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Harley Davidson

Lendária marca de moto quer atrair novos consumidores

Harley Davidson promete produto inovador sem deixar tradição , segredo que conquista consumidores em todo o mundo 31/03/2012 às 10:23
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Montadora investe em vídeos onde aparecem jovens e mulheres pilotando pelas ruas dos Estados Unidos
Rodrigo Araújo Manaus

 “Nos próximos três anos, a Harley-Davidson deixará de ser ‘a marca da moto do papai’”. A frase enigmática é do “todo poderoso” da montadora americana, o chairman, presidente e CEO da Harley-Davidson Inc., Keith Wandell. Durante a coletiva de imprensa organizada antes da inauguração da nova fábrica em Manaus, na última segunda-feira, o executivo deixou essa curiosidade no ar: o que será que a Harley-Davidson está preparando para o futuro?

Keith Wandell pouco adiantou sobre o assunto. Na verdade, a única deixa do executivo foi que a montadora traçou um plano para os próximos três anos com o objetivo de conquistar novos consumidores para a marca.

 “Vamos entrar em novos segmentos, como o feminino e o jovem. Nosso objetivo é fazer um produto inovador”, informou o CEO, tranqüilizando, logo a seguir, os fãs mais ardorosos da Harley. “Um produto inovador, mas mantendo a tradição de mais de 100 anos de atividade da Harley-Davidson”.

 O fato é que a montadora vem “ensaiando” essa incursão em novos mercados há alguns anos. Isto é visível nos vídeos publicitários da marca, principalmente, das motos da família Sportster 883 (confira um dos vídeos acessando o BeeTag desta página), onde aparecem jovens e mulheres pilotando pelas ruas dos Estados Unidos.

 Jovens

De acordo com o diretor-superintendente comercial da marca, Longino Morawsk, um dos modelos mais apreciados pelos novos amantes da Harley é a V-Rod. Com design estiloso, arrojado e moderno, a moto ainda conta com o motor Revolution, desenvolvido em parceria com a montadora alemã de automóveis esportivos Porsche.

 “Esse modelo vem sendo bastante procurado pelo cliente jovem, que gosta de motos esportivas, mas que sonha em ter uma Harley-Davidson. Geralmente, quem gosta das motos de modelo esportivo, não aprecia os modelos Custom, que são a marca registrada da Harley. Então a família V-Rod está, justamente, conquistando este consumidor”, comentou Longino. Diante da “falta de pistas” do staff da montadora, só nos resta especular que a Harley-Davidson deve investir, nos próximos anos, em uma linha mais leve e suave, destinada às mulheres, e numa linha mais arrojada e de design agressivo, para atender os novos jovens consumidores.

Para acalmar os ânimos dos mais puristas, vale repetir as palavras do CEO Keith Wandell: “Nosso objetivo é fazer um produto inovador, mas mantendo a tradição de mais de 100 anos de atividade da Harley-Davidson”.

A história de uma ‘lenda americana’

Diz a lenda que tudo começou em 1901, quando um “motor bicycle”, um dos primeiros veículos de duas rodas movido a gasolina, foi demonstrado na Winsconsin Avenue, nos Estados Unidos. Não se têm registros se William S. Harley ou se os irmãos Arthur e Walter Davidson estiveram nesta exibição, mas foi depois deste episódio que os três amigos começaram a trabalhar no projeto de sua própria motocicleta, concluído dois anos mais tarde, em 1903.

Assim nasceu a Harley-Davidson, que no mesmo ano construiu e vendeu mais dois modelos similares ao primeiro. Em 1907, William A. Davidson, irmão de Arthur e Walter Davidson, se juntou à companhia. Em 1909, a empresa lançou seu primeiro motor V-Twin, criado para aumentar a potência das motocicletas.

Em menos de 10 anos, William S. Harley e os irmãos Davidson transformaram uma ideia em uma companhia que produzia mais de 5.000 motocicletas por ano e já tinha conquistado a confiança dos consumidores americanos.

 Maior fabricante

 Na década seguinte, a marca torna-se a maior fabricante de motocicletas do mundo, com mais de duas mil concessionárias em 67 países, além do acordo fechado com o Exército dos Estados Unidos, em razão da Primeira Guerra Mundial. Essa parceria se expandiu para as forças armadas de outros países na Segunda Guerra Mundial. Foram produzidos mais de 70 mil modelos militares.

O pós-guerra foi um período de prosperidade e produtividade para a Harley-Davidson, com o lançamento de produtos-chave e a conquista de novos consumidores, principalmente milhares de veteranos de guerra, que tiveram a experiência de pilotar uma Harley-Davidson enquanto serviam.

No final dos anos 60, após oferta pública de ações, a Harley-Davidson foi adquirida pela American Machine and Foundry Co., também conhecida como AMF. Sob o novo comando, a empresa enfrentou a forte concorrência de fabricantes estrangeiros na década de 70.

 Manaus

Em 1976, com o fechamento das importações no Brasil, a AMF decidiu montar motos em Manaus e se associou à MOTOV. A operação durou apenas dois anos. Em 1981, um grupo de investidores, liderados por Vaughn Beals e Willie G. Davidson, comprou a empresa da AMF por US$ 80 milhões .

 Um dos mais ousados projetos de engenharia e estilo na história da marca veio em 2002, com o lançamento da VRSC V- Rod, com o novo motor Revolution, desenvolvido em parceria com a Porsche. Em 1999, a Harley-Davidson do Brasil voltou a produzir em Manaus.