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Filme amazonense será exibido em festival de artes e tecnologia de Belém (PA)

Projeto “De Gira e Mato”, da artista visual Keila Serruya, foi selecionado para o Festival Amazônia Mapping 21/11/2017 às 12:26
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A atriz Kerolayne Kemblim interpreta a protagonista do projeto (Foto: Divulgação/Keila Serruya)
Laynna Feitoza Manaus (AM)

Um banho de ervas que estabelece uma ponte entre a purificação corporal e espiritual, carrega uma poderosa herança religiosa e cultural conduzida pela sabedoria milenar do povo negro. Esse banho é retratado pela artista visual e cineasta amazonense Keila Serruya no filme “De Gira e Mato”, selecionado para exibição no Festival Amazônia Mapping, em Belém (PA), no dia 25 de novembro. A terceira edição do festival de arte e tecnologia também traz oficinas de artistas e shows musicais em sua programação.

De acordo com Keila, o trabalho representa uma cura pessoal, uma passagem para quem quer se entender. “Uma ideia preta de purificação do olhar, uma proposta que traz minhas memórias, minhas narrativas e minhas referências de mulher preta que usa as plantas como símbolo de fortificação para se manter em pé em uma sociedade que extermina a juventude negra”, declara ela. A produção, que será lançada oficialmente em janeiro de 2018, foi toda gravada em Manaus. “Mas ainda teremos outras cenas que exigem uma produção um pouco maior, já que precisaremos de mais intérpretes”, complementa.

Serruya adianta ainda que, no filme, traz questões muito pessoais de forma poética e simbólica. “A equipe foi extremamente reduzida. Contei até com o apoio da minha filha de 6 anos, a Maria, que ajudou na produção servindo água, limpando, carregando coisas e às vezes até pedindo pra cortar, mas foi corrigida e entendeu que seu papel era estrutural dentro dessa construção coletiva que é o cinema”, explica. A exibição do filme será no dia 25, a partir das 18h na Praça Felipe Patroni, especificamente no Palácio de João Lemos, um prédio do século XIX onde irão acontecer as projeções dos quatro principais convidados do projeto.

Parceiros

Quem assina a fotografia do projeto é João Machado. Como intérprete, foi escolhida a atriz Kerolayne Kemblim. “É uma artista amazonense que consegue entender minhas questões econômicas, políticas, raciais e de gênero e por isso foi chamada. Ela com certeza me trouxe diversas referências para construção do projeto. Na parte de finalização tem a Cris Silva edição e montagem, que é uma das mulheres mais poderosas na edição dessa cidade, além de contar com a trilha da Deejay Naty Veiga”, pontua.

Keila foi convidada pela artista visual e curadora Roberta Carvalho, para participar do festival. ”Fiquei bem feliz em saber que artista fora da cidade também tem conhecimento sobre minhas produções. Fiquei feliz em saber que o pano da invisibilidade às vezes não está presente nos olhos de alguns e que o Norte também se reconhece e se convida. Com tanto entusiasmo percebi a potência do projeto e construí algo na altura do Festival Amazônia Mapping e foi aí que saiu o ‘De Gira e Mato’”, pondera.

É a primeira vez que Serruya foi convidada a participar do festival, que ganhou grandes proporções no cenário cultural amazônida. “Tem profissionais de renome internacional. Uma galera pesada das artes visuais e video mapping como o Vj Eletroiman (Ricardo Cançado), que tem premiações pelo mundo. Vai ter o trabalho do Lucas Bambozzi (MG), além de uma programação de shows e oficinas. O projeto é lindo e tem tudo pra ser cada vez mais importante para o Norte do país. Potência é a palavra para essa construção”, finaliza.

Saiba +

Keila vai lançar em janeiro a série “Mormaço Sonoro”. “Estou em processo de planejamento, mas essa é uma série sobre música como linguagem”, diz. São 7 vídeos de 6 minutos cada.