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Jovem amazonense dá os primeiros passos na literatura

Com o apoio da mãe, Alícia Morais de apenas 15 anos investe seu talento em músicas e poesias 03/11/2012 às 12:22
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Sentimentos viram versos pelas mãos de Alícia
rosiel mendonça ---

Aos quinze anos de idade, a jovem Alícia Morais já tem poema e música registrados em seu nome. Ela foi uma das vencedoras do 2º Concurso “Manaus & Poesia”, realizado no ano passado pela Academia Amazonense de Letras (AAL) como parte das comemorações do aniversário de 342 anos de Manaus.

O poema de Alícia, “Manaus meu amor”, concorreu com outros 91 e passou pelo crivo de uma comissão de intelectuais que o colocaram primeiramente entre os 15 finalistas. Além de uma placa de honra ao mérito e uma publicação na revista da AAL, o poema garantiu a Alícia um prêmio de R$ 3 mil, que ela gastou sem pudores em sessões de cinema com as amigas e em presentes para os primos.

“Fiquei sabendo do concurso pela Internet e minha família me deu o maior apoio. Para escrever, fui estudar a Manaus antiga, pesquisar como a cidade era”, contou a poeta, fã de Os Lusíadas, livro que já devorou duas vezes.

Uma das grandes incentivadoras de Alícia é a sua mãe, a administradora Cleysmisse Morais. “Sempre incentivei o gosto dela pela leitura, para não ficar bitolada só ao que a escola passa. É o que eu digo: tem que ler pra se ilustrar. Se você quiser ser uma pensadora, tem que buscar ideias”, declarou.

De mãe para filha

O interesse de Alícia pela poesia é relativamente recente, mas ganhou um impulso a partir do concurso da Academia de Letras, tanto que ela pretende concorrer novamente na edição deste ano. A escola é outro ambiente importante em que ela entra em contato com os versos. “Meus professores recitando são a coisa mais linda. O professor Calheiros, do cursinho pré-vestibular, encarna a poesia de tal forma que você acaba se envolvendo”, justificou.

Uma coisa não dá para negar: a transição da infância para a adolescência tem mexido com as emoções de Alícia. “Um dia desses ela chegou pra mim e disse: ‘mãe, quando a gente começa a ficar adolescente, também vai se tornando mais romântica, pensativa’... E acredito que a poesia é uma forma que ela encontrou para expor esses sentimentos”, revelou Cleysmisse Morais.

Pode-se dizer que  a genética contribuiu um pouco. Na adolescência, Cleysmisse também costumava rabiscar seus versos. “Eu tinha um caderno onde escrevia poesias. Pegava uns livros da minha mãe, fazia paródias de poemas, mas com as mudanças a gente acaba deixando essas coisas de lado. Mas quero acreditar que ela vai levar isso adiante, que não é  apenas uma empolgação”, disse.

ENCONTRO COM TUFIC

Segundo Alícia Morais, “Manaus meu amor” foi todo pensado com base nas noções de métrica que aprendeu nas aulas de literatura. Além disso, ela demonstra ser alguém que não escreve por escrever, mas procura refletir sobre o que põe no papel.

Alícia tem uma ideia formada para explicar cada verso do poema premiado. “Oh! Pátria d'água” e “cidade sorriso”, por exemplo, fazem alusão a poemas de Jorge Tufic e Áureo Nonato. O primeiro, ela tirou de um livro que o próprio Tufic deu a ela durante um encontro inesperado em Fortaleza.