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Festival de Cannes começa nesta quarta (16) com grande participação do cinema dos EUA

Vários filmes em competição estão procurando por distribuição e alguns já encontraram. "On the Road" na última semana foi adquirida pela IFC Films e Sundance Selects com planos para um lançamento no final deste ano 15/05/2012 às 16:43
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Primeiro pôster oficial de "On the Road", de Walter Salles
UOL/CINEMA ---

Entre os 22 filmes em competição no Festival de Cannes 2012, que começa nesta quarta-feira (16), há um contingente norte-americano particularmente grande, começando com o filme da noite de abertura "Moonrise Kingdom", de Wes Anderson. O longa sobre o amor adolescente em fuga traz alguns atores como Bruce Willis e Edward Norton.

Depois, há a adaptação "Cosmopolis", estrelada por Robert Pattinson, e a adaptação feita por Walter Salles ("Diários de Motocicleta") de "On the Road". Este filme, produzido por Francis Ford Coppola, traz as estrelas Sam Riley e Garrett Hedlund, mas tem atraído mais atenção para o papel coadjuvante de Kristen Stewart como a namorada de Dean Moriarty.

Há ainda "Lawless", de John Hillcoat, um conto estrelado por Shia LaBeouf e Tom Hardy, e "Killing Them Softly", de Andrew Dominick's, um filme policial estrelado por Brad Pitt. O grupo extraordinariamente grande de norte-americanos é formado também por "Mud", de Jeff Nichols, com Matthew McConaughey e Reese Witherspoon, e "The Paperboy”, de Lee Daniels, um drama sobre o corredor da morte estrelado por McConaughey, Zac Efron e Kidman.

"Os americanos estão chegando" anunciou Lee Daniels, cujo "Precious" já foi exibido na seção “Um Certo Olhar”.

A declaração ecoa o mesmo sentimento do diretor artístico do festival, Thierry Fremaux, que declarou que o cinema norte-americano "voltou com força total" ao anunciar a programação.

"Nós ficamos tão envolvidos, como norte-americanos, em um tipo específico de experiência cinematográfica, que nos esquecemos que esta é uma pequena fração do que é cinema", disse o diretor Lee. "É ok ser estranho lá. Eu me lembro de quando estava fazendo “Precious” e todo mundo olhava para mim coçando suas cabeças para perguntar ‘O que você está fazendo?’  Lembro-me de sentir estranho, e eu não me sinto estranho em Cannes”, continuou.

"Árvore da Vida" ,de Terrence Malick, ganhou o prêmio máximo do festival em 2011 e foi o primeiro filme americano a ganhar desde que “Fahrenheit 9/11", de Michael Moore,venceu em 2004.

"Cannes é uma arena mundial", disse o produtor Harvey Weinstein. "É uma grande oportunidade de lançar algo. A imprensa mundial está lá e atrai a atenção de todos. Você tem diferenças de opinião e, quando se tem um consenso, você pode realmente lançar um filme como fizemos com o ‘O Artista’ no ano passado".

 Vários filmes em competição estão procurando por distribuição e alguns já encontraram. "On the Road" na última semana foi adquirida pela IFC Films e Sundance Selects com planos para um lançamento no final deste ano. Em acordos assinados em quartos de hotel e a bordo de iates , muitos outros filmes em vários estágios de produção serão comprados e vendidos. Depois de um mercado robusto em 2011, Weinstein descreve o mercado desse ano como "provavelmente mais forte".

Outros filmes procurarão se beneficiar da convergência global de mídia, como a próxima animação da DreamWorks "Madagascar 3", que vai ser exibido fora de competição, e "O Ditador", para o qual Sacha Baron Cohen é esperado para fazer uma aparição de caráter promocional na quarta-feira.

Embora Sean Penn e Brad Pitt sejam os favoritos em Cannes, o festival deste ano inclui uma nova safra de jovens atores em busca de trabalhos mais aventureiros, incluindo LaBeouf, Efron e Pattinson.

"Quando você fantasia sobre como o mundo te vê como ator, você pensa  'Eu quero ser reconhecido em Cannes", diz Pattinson, que tem atraído elogios do diretor David Cronenberg por sua atuação em "Cosmopolis".Pattinson já foi a Cannes para promover “Lua Nova”, da saga “Crepúsculo” em 2009.

Não há diretoras na competição deste ano, depois de quatro no ano passado - um resultado que o grupo feminista La Barbe condenou em uma petição online.

Os novatos este ano são superados em número pelos veteranos. Mais de dois terços dos diretores em competição já tiveram filmes exibidos no festival.

Haneke, diretor austríaco que ganhou a Palma de Ouro por "The White Ribbon", em 2009, retorna com "Amour", sobre um casal octogenário. O cineasta britânico Ken Loach, vencedor do prêmio em 2006 por "The Wind That Shakes the Barley", está de volta com "The Angels 'Share" , uma comédia. O iraniano Kiarostami, cujo " Taste of Cherry " ganhou a Palma de Ouro em 1997, traz o "Like Someone in Love”.

Vários dos filmes norte- americanos são colaborações internacionais, dirigidos por cineastas do Brasil (Salles), Nova Zelândia (Dominik) e Austrália (Hillcoat).

Em Cannes, o contexto é sempre macro: todo o mundo, tudo de cinema.

"É ótimo ter um filme americano nesse tipo de arena, onde o que você está vindo a fazer é apenas contar histórias e compartilhar o amor pelo cinema, em oposição às fronteiras nacionais", diz o diretor austríaco Hillcoat. "Isso é que é realmente emocionante sobre Cannes".