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Premiação Gramado

Filme " Colegas" fatura o Kikito de melhor no 40º Festival de Cinema de Gramado

Filme de Marcelo Galvão surpreendeu e levou o troféu prinicpal na premiação do festival gaúcho 20/08/2012 às 10:03
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Trio de " Colegas", Ariel Gondenberg, Rita Pook e Breno Viola exibem seus Kikitos com o diretor Marcelo Galvão (atrás)
Acritica/AE ---

"Colegas”, o road movie de Marcelo Galvão que tem como protagonistas portadores da Síndrome de Down, saiu consagrado como o grande vencedor do Festival de Gramado. Além do Kikito de melhor filme, recebeu um Prêmio Especial do Júri para seus três atores principais (Ariel Goldenberg, Rita Pokk e Breno Viola) e direção de arte. O momento mais emocionante da festa – e que ficará guardado na história do festival – foi a subida ao palco dos três para agradecer pelo troféu recebido. Ariel repetiu o que vinha dizendo em entrevistas: “Aos olhos dos homens somos downianos, aos olhos de Deus somos normais.”

O filme tem muitos méritos. Não é apenas uma peça de inclusão social, politicamente correta. Pelo contrário. Contempla, sem muitos disfarces, o preconceito contra os Downs, e o faz com muita graça e nenhuma autocomiseração. Méritos à parte, a premiação para “Colegas” deveria ter parado no justíssimo Prêmio Especial do Júri para seus atores e nunca avançado para o de melhor filme.

Um festival que dispunha de longas-metragens brasileiros tão originais e consistentes como “O som ao redor”, “Super Nada” e “O que se move”, não poderia ter desperdiçado a oportunidade de eleger um deles como o grande vencedor. O júri, liderado pelo cineasta Roberto Farias, deixou escapar essa chance, que marcaria a 40ª edição de Gramado em sua história.

Favoritos

Dos três, o mais bem situado foi “O som ao redor”, de Kleber Mendonça, que ganhou os troféus de direção, desenho de som, além dos prêmios do público e da crítica. “Super Nada”, de Rubens Rewald, levou apenas o prêmio de ator (Marat Descartes) e “O que se move”, de Caetano Gotardo, o de atriz (Fernanda Vianna). Outro equívoco. O longa de Gotardo, ficção baseada em dramas familiares reais, repousa sobre o trabalho de três atrizes: Fernanda Viana, Cida Moreira e Andrea Marquee. O justo seria premiá-las em conjunto, como ressaltou o diretor no palco do Palácio dos Festivais.

O documentário “Jorge Mautner – O filho do Holocausto” foi supervalorizado, com os prêmios de montagem, fotografia e roteiro, este para Pedro Bial. Só a brodagem conseguiria explicar esse resultado pouco proporcional. O outro documentário em disputa, “Tropicalismo now”, recebeu apenas o Kikito de trilha sonora (André Abujamra). Para um festival que quase não aconteceu por problemas econômicos, Gramado fez bonito em seu 40º aniversário.

Longas premiados no 40º Festival de Gramado:

“O som ao redor”:  melhor filme pelo júri da crítica e júri popular, melhor direção e desenho de som;

“Colegas”:  melhor filme em competição, prêmio especial do júri para os atores e direção de arte;

“Artigas, la redota”:  melhor ator (Jorge Esmoris), melhor filme estrangeiro (competição e júri da crítica), melhor diretor estrangeiro (César Charlone) e menção especial.