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Hábitos dominicais resistem ao tempo

Fazer tudo o que não se consegue na semana ou ficar sem fazer nada. Fato é que população mantém costumes e rotinas 12/08/2012 às 10:44
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O aposentado José Farias vai todos os domingo à igreja de São Benedito, e diz que hábito de “madrugar” começou na infância
Milton de Oliveira Manaus

O domingo do manauense e das pessoas que escolheram morar na terra do jaraqui é variado, divertido, familiar, religioso, dia de ir ao mercado, e até de passar boa parte do dia dormindo. Os mais velhos e considerados tradicionais, são os que madrugam para ir à igreja e, depois, à feira. Os mais jovens acordam tarde e transformam a hora de almoço, em café da manhã, embora haja exceções. As atividades se repetem todos os domingos e eles acabam se encontrando em ambientes familiares ou de conhecidos, como neste domingos (12), no Dia dos Pais.

Morando no bairro de Petrópolis, na Zona Sul de Manaus, há mais de 50 anos, o aposentado José Farias, 70, é uma dessas pessoas que se levantam cedo aos domingos para ir à igreja e agradecer pelo sucesso da operação nos olhos. Ele aproveita para conversar com amigos de infância e vizinhos.

“É um hábito que eu tenho desde criança, quando meus pais me acostumaram a madrugar para ir à escola”, explicou. O mesmo costume de almoçar em família também é mantido por aqueles que ocupam cargos de grande responsabilidade na sociedade se reúnem, também, para passar bons momentos familiares.

“Eu reúno meus filhos, netos e noras para discutir problemas e falar de coisas boas. Eu mesmo visto os trajes de cozinheiro e vou à cozinha para fazer o almoço para todos”, conta o médico Euler Ribeiro, que disse também ser um amante da comida regional. Ele procura fazer pratos que agradam toda a família.

“Cozinho o que eles querem, é um momento de descontração. Faço peixe, carne, massas, picadinho de tambaqui, aruanã e o caldo engrossado de acari-bodó”, revelou ele.

Outro amante da comida regional é o secretário municipal de Meio Ambiente, Marcelo Dutra, que vai para cozinha “pilotar” o fogão e fazer comidas regionais aos domingos.

“Costumo almoçar com a família em casa e convido cunhados, as crianças, pais e preparo pratos como peixe e churrasco”, disse.

Mas, devido a obrigações, nem todos podem passar momentos de descontração e desfrutar da comida feita em casa, como é o caso do evangelizador Adjalma Nogueira, 49, que, há oito anos, se dedica aos trabalhos missionários da igreja Batista da Grande Circular, Zona Leste.

“Depois dos estudos bíblicos, eu e minha esposa saímos pelas ruas e becos do bairro Tancredo Neves, na Zona Leste, para evangelizar as famílias. Você vê de tudo, mas, para nós é uma atividade que ajuda a crescer como pessoa”, disse.

Heranças culturais
De acordo com o sociólogo da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Arnóbio Bezerra, os hábitos dos manauenses, nos fins de semana, ainda estão relacionados à alimentação, talvez, disse ele, pela influência nordestina e até pela herança deixada pelos portugueses. “Antes, muitas pessoas tinham o costume de ir ao Mercado Municipal Adolpho Lisboa, onde compravam alimentação fresca. Hoje, esse panorama mudou com a chegada dos grandes supermercados à cidade e por conta da chegada de pessoas de outras regiões, que transformou também, os costumes de domingo”, ressaltou o sociólogo.

Para o professor, a força da socialização que as feiras em Manaus tinham, era mais forte do que podem ter os shoppings hoje em dia. “A feira não era apenas o lugar de encontro de pessoas, moradores de um bairro, por exemplo, era a socialização, identificação e satisfação dos frequentadores. Hoje, temos a feira no bairro Aparecida, que também passa por transformações”, disse.

Ainda segundo o sociólogo, a modernidade aproximou as pessoas do consumo, mas afastou-as umas das outras. “Hoje, a mercadoria é o mais importante. Estamos juntos geograficamente, mas, ao mesmo tempo, estamos afastados, como se cada um estivesse no seu mundo particular. Então, a família acaba se tornando o último refúgio de uma sociedade em transformação”, concluiu.