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Carnaval terceira idade

Foliões de carnavais passados mostram que ainda tem alegria para brincar

Veteranos da folia momesca mostram que, mesmo sentindo saudade dos " velhos tempos", não deixaram a alegria de lado 18/02/2012 às 19:45
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Durante o Carnaldoso, disposição não faltou para os experientes foliões
Carolina Silva Manaus

Da Maloca dos Barés para o Sambódromo. Ainda que a festa do Carnaval manauara tenha passado por transformações ao longo do tempo, a alegria e disposição são fatores que permanecem e não faltam quando o assunto são os foliões da terceira idade. Eles são provas vivas dessa transformação.

A aposentada Marilda dos Santos, 68, ainda dá um show de vitalidade e muita folia. E mostra para a nova geração que Carnaval não tem idade. “Minha paixão por essa festa é imensa. Brincava nas festas carnavalescas quando criança e quero continuar por muito mais tempo”, destaca a aposentada que tem até mesmo título de realeza.

 Marilda já é tricampeã como Rainha de Bateria da Terceira Idade de Manaus. Venceu o concurso em 2008, 2009 e neste ano. Viúva, há cinco anos, ela lembra do apelido que ganhou do marido em homenagem aos seus títulos de campeã. “Ele sempre me chamava de minha rainha”, conta a aposentada.

Aos 68 anos, ela diz que a paixão pelo Carnaval está no sangue e que é herança passada a cada geração. “Minha mãe também foi Rainha de Bateria e Rainha do Carnaval”, lembra. E a animação de Marilda não fica só na avenida do Sambódromo. Ela gosta tanto de Carnaval que chega a investir até R$ 800 para participar do Concurso de Fantasias da cidade. “Ano passado, fiquei em primeiro lugar no concurso”.

Seu primeiro baile de Carnaval foi na Maloca dos Barés, nos tempos do Centro antigo da cidade, nas proximidades da Praça da Matriz. Marilda conta que de lá pra cá, o Carnaval mudou muito. “Os bailes de antigamente não se comparam com as festas de hoje. Lembro como era bom brincar Carnaval somente com as marchinhas”, disse.

 No ensaio geral da apresentação que abriu o desfile do Grupo Especial na noite de ontem, 18, Madalena Nascimento, 63, também já mostrou um pouco do show que deu na avenida. Como porta-bandeira da Terceira Idade, ela e o marido, Wilson do Nascimento, 73, que é o mestre-sala, transmitiam a felicidade da união do casal que começou na escola de samba verde e rosa, Vitória Régia. “Nasci no berço do samba (Praça 14) e conheci o amor da minha vida lá. Não tem como não gostar do Carnaval e nem como parar de festejá-lo”, conta Madalena.

Desde 1975, ela se destaca nas festas carnavalescas da cidade como porta-bandeira. Madalena descreve seu amor pelo Carnaval como incondicional. Lembra de quando desfilava em escolas de samba tradicionais da cidade como Unidos da Selva e Unidos da Getúlio, hoje já extintas. “Lembro-me ainda quando os desfiles eram na avenida Eduardo Ribeiro”, conta.

Apaixonados pelo samba da cidade

Em meio aos brincantes da Terceira Idade de Manaus, o mestre-sala Wilson do Nascimento, 73, destaca-se na avenida. E não é para menos. O ex-militar da Aeronáutica é um autêntico folião da cidade maravilhosa.

Nascido na comunidade de Madureira, no Rio de Janeiro, Wilson já foi mestre-sala da Portela e já se apresentou por muitos anos na Marquês da Sapucaí. “Também desfilava nos blocos de rua do Rio de Janeiro e quando fui transferido pra cá, me apaixonei pela escola de samba Vitória Régia, onde conheci minha esposa”, disse.

“Nasci no mês de fevereiro”, aponta Wilson como motivo para tanta disposição em brincar o Carnaval com os seus mais de 70 anos. Segundo ele, Carnaval é vida. É tempo de renovar a alegria e mais que isso, de mostrar que o Carnaval não tem idade.

 A Rainha do Carnaval da Terceira Idade, Graciete Nascimento, 63, também dá um show de alegria ao som das marchinhas e do samba. Mas para ela, no quesito animação, o Carnaval dessa geração ainda tem muito que melhorar. “Acho que o Carnaval de antigamente era mais animado, tinha um clima diferente das festas de hoje”. De acordo com Graciete, os bailes de Carnaval realizados nos tradicionais salões da cidade jamais serão reinventados.