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História musical: 'Helgos' foi talvez a única banda a trazer o rock progressivo

Helgos apostou no místico e virtuoso. Desafiando paradigmas com suas composições longas e elaboradas 20/08/2012 às 11:16
Show 1
Banda Helgos e seu rock psicodélico
Virgilio Simões Manaus (AM)

Qual banda de Manaus investiu no rock progressivo, a despeito da tradição local? Qual preferiu executar as longas composições experimentais, misto de rock, jazz e música erudita, que caracterizam o gênero? Provavelmente nenhuma! A não ser a Helgos. Washington Luiz (vocal), Voulner Odessa (bateria), Fábio Souza, José Renato e André Gomes (baixo), Júlio Salinas, André Festrati, Herbert Sá e Everson Martins (guitarra), Markito D‘La Mancha e Aquiles Ventilari (teclados) são nomes que compuseram, ao longo de mais de duas décadas, a família Helgos.

Um encontro de duendes

A banda Helgos foi formada no início dos anos 1990, nos corredores da escola de música Escala, que à época funcionava no prédio do Bancrevea Clube, na Getúlio Vargas. Era lá que se reunia um grupo de jovens animados em executar as músicas de Pink Floyd, Emerson Lake & Palmer, Marillion e outros grupos consagrados.

O desafio era grande: eram músicas que exigem apuro técnico e aparelhagem de alta qualidade. Alguns já vinham de outras bandas, como a Êxtase e a Trapos, que tocavam um rock mais convencional. Tentaram alguns títulos, sem sucesso, para a nova banda que estavam criando. Voulner conta que foi quando alguém surgiu nos ensaios portando um chaveiro de Helgo, o duende da sorte, que eles encontraram o nome certo.


“Precisávamos de um amuleto, então todos nos tornamos helgos”, lembra. O primeiro show da banda foi no Centro de Artes Hahnemann Bacelar, da Ufam, no projeto “Rock&Vídeo”.

Os helgos precisaram roubar a aparelhagem da Escala para não faltar à sua própria estreia. Ganharam uma bronca do proprietário quando devolveram os instrumentos no dia seguinte, mas a escola de música virou espaço regular para os ensaios.

Veredas

Banda e repertório definidos, faltava aos helgos desbravar espaços para tocar. Washington comenta: “Na época, só havia bar de MPB na cidade. E os nossos shows exigiam toda uma estrutura, de som e iluminação. Além disso, não tocávamos música pop. Levávamos Pink Floyd, mas nunca tocamos ‘The wall’”. Eles se apresentavam principalmente em bares alternativos, como o Shikasta e o antigo Bip Top Batidas, do casal Jonas e Marília.


Aquiles comenta o primeiro show no Shikasta: “Eu acabara de entrar no grupo, e quando cheguei vi a casa lotada. Nunca toquei pra público pequeno com a Helgos”. Como a banda não trazia retorno financeiro a seus integrantes, quase todos tocavam paralelamente em grupos de rock-pop, MPB ou boi. Washington comenta outras dificuldades: “Tínhamos problemas para substituir alguém que saía da banda. Muita gente queria participar, mas quando entregávamos as partituras para ensaiar, acabavam desistindo. Sofremos ainda com a profusão de bandas de heavy metal da cidade. Muitas vezes, não fomos convidados para shows, porque os organizadores pensavam que éramos mais uma delas”.

Duendes pela cidade

Os maiores shows da Helgos aconteceram no Festival Universitário de Música de 1996, na Festa do Cupuaçu de Presidente Figueiredo, Festa do Guaraná de Maués, Festival de Verão do Parque 10 e Fecani, onde fizeram chamada estilo toada, antes de engatar o rock progressivo.

Eles conceberam diversos shows temáticos, com produção de Bob Medina (ex-Tariri). Os tributos que realizaram à Tropicália, Legião Urbana, Pink Floyd, Clube da Esquina, entre outros, renderam elogios de gente da música popular, erudita e até da turma do boi.

Eles também realizaram shows com participações especiais, como Alfredo Jatobá (ex-Tariri) e Adalberto Holanda (ex-Tariri e Raízes Caboclas).

A floresta dos gnomos

Os Helgos tinham planos de gravar um disco com suas composições, projeto não concretizado. Ainda assim, mantiveram por anos um estúdio próprio, no Centro, utilizado por músicos e bandas renomadas da cidade como espaço de ensaio. O último show da banda aconteceu há cinco anos, no extinto bar Tulipa Negra.