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Haitianos em Manaus são personagens do curta "Filhos do Haiti"

Curtas-metragens amazonenses têm o maior número de indicados no Amazonas Film Festival, com destaque para a produção de Ari Santos que dirigiu “Filhos do Haiti” 02/11/2012 às 12:39
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Curta metragem sobre a vinda dos haitianos para Manaus
Rosiel Mendonça Manaus (AM)

Nem sempre a fórmula “câmera na mão e uma ideia na cabeça” resolve as inquietações dos produtores audiovisuais que atuam por conta própria. Para produzir um curta-metragem, por exemplo, os diretores se deparam com inúmeras dificuldades, que vão desde a disponibilidade de equipamentos até o conhecimento necessário no processo de finalização da obra.

Para muitos, no entanto, o reconhecimento vem quando a produção é selecionada para uma mostra ou festival de cinema. Capitaneado pela Secretaria de Cultura, o Amazonas Film Festival (AFF) é um desses palcos em que o talento dos videomakers amazonenses pode brilhar. Na edição do AFF deste ano, a categoria Curta-metragem Amazonas, dividida em ficção de documentário, é a que tem o maior número indicados - 15 ao todo.

O produtor audiovisual Ari Santos já vai para a sua segunda participação no Amazonas Film Festival. Em 2008, ele participou do evento com o documentário “Set amazônico” e desta vez vai concorrer com o curta-metragem documental “Filhos do Haiti”. “Por mais simples que sejam, os curtas amazonenses que estão no festival já são vencedores, porque driblaram as dificuldades e conseguiram o reconhecimento dos curadores”, declarou.

A ideia

Em pouco mais de 15 minutos, “Filhos do Haiti” registra a chegada dos primeiros haitianos a Manaus, no primeiro semestre de 2011, e a acolhida que receberam pela Igreja Católica, especialmente na Paróquia de São Geraldo, na zona centro-sul da cidade. O documentário já foi exibido na Mostra Amazônica do Filme Etnográfico de 2011 e no 4º Festival Etnográfico do Recife, no mês passado.

“Segundo a Selda Vale, fomos os primeiros a fazer esse registro”, comentou Ari Santos, que também tem no currículo o documentário “Nômades Urbanos” (2007), sobre os hippies de Manaus. Para tirar “Filhos do Haiti” do papel, ele trabalhou em parceria com os produtores Daniel Barbosa e Darwin Porto. De acordo com Santos, a ideia para o documentário surgiu da percepção de que a presença de refugiados haitianos em Manaus estava crescendo. “Queríamos conhecer de perto a história deles, mas também houve o fator curiosidade, que nos impeliu a entrar em contato uma cultura diferente”.


Percalços

Ari Santos contou que a primeira dificuldade na produção de “Filhos do Haiti” foi como chegar até os personagens principais. “Eles não gostam de dar entrevistas, por isso precisávamos de um ponto de partida. Procuramos os padres da paróquia e, depois de mostrarmos que o trabalho era sério, eles ajudaram a intermediar o contato”, disse.

A comunicação também poderia ser um empecilho, mas os três personagens que os diretores encontraram para dar voz à saga dos haitianos em Manaus já tinham domínio do português. “Tivemos alguma dificuldade nas filmagens, já que nem tudo que planejamos dá certo. Chegamos a alugar uma câmera de última hora para fazer as gravações”, complementou Ari Santos.

Para ele, toda experiência vale a pena quando o trabalho ganha as telas e o reconhecimento do público. “É um sentimento de realização. Quando se consegue passar a mensagem, já vale todo o esforço”.

Orçamento apertado

Os recursos para concretizar os projetos também podem ser um obstáculo para os produtores audiovisuais. Foi o caso do curta de ficção “Terra dos meninos pelados”, que tem a direção e o roteiro assinados por Izis Negreiros e foi premiado pelo Programa de Apoio às Artes (PROART) em 2010.

Em 19 minutos, “Terra dos meninos pelados” conta a história de Benito, um maueense que se muda para São Paulo e acaba se esquecendo de como era a vida no interior do Amazonas. Em um diálogo travado com um menino de rua, Benito confronta realidades e percebe que precisa recuperar antigos valores.

A produção foi orçada em R$ 60 mil, mas mesmo contando com apoios e patrocínios, a diretora Izis Negreiros precisou cobrir algumas despesas tirando recursos do próprio bolso. “Conseguimos fazer muito com muito pouco”, contou a produtora, que considera este como o seu melhor trabalho.