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Leitura brasileiro

Levantamento indica melhora nos índices de leitura no Brasil

Pesquisa é feita pelo Instituto Pró-Livro e dá esperança de melhoria no hábito da leitura no Brasil e nos estados da região norte 31/03/2012 às 13:33
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Pesquisa mede o comportamento do leitor no País
Mellanie Hasimoto Manaus

O brasileiro lê, em média, 4 livros por ano. O número foi divulgado pelo Instituto Pró-Livro, que realiza a pesquisa “Retratos da leitura no Brasil”. No Amazonas, entretanto, essa média cai para 2,7 livros, apesar de que, para o instituto, houve uma melhora na relação entre os habitantes da Região Norte com a leitura.

“Evidentemente que os índices de livros lidos e também o total por ano - de 2,7 exemplares, bem abaixo da média nacional de 4,0 - ainda são motivos de preocupação, mas ao revelar o papel desempenhado pelas escolas nos dá a esperança de que o saudável hábito da leitura chegue a todas as pessoas de todos os Estados do Brasil”, completa Karine Pansa, presidente do Instituto Pró-Livro.

Abertura

 Para o escritor Elson Farias, os números apresentados pela pesquisa se dão por conta da inexistência de bibliotecas e livrarias. “Não só no Amazonas, mas no Brasil como um todo. Manaus tem duas bibliotecas, e uma está fechada há quanto tempo mesmo? É preciso que abram mais bibliotecas e livrarias, pois a população tem interesse - é só observar a livraria no maior shopping da cidade”, apontou.

O preço elevado dos títulos também serve como “desestimulante”, na opinião de Farias. “Compare o preço de um livro ao de um CD ou DVD. O livro ainda é muito caro, e não são esses valores que vão colocar ele na mão do povo”, disse o escritor.

 Equipamentos


 Secretaria Estadual de Educação (Seduc) informa, entretanto, que existem 515 escolas equipadas com bibliotecas no Estado. A pesquisa aponta que cada vez mais gente está usando a estrutura bibliotecária. Atualmente, empatado com o Centro-Oeste, a Região Norte é a que mais utiliza a biblioteca como equipamento cultural, com 29% - cinco pontos a mais da média brasileira - ou quatro milhões. “É importante ressaltar que as escolas têm incentivado os alunos a frequentarem esses espaços. Quanto mais frequentam, mais acabam se interessando pela leitura”, analisa a presidente do Pró-Livro.

O titular da Seduc, Gedeão Amorim, ressalta, ainda, o bom desempenho dos estudantes no Enem, na Redação. “Os alunos sempre têm uma excelente nota na Redação, a média do Amazonas é sempre maior. O estudante da rede estadual se dá bem, pois isso é um reflexo da política educacional que adotamos desde 2005, que fomenta junto aos professores a visita às bibliotecas, para que elas se tornem organismos vivos dentro das escolas”, disse Amorim.

Otimistas

 Para o advogado Júlio Antônio Lopes, que é conselheiro da Editora Amazônia, braço editorial da Rede Calderaro de Comunicação, os números mostram uma realidade otimista. “Hoje é possível visualizar um fenômeno que indica um presente não ruim e um futuro cheio de otimismo. O grande exemplo da melhoria é a RCC, que foi fundada por Umberto Calderaro Filho nos anos 40, uma época em que o índice de leitores era quase inexistente”, lembrou.

 Outros exemplos são os jornais populares, que aumentam a quantidade de leitores em todo o País, exponencialmente, além de outras formas de ter acesso às obras, como a Internet.

“A ascendência da curva é um dos motivos da criação da Editora da Amazônia, pois as perspectivas nos permitem ver o aumento na quantidade de leitores ao considerar que nunca, antes, houve tantas pessoas tendo a oportunidade de ler, escrever, pesquisar”.

Escola tem influência

A mudança no atual panorama dos leitores dos Estados que compõem a Região Norte do País começa a partir da escola. De acordo com a pesquisa, os dados revelam que do total de 1,51 livros lidos nos últimos três meses (período definido pela metodologia da pesquisa como sendo de melhor compreensão para a obtenção de respostas mais fiéis dos entrevistados), 0,88 são de obras indicadas pela escola. “Esse índice, segundo mais alto do Brasil, mostra o papel do professor como agente impulsionador da leitura”, afirma Pansa.

 A exigência escolar ou acadêmica foi indicada por 49% dos entrevistados. Quando abordado as principais formas de acesso às obras, compra foi mencionada por 46%, enquanto que os distribuídos pelo governo aparecem em segundo, com 31% - melhor índice do País.

 De acordo com a Seduc, das 546 escolas estaduais, 515 têm biblioteca. “E este número, até 2005, não passava de 300. Todas as escolas reformadas e inauguradas, atualmente, têm biblioteca. O governo tem uma política de incentivo à leitura, que é imprescindível na formação dos jovens amazonenses”, declarou o titular da Seduc, Gedeão Amorim.