de se ver?
Gosto. Eu não sofro não. Já sofri muito, já me critiquei para caramba. Ainda tem coisas que eu não gosto, mas eu acho que consegui um distanciamento bacana. Eu olho e vejo que foi uma cena e ninguém vai mais ver. Se um filme é ruim também ele não é visto. Se ele é bom ele é visto por todos. O teatro também. Eu parei de achar que isso é tão sério. É a minha profissão, eu faço ela com muito respeito, mas eu não tenho obrigação nenhuma de fazer nenhum sucesso ou nenhum fracasso. Eu tenho que simplesmente fazer e estar confortável naquilo que eu faço. Agora, se vai ser sucesso para um e fracasso para outro é um problema deles. Eu consegui me distanciar e olho como telespectadora. Já dei risada comigo, já me emocionei comigo. Por exemplo, a Olenka, eu demorei muito tempo para aceitar que era eu. Porque é muito mexido, sabe? É um cabelo que não é meu, uma maquiagem que não é minha, uma roupa que eu jamais usaria na vida, uma unha que eu convivo com ela 24 horas. Só que eu adoro tudo isso, mas quando eu vi pela primeira vez eu não me identificava. Eu via qualquer outra pessoa menos a Fabiula. Eu falava: ‘gente, não tem nada meu aí. Gente, esse sotaque. Gente, quê que é isso?’. Foi caindo uma ficha. Fez três meses de novela no último dia 26. Então agora estou me acostumando com a minha cara ali dentro daquilo tudo que não tem nada meu.