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Leishmaniose Visceral Canina: novo medicamento é aprovado no Brasil

Tratamento legalizado pelo Ministério da Agricultura pode dar fim ao sacrifício indiscriminado de cães no Brasil 12/02/2017 às 15:25
Show leishimaniose
Doença usa o cachorro como hospedeiro, mas é transmitida aos seres humanos somente pelo mosquito palha
Natália Caplan Manaus

Quando recebeu a notícia de que Tayson estava com Leishmaniose Visceral Canina, em 2012, e deveria ser sacrificado, Juliana Silva se recusou a desistir do amigo vira-lata. A “morte assistida” sempre foi recomendada por especialistas, diante da falta de um tratamento comprovadamente seguro e eficaz. Isso, até ano passado. Desenvolvido pelo laboratório farmacêutico Virbacpara, o medicamento Milteforan acaba chegar ao mercado.

“Eu não aceitei a recomendação. Ele tem oito anos e faz tratamento até hoje. A única sequela é que uma das orelhas tem uma feridinha, que às vezes inflama; e tem dermatite em alguns períodos do ano. Fora isso, vive muito bem”, afirma a bancária.

Segundo a veterinária Larissa Mainardes Benetolo, antes da aprovação desse produto, animais diagnosticados com a doença deveriam ser obrigatoriamente submetidos à eutanásia. “Por esse motivo, pesquisas epidemiológicas para obter dados como o índice de mortalidade ainda não existe. A partir de agora, poderão ser realizadas”, informa.

De acordo com ela, um dos sintomas mais comuns é alterações na pele. Por ser uma doença sistêmica, pode também envolver qualquer órgão, tecido ou fluído corporal. O ideal é o dono procurar um especialista imediatamente. Porém, a Leishmaniose é difícil de diagnosticar.

“Geralmente, os cães têm alterações na pele, podem apresentar aumento de gânglios linfáticos, perda de peso progressiva, atrofia muscular, lesões oculares, entre outros. Pode ser confundida com outras doenças e requer diagnóstico específico”, afirma, ao citar os exames necessários. “Deve haver uma triagem sorológica, confirmada por avaliação clínica correta e exames específicos”, explica a veterinária.

Pontos

- No Brasil, apenas o tratamento com o medicamento Milteforan é legalizado no mercado, com selo do Ministério da Agricultura.

- A leishmaniose já foi detectada em, pelo menos, 12 países da América Latina, sendo que 90% dos casos ocorrem no Brasil. 

- A leishmaniose é transmitida para cães e humanos pela picada do “mosquito-palha” infectado. O cachorro é apenas um hospedeiro, da doença e não é o culpado pela transmissão.