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Jornalista lança nova edição de romance indígena

Regina Melo Jornalista, que esta semana lança nova edição de seu romance “Ykamiabas”, fala sobre o mítico e o real nas origens da obra 07/08/2012 às 08:22
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Nova edição de "Ykamiabas" tem cunho popular, destaca Regina
Virgílio Simões ---

A jornalista Regina Melo está lançando a segunda edição de seu romance “Ykamiabas: Filhas da Lua, mulheres da Terra”, pela Editora Nelpa. A trama foca o mito das mulheres guerreiras que renderam o nome da região Amazônica. Fruto de uma longa pesquisa, o livro analisa desde as origens europeias da palavra, até as evidências da existência da tribo de lutadoras nas márgens do rio Nhamundá. Regina conversou com a reportagem sobre sua obra e a batalha que é publicar literatura histórica no Amazonas.

Como nasceu o livro?
Há tempos, algumas ideias já vinham mexendo em minha cabeça, despertando minha curiosidade. O livro “As Amazonas – Tribo das Mulheres- Guerreiras”, de Fernando Sampaio, foi um dos trabalhos que me chamaram a atenção. Possui muitas referências ao ciclo mitológico das Ykamiabas e das tribos vizinhas, aos anseios das cunhãs. Sempre me preocupei com a relação que nós, do Estado do Amazonas, temos com as coisas da região. Possuímos pouco conhecimento, pouca informação, a maioria vem de fora, vem dos viajantes, e quase sempre produzido por homens. Essas preocupações passavam pela minha cabeça.
E como começou a produção do material?
Conversei a respeito com o padre Casimiro Beksta, e ele me indicou os caminhos para começar a pesquisar. Há muito preconceito, e a palavra Ykamiaba adquiriu sentidos pejorativos com o tempo. Outro nome atribuído à tribo é Cunhã-Teco-Ima, que significa mulheres que vivem lonje dos homens, longe das leis ou “mulheres doidas”.
A pesquisa foi longa?
Foram 12 anos de pesquisa, desde 1992. Fiz uma verdadeira colcha de retalhos, recriando o mito a partir dos registros escritos e das lendas orais. Na minha história, eu misturo mitologia com elementos reais, e também muita poesia. Ela traz informações da mitologia do Alto Rio Negro, referências ao mito do Jurupari e de Naruna, a rainha das Amazonas. É uma história que remonta a um período de mais de 12 mil anos. Faço um estudo das migrações, as miracemas pelas quais elas (as Ykamiabas) passaram.
Pode comentar um pouco dessa história?
Houve um momento específico quando elas se rebelaram contra as leis de Jurupari, achavam- nas injustas. Foi quando migraram, descendo o rio, até a região do Nhamundá. Elas passaram a habitar uma serra, chamada de monte Ykamiaba. Isso faz parte da história da nossa colonização. Utilizei muito material bibliográfico, procurei decodificar e gerar nova compreensão sobre as passagens nas quais os relatos se cruzam. Aqui entra também a história do monte Yaci-Taperê, ou serra da Lua, e a lenda do lago Yaci-Uaruá, ou lago-do-espelho-da-lua. Existe uma relação muito forte entre a lenda e a fase da Lua nova. Uma representatividade com relação à colheita. Nesse período, as mulheres mergulhavam no lago e retiravam dele os muyrakytãs, e com eles se preparavam para serem fortes na luta. Também presenteavam com muyrakitãs seus visitadores, geralmente da tribo Guacará.
E o enredo do livro?
Eu tenho uma personagem, chamada Yara. Ela é uma jovem estudante de História, e recebe misteriosamente um muyrakytã, que foi encaminhado da Turquia para o Brasil. Ela recebe a indicação da importância de seu destino, e que deve procurar no mito as respostas que procura. Ela é uma filha de Nhamundá. O resto da história, é um mistério que o leitor precisa desvendar. Cabe a ele decidir se as Ykamiabas existiram ou não. Muitos escritores tendem a dizer que eram, na verdade, homens com tórax avantajados, que foram confundidos com mulheres. Outras pesquisas levam para caminhos diferentes. Eu não quis dar uma resposta definitiva no livro.
 O que muda na nova edição de “Ykamiabas”?
Em 2004, eu ganhei o patrocínio da Petrobras e editei o livro pela Travessia. Foi uma edição muito bonita, porém cara. Essa segunda edição é resultado do edital do Banco da Amazônia, e uma publicação mais barata. O livro custará R$ 20, e acompanhará o brinde de um muyrakytã, no lançamento. É o primeiro de uma trilogia, e trata do mito da mãe Terra. O segundo volume chama-se “Oceano primeiro: Mar de leite, rio da criação”, e fala dos continentes perdidos de Atlântida e Lemúria. O terceiro, a ser publicado, será “Mitologia dos elementos”, e trará o mito da Fênix.

Perfil
Regina Melo Nasceu em Manaus e graduou-se em Jornalismo pela Ufam. Membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), participou do grupo musical Tariri, e publicou os livros de poesia “Pariência”, “Estação do Nada” e “O Poema”. Foi premiada em festivais de música em Manaus e São Paulo, e compôs a ópera inédita “As Amazonas”, com Adalberto Holanda.

Serviço
O que é: Lançamento da nova edição do livro “Ykamiabas – Filhas da Lua, mulheres da Terra” Onde: Museu Etnográfico Crisantho Jobim, Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas, rua Bernardo Ramos, 117, Centro
Quando: Sábado, Dia 11, às 10h
Quanto: Aberto ao público