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Entretenimento
Rainha do Rádio

Kátia Maria fala sobre vida e carreira

Referência na música amazonense, a "rainha do rádio", como é conhecida, conta algumas curiosidades de sua trajetória artística 11/09/2012 às 17:43
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"Costumo dizer que a música não me deu bens materiais, mas me fez viver com dignidade" - Kátia Maria
Rafael Seixas Manaus, AM

Cleonice Galvão do Nascimento, mais conhecida pelo nome artístico de Kátia Maria, é referência no Estado quando o assunto é música.

Prestes a subir no palco do Teatro Amazonas, no show “Sonho do Artista”, de Roberto Makassa, a cantora, com 54 anos de carreira, conta algumas curiosidades da sua trajetória artística, a qual lhe rendeu o “título carinhoso” de rainha do rádio amazonense.

Ano passado, Kátia sofreu um acidente vascular cerebral (AVC) hemorrágico que quase lhe levou “dessa para melhor”, como a própria gosta de dizer, porém isso não lhe fez perder uma de suas principais qualidades: o bom humor.

“Fiquei sem saber ler e escrever. Não me lembrava de nada! Esqueci até os nomes dos meus filhos (risos). Só quatro nomes que não esqueci: Flamengo (time de futebol), Gilson, Reldson e Lucilene Castro”, disse.

“Voltei a cantar de onde parei. Parei no Carnaval e voltei a cantar no Carnaval (deste ano)”, complementou a artista de 72 anos de idade. Dançarina Apesar de muitos pensarem que começou sua carreira como cantora de rádio, Kátia, na verdade, explica que iniciou na dança.

 Ela e a irmã (Cleide), uma com 16 e outra com 14 anos de idade, se apresentavam em shows particulares sob o nome de Irmãs Galvão.

“Fizemos diversos shows até em outros Estados, como Acre e Rondônia. O meu pai (Manoel Galvão) sabia que dançávamos, só não sabia os trajes (risos). Por exemplo, em Porto Velho, a gente tinha que vestir nossas roupas do show e se apresentar para o juiz de menores da cidade. Depois que ele autorizava, a gente trocava nossas roupas. Foi muito divertida essa época!”, relembra.

Cantar

Cleide não continuou na carreira artística e, embora tivessem conquistado um relativo sucesso com a dupla, Kátia estava predestinada a cantar. Mas, para isso, teria que vencer o preconceito de seu pai, que acreditava que ser artista, cantora, não era algo de respeito para uma moça nos anos 50.

“Meu pai não queria que eu cantasse e um amigo meu, o Walter Freitas, me colocou esse nome de Kátia Maria. Quando comecei a me apresentar na rádio Difusora, eu dizia para o meu pai que ia para a missa, mas ia era cantar. Na minha casa não tinha rádio, só na casa dos vizinhos mesmo. Quando comecei a ser escolhida para cantar nos bairros, minha mãe (Francisca Nogueira do Nascimento) teve que contar. Lembro que o meu pai foi comigo num show no Boulevard Amazonas, aí ele assistiu, acho lindo e parou de pensar aquilo. Minha profissão é cantora”.

Ídolo

A grande inspiração da amazonense foi o cantor Orlando Silva (1915-1978). Ainda criança, a pequena Cleonice aprendeu a cantar “Rosa de maio” (de Orlando), ao escutá-la deitada na rede de sua casa, antes das exibições dos filmes no Cine Eden.

E essa é justamente a canção que mais gosta de interpretar até hoje. “De uns anos para cá tem sido ‘Rosa de maio’, a canto e me transporto para aquela rede, quando estava aprendendo a cantá-la”.

Música

Nesses 54 anos de carreira, Kátia Maria ganhou vários prêmios e homenagens. Sua interpretação, sempre emocionante e envolvente, se deve ao fato de só cantar aquilo que mexa com seus sentimentos.

“Costumo dizer que a música não me deu bens materiais, mas me fez viver com dignidade”. O cineasta Roberto Roger está produzindo um filme sobre a carreira de Kátia Maria. A produção foi aprovada no Programa de Apoio às Artes (Proarte).