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TURISMO

Famílias 'boas de estrada' relatam suas aventuras pela América Latina e Europa

Planejamento e disposição são coisas que não podem faltar na ‘bagagem’, recomenda o farmacêutico Kleber Brasil, que embarcou com a família em um tour por três países 07/05/2016 às 19:47 - Atualizado em 08/05/2016 às 12:25
Rosiel Mendonça Manaus (AM)

“Wanderlust” é uma expressão que vem do alemão e representa o impulso de viajar, de explorar o mundo e ir em direção ao novo. Esse sentimento guia famílias aventureiras como a formada pelo surfista Pato, a cinegrafista Fabiana e a pequena Isabelle Nalu, de nove anos de idade. Durante anos, eles protagonizaram no Multishow o programa “Nalu pelo mundo”, que no próximo dia 19 ganhará novo formato no Canal OFF.

“Nalu a bordo” mostrará a rotina de Pato e família em busca das melhores ondas e de experiências inusitadas, mas dessa vez o tour acontecerá de barco. A primeira parada serão as ilhas da Polinésia Francesa, no Pacífico Sul.

“Viver a bordo já é bem radical. Pato surfou ondas incríveis, descobrimos ilhas paradisíacas, mergulhamos com arraias e tubarões e enfrentamos tempestades em alto mar”, comentou Fabiana, em entrevista recente à revista Educar. Ela tampouco pensa em abandonar a “vida cigana”, afinal, assim que eles voltam ao Brasil, bate logo a vontade de embarcar para o próximo destino.

Mas não é preciso ir muito longe para conhecer outras famílias ligadas em uma excursão longe de casa. É o caso dos manauaras Kleber Brasil e Larissa Tupinambá. Eles são pais de João (5) e Ana Clara (9) e preferem investir em um tour com os filhos pela América Latina a levá-los para uma “diversão artificial” nos parques de Orlando.

A última viagem deles, feita no início do ano, foi batizada de “Da Amazônia ao Atacama” e incluiu no roteiro cidades do Peru, Bolívia e Chile. Foram mais de oito mil quilômetros percorridos em 28 dias a bordo de uma picape.

Planejamento

Farmacêutico de formação, Kleber demonstra ser o mais aventureiro da família - na juventude, ele já havia feito um mochilão pela América Latina e chegou a praticar MotoCross. Anos mais tarde, a vocação para viajante parece ter animado o restante da família. “Claro que dessa vez foi diferente por causa da responsabilidade em levar e trazer todos em segurança. Lá em casa a gente diz que só vai viajar de pulserinha da CVC quando ficar mais velho. Enquanto tivermos força para carregar as malas e enfrentar todo tipo de perrengue, vamos fazer as viagens desse nosso jeito”, diz o pai.

Para ele, planejamento é essencial. O roteiro mais recente, por exemplo, começou a ser preparado com seis meses de antecedência. Numa planilha do Excel, eles organizaram todas as informações do trajeto, como hospedagem, custos, distâncias e variações de altitude. “Planejar é fundamental, mas muitas vezes não vale de nada quando os imprevistos surgem. O mais importante é estudar bem os mapas para conhecer as alternativas”, recomenda.

Idas e vindas

E imprevistos não faltaram na viagem da família de Manaus, de estradas fechadas por grevistas a mudanças bruscas de clima. “Como íamos para o Chile de carro, mandamos a picape para Porto Velho com 20 dias de antecedência, mas quando chegamos lá o carro ainda não tinha chegado. Tivemos que adaptar toda a programação”, lembra Kleber, que releva os percalços. “Viajar é sair da zona de conforto”.

O soroche, ou mal da altitude, foi um dos desconfortos enfrentados pela família Brasil-Tupinambá. Pela manhã, os quatro mochileiros pegavam uma altitude de 100 metros acima do nível do mar, e no fim da tarde a altitude saltava para três mil metros. Resultado: ar rarefeito, crianças sonolentas e nauseadas. Por ser cardíaca e portadora de Síndrome de Down, a pequena Ana Clara inspirava mais cuidados, mas as fotos e as poses dela entregam a felicidade da experiência.

“Meu menino até hoje fala que está com saudade da viagem e lembra dos lugares. Já estamos querendo sair de novo”, diverte-se o pai, que levou a família para um “passeio” parecido quando João tinha apenas dez meses de idade. O próximo destino é quase certo, como adianta Kleber. Eles devem conhecer o multicolorido Caño Cristales, na Colômbia, conhecido como o rio mais bonito do mundo.

De bicicleta na Europa

O casal Neybe e Mário Ricardo Gomes elegeu a bike como principal meio de locomoção nos roteiros anuais que eles fazem à Europa. Os amazonenses são participantes assíduos do Bike Tours Du Chef, coordenado pelo chef Rafael De Cara, experiente em levar grupos de brasileiros, na maioria casais, para passeios turísticos e gastronômicos no Velho Continente. 

“Vamos sempre no mês de setembro, quando o clima da Europa está melhor”, comenta Neybe, que já percorreu com o marido as regiões da Borgonha, na França, e Sardenha, na Itália. Para ela, as viagens são uma oportunidade de desbravar novos lugares e socializar com os amigos, além de exercitar os músculos, já que a maioria dos trajetos é feito de bike, e ocasionalmente em barcos. “Esse ano já está tudo certo para irmos a Portugal”, adianta.