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Garis fazendo arte pela limpeza

Funcionários da limpeza pública fazem música e teatro em prol da conscientização 05/02/2012 às 08:37
Show 1
Da esquerda, Eliésio, Leny, Allan e André se uniram na gravação de um CD com canções do Garis da Alegria
Jony Clay Borges ---

Eles deixaram vassouras, lixeiras e pás de lado para trabalhar com microfones, violão, narizes vermelhos e muito, mas muito humor! São os Garis da Alegria, grupo de funcionários da limpeza pública municipal que usam a música e o teatro para promover a conscientização do público em torno de temas como o meio ambiente e a reciclagem de lixo.

O Garis da Alegria promove apresentações em escolas públicas, repartições, empresas e fábricas da cidade, sob coordenação da Secretaria Municipal de Limpeza e Serviços Públicos (Semulsp). Depois das palestras feitas por outros agentes de conscientização da secretaria, eles entram usando roupas de gari e maquiagens estilo palhaço, promovem pequenas esquetes de humor e performances musicais com canções que ensinam a não jogar lixo nas ruas ou poluir praias, rios e igarapés, entre outras lições de cidadania.

“(O grupo) foi criado para sensibilizar as pessoas e transmitir informações de uma forma lúdica e alegre”, explica Allan Nascimento, um dos fundadores do Garis da Alegria.

Mensagem

Todas as canções são de autoria dos próprios integrantes do grupo – que inclui Eliésio, o Palhaço Maluco; André, o Palhaço Palmito; Leny, a Palhaça Boloxilda; e Rose, a Palhaça Gemada. Entre elas está “É tão bom a gente ser gari”, de Nascimento e Maluco, cuja letra diz: “Uma Manaus como a gente/ Vamos preservar o nosso meio ambiente/ Nosso meio ambiente/ Ei, pode vir quem quiser/ Só não pode jogar lixo no igarapé/ No igarapé não não/ Seja um cidadão bem consciente/ Faça sua parte em prol do meio ambiente”.

“Tudo é para mostrar que temos de cuidar do lixo com carinho e alegria. Principalmente para as crianças, para que o amanhã delas seja mais colorido que o nosso”, diz Nascimento.

A mistura de música, artes cênicas e bom humor ajuda a difundir a mensagem de conscientização sobre o lixo de forma mais eficaz, para Nascimento. “Na brincadeira, as pessoas se sensibilizam”, diz. O trabalho de difundir alegria e cidadania, segundo ele, também traz alegria para ele e os demais garis-artistas: “No final, todo o nosso esforço é compensado com os aplausos”.

Atividade fez desenvolver lado artístico

O trabalho com o Garis da Alegria foi um estímulo para Allan Nascimento enveredar ainda mais pela seara musical. “Sempre quis um dia cantar e, graças a Deus, ele me trouxe esse ofício musical. Hoje canto em bares e restaurantes”, afirma ele, que concilia o papel de agente de conscientização da Semulsp com o de cantor popular. O repertório dele, que passou a ser conhecido por muitos como o Gari Cantor, vai dos ritmos populares como o forró à MPB.

O talento de Nascimento para a música, aliás, foi um dos fatores que levou à criação do Garis da Alegria. Em 2005, dois anos após começar a trabalhar na limpeza, ele escreveu uma canção que veio a se tornar um hino dos funcionários da pasta municipal. A composição chamou a atenção de Adriano Rodrigues, que então trabalhava como agente de conscientização da Semulsp e que desenvolvia uma atividade de artes cênicas. Logo, os dois formaram um grupo – com a participação de Daniela Monteiro, Venina Saavedra e Eduardo Taveira – que apresentava peças teatrais – “Lixilda” é uma delas –, esquetes de humor e música.

O grupo, que ora se apresentava como Reciclabando, ora como Garis da Alegria, desfez-se aos poucos com a saída dos integrantes. Em 2008, Nascimento adotou o segundo nome para criar um novo time, que se mantém até hoje, com foco maior na música. Deu tão certo que os integrantes se uniram e gravaram um CD com 10 músicas autorais, cujas cópias eles comercializam em suas apresentações.

Além do Garis da Alegria, Nascimento e seus parceiros fazem shows e animação de festas particulares. Os telefones de contato do grupo são (92) 9179-0959, 8199-1179, 9172- 9368 e 9152-6053.