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Jovens e empresários

Juventude não é obstáculo para quem deseja se lançar na vida empresarial, mas é preciso ter cuidado e disposição para superar a desconfiança do mercado e falta de experiência 24/02/2013 às 14:23
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Aos 28 anos, João Augusto já é dono de sua própria empresa e começa a se destacar no mercado
Auriane Carvalho Manaus (AM)

Estudo da Ilumeo – empresa de pesquisas de mercado – aponta que 40% dos jovens que estudam ou trabalham com tecnologia querem abrir um negócio próprio nos próximos anos. Em outras áreas, esse índice pode ser menor, mas não resta dúvida que o ímpeto do empreendedorismo é marcante na faixa etária até 30 anos. O consultor em gestão de pessoas, Eduardo Ferraz, destaca, no entanto, que, mesmo com tanta disposição, bem poucos terão sucesso na iniciativa.

O especialista enfatiza os principais obstáculos na vida dos jovens empresários de primeira viagem: falta de investimento inicial, falta de capacitação técnica e falta de conhecimento sobre administração e mercado. Em Manaus, jovens empreendedores conhecem bem esses percalços, e dão a receita para superá-los.

O arquiteto João Augusto Pinheiro, 28 anos, estudou o mercado, buscou diferenciais, investiu em capacitação e abriu seu próprio negócio, a J. Augusto Arquitetura & Construção. A empresa já tem projetos de porte no portfólio e começa a se destacar no concorrido mercado local.

Antes de se lançar na aventura empreendedora, o arquiteto se preparou: ampliou sua visão profissional na Universidade de Coimbra, em Portugal; de volta a Manaus, trabalhou em escritórios de arquitetos renomados. “Isso me possibilitou um aparato técnico e percepção de diversas fases e organização de um escritório consolidado”, conta.

Segundo Eduardo Ferraz, preparação e planejamento são passos fundamentais muitas vezes menosprezados pelos jovens. “Qual a real necessidade financeira? Como vender o produto? Fazer uma análise detalhada de mercado e saber em quanto tempo começará a dar lucro também são pontos importantes. Com isso em mãos fica mais fácil atrair sócios ou investidores”, orienta.

Executivos precoces, resultados expressivos

Para o empresário Beto Pontes, 31, especialista em Gestão de Pessoas e administrador da rede de salões Amanda Beauty Center, a pouca idade não foi um fator negativo para conquistar o crescimento profissional. Muito jovem e filho único, Pontes assumiu a gestão de um salão de beleza aos 23 anos, após a morte de sua mãe, em 2005. Na época, Pontes concluía o curso de Administração e aceitou o desafio de dar continuidade ao negócio da família.

Apesar da pouca experiência de gestão, Pontes conseguiu ampliar o número de lojas em oito anos, passando a adquirir três unidades em centros comerciais de Manaus e está na expectativa de inaugurar o quarto empreendimento neste semestre, no Shopping Ponta Negra.

“Embora tenha participado do funcionamento do salão e ter ajudado minha mãe na administração, tive que aprender muitas coisas novas. Fazer cursos. Conhecer novos empreendimentos. Participar de feiras do segmento para obter todo conhecimento necessário. E, claro, o sucesso veio com o tempo”, revela, ao destacar que o jovem precisa acreditar no que faz e ter perseverança.


Esta é a mesma receita seguida pelo engenheiro Frededico Amim, sócio da Jetcasa Pintura. Ele conta que, para adquirir um pouco mais de know-how, chegou a trabalhar por ano em uma empresa privada, adquirindo experiência e conhecimento. “Passei um ano trabalhando. Depois pedi para sair e montar meu próprio negócio. Tive muitas dificuldades, mas foram e são superadas gradativamente”. Apesar da empresa ainda ser nova, já obteve muitas conquistas.

Tem que ter perfil certo

O consultor Eduardo Ferraz saliente que os candidatos a empresários precisam avaliar se têm perfil para isso antes de iniciar o projeto. “Ele precisa ser determinado, saber comandar, conseguir trabalhar sob pressão, ter alta tolerância à frustração e não ter medo de arriscar. O histórico de vida dará claras indicações se o jovem tem estas atribuições”, diz.

Caso o jovem não tenha uma ou mais dessas qualidades, ainda poderá empreender, mas é altamente aconselhável encontrar um sócio com as características que lhe faltam. Além disso, deverá estudar para aperfeiçoar suas próprias qualificações.

Os programas do Sebrae, em todo o Brasil costumam ser muito úteis para empreendedores iniciantes. A Fundação Getúlio Vargas também conta com cursos livres desenhados para essa finalidade.