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Inesquecíveis: produção de jingles publicitários completa 85 anos no Brasil

De acordo com o publicitário Renato Bagre, 46, a intenção do jingle publicitário é fazer com que o cliente cante a marca 19/11/2017 às 05:30
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Foto: Reprodução/Internet
Mayrlla Motta Manaus (AM)

“Pipoca com sal, que sede que dá/ Eu quero ver pipoca pular/Sou louca por pipoca e guaraná”. Se você leu cantando é sinal de que o jingle do Guaraná Antarctica lançado no início dos anos 90 atingiu o objetivo da campanha publicitária da empresa: ser lembrada pelas pessoas. 

Neste mês, o jingle completa 85 anos no Brasil e certamente você já se pegou cantando músicas de comerciais nacionais e locais alguma vez.  De acordo com o publicitário Renato Bagre, 46, a intenção do jingle publicitário é fazer com que o cliente cante a marca. “Um grande jingle se insere na vida da pessoa. Uma chave melódica como o ‘Sempre Coca-Cola’ você vai lembrar realmente pra sempre. ‘Pipoca com Guaraná’ é um marco. Dá vontade de tomar guaraná e comer pipoca na hora. E é essa atitude sinestésica que só o bom jingle nos proporciona”, diz ele. 

Com 31 anos dedicados à profissão, Renato produziu diversas campanhas para empresas da capital. “Já fiz cantarem um número de drogaria e gostarem disso - ‘3 2 1 5 2 8 0 0’, certamente quem ler essa entrevista vai lembrar. Grandes jingles fazem grandes cases, embalam gerações, como o jingle da Vasp ‘Viaje bem, Viaje Vasp’. Um jingle bem elaborado é 80% da campanha”, completa o sócio da R2 Ideias. 

Para o publicitário Edson Gil Costa, 60, a propaganda musical  enriquece o trabalho do publicitário quando bem aproveitada. Ele cita que um dos maiores especialistas da área, David Ogilvy, preferia utilizar os spots ao invés de jingles.  

“É possível muitas vezes você repetir, de forma cantada, a mesma palavra inúmeras vezes. E quase sempre se faz isso com o nome do produto ou serviço que a mensagem quer vender. A melodia quando bem trabalhada pode ‘dar o tom da campanha’. É mais ou menos como trilha sonora em um filme. Muitas vezes, a cena emociona muito mais pela trilha do que pela encenação dos atores”, opina o superintendente da Oana Publicidade, agência com mais de 47 anos de atuação no mercado. 

O mais lembrado
Perguntamos aos publicitários qual o jingle mais marcante que a cidade já teve e os dois foram unânimes: “Manaus Meu Ciúme”, de autoria de Edmar Costa, por volta de 1994. A letra dizia assim: “O coração falou mais alto/ E foi um toque de emoção/ Que mexeu com sua vida/ Que mudou sua feição/ Mudou seu corpo, seu astral o seu perfume/ Manaus agora é o meu ciúme/ Manaus agora é o meu ciúme”. 

“A campanha tinha o objetivo de criar no manauara um sentimento de amor à cidade, pelas notáveis transformações urbanas pelas quais a cidade passava à época”, disse Edson, o atual presidente Associação Brasileira de Agências de Publicidade (Abap/AM). “Esse jingle foi finalista do Festival de Nova Iorque, provando que ideia boa não tem geografia, e o que se avalia mesmo é o conceito”, completou Renato Bagre. 

Produção
Bagre já conquistou quatro vezes o Festival da Canção de Itacoatiara (Fecani). Por esse motivo, ele pensa em jingles o tempo todo, pois pensa música.  “Quando penso jingle, eu penso voz, penso arranjo, penso um instrumento marcante. Quero que o jingle fique na cabeça e uma boa produção ajuda e muito uma grande ideia”.

Ele comenta ainda que, muitas das vezes, o jingle chega para ele completo. “Fiz um para fraldas envolvendo bichinhos que chegou todo e eu estava lavando louça. Isso é a parte de criação”, finaliza.