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Linguista brasileiro cria teoria para ciências humanas e sociais

Teoria elaborada por Álvaro Cunha pode ser usada como ferramenta para outros estudos nas ciências humanas e sociais. 07/06/2012 às 14:53
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Livro mostra teoria de cruzamenteo entre oralidade e escrituralidade
Cassandra Castro Manaus

O que habitantes de tribos indígenas do Pará e do Amazonas do século XXI podem ter em comum com personagens bíblicos?  Apesar da distância temporal e histórica entre estes dois  universos, uma pesquisa realizada pelo lingüista e narratólogo Álvaro Cunha mostra semelhanças espantosas entre fatos narrados oralmente por comunidades indígenas e de judeus-marroquinos  de estados do norte do Brasil.

Batizada de “teoria em cruzamento para oralidade e escrituralidade”,  o “estudo ajuda não só a linguística a analisar narrativas, mas é ferramenta útil para as ciências humanas e sociais descreverem e entenderem mais a fundo a noção de cultura, hábitos fundamentais, comportamento, valores, ideias e crenças característicos duma determinada  coletividade, época ou região”, afirma o estudioso.

O trabalho de campo foi realizado entre 2004 e 2005, entre tribos indígenas dos Estados do Pará e Amazonas. Também em 2003, o lingüista pesquisou a língua dos judeus-marroquinos que vivem nos afluentes dos rios Amazonas e Tapajós.

Um exemplo deste tipo de narrativa é citado por Álvaro.  “ Tem uma narração da história  de um rabino que estava a ser humilhado por um árabe maquiavélico. Este rabino ficou em apuros e pediu a orientação de outro sábio rabino a fim de se safar da situação que culminaria na sua morte e de sua família. No final o árabe que humilhou o rabino foi morto e perdeu tudo o que tinha, ou seja, trata-se da mesma narrativa de Ester  descrita na Bíblia, mas com outro cenário.”

Segundo o pesquisador,  a teoria nasceu a partir de pesquisas em narrativas com grupos isolados que vivem na Amazônia. “Meu trabalho focalizava o cruzamento de narrativas contadas por povos que não possuem escrita com a Bíblia, mas a conclusão me surpreendeu, porque as narrativas desses povos que habitam a Amazônia batem exatamente com as narrativas bíblicas, ou seja, só buscava resposta para essa dúvida. Vi que os relatos estão apenas ‘maquiados’ por outras versões existentes noutras culturas”.

O pesquisador disse que “a teoria pode ser aproveitada noutras áreas do conhecimento como direito, psicologia, jornalismo, história, geografia, antropologia, dentre outras;  agora, o próximo passo é saber quais as verdadeiras astúcias que as narrativas orais ou escritas escondem de nós”, conclui.