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Livro que rememora episódios da ditadura no Estado do AM é lançado nesta sexta-feira (16)

Paulo Figueiredo faz balanço de prisões, cassações e outros casos ocorridos no Estado, durante regime militar, em obra lançada nesta sexta-feira (16), em Manaus 16/05/2014 às 11:28
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Paulo Figueiredo foi um dos muitos que caíram nas mãos do regime militar em 1964
JONY CLAY BORGES ---

À época um líder estudantil militante da esquerda, Paulo Figueiredo foi um dos muitos que caíram nas mãos do regime militar em 1964. Poucos dias após o golpe de 31 de março daquele ano, ele foi detido e preso em Manaus. “Fui levado à então chefatura de Polícia, na rua Marechal Deodoro, e submetido a repetidos interrogatórios”, recorda ele, que ficou confinado por três semanas.

Cinquenta anos mais tarde, o advogado e jornalista rememora este e outros episódios do período fatídico no Estado, no livro “O golpe militar no Amazonas – Crônicas e relatos”. O lançamento da obra será hoje, às 19h, no Espaço Thiago de Mello da Livraria Saraiva, com sessão de autógrafos. O evento é aberto ao público.

Em seu livro, como indica o subtítulo, Figueiredo reúne crônicas e relatos que fazem um balanço dos ocorridos nos Anos de Chumbo no Estado. Os textos, alguns já publicados pelo autor no jornal “Diário do Amazonas”, recordam cassações de parlamentares e prisões de políticos, líderes sindicais, operários, religiosos e intelectuais amazonenses. A lista traz, entre outros, nomes como o ex-prefeito, Amazonino Mendes – que assina a apresentação do livro –; o ex-deputado estadual Arlindo Porto; o padre e escritor, Luiz Ruas, integrante do Clube da Madrugada.

Houve ainda um assassinato e um desaparecimento, lembra Figueiredo: “No Amazonas não se teve tortura física, mas lá fora houve o caso de Antogildo Pascoal Viana, que dirigiu o Sindicato dos Estivadores do Estado, preso e morto no Rio de Janeiro. E um grande amigo, Thomaz Meirelles Neto, assassinado no Rio e hoje um desaparecido político. Foram os dois amazonenses mortos pela ditadura”.

Violência e absurdo

Apesar de ter escapado à violência física, o Amazonas não fugiu à violência psicológica e aos absurdos do regime. Figueiredo sofreu pressão e ameaças durante os interrogatórios na cadeia. Um assunto que sempre vinha à tona, ele recorda, era o do Comitê de Resistência do Norte, nada menos que uma ficção criada por um rapaz chamado Ernesto Pinho Filho. “Ele tirou isso da cabeça dele, publicou num manifesto e os militares depois o pegaram”, conta o escritor. “Concluíram que havia um movimento coordenado na Amazônia contra os militares”.

“O golpe militar no Amazonas” foi fruto de quatro meses de pesquisa de Figueiredo, e de conversas do autor com personagens que vivenciaram aqui o triste período da História do Brasil. O livro, diz Figueiredo, não tem “pretensão de esgotar o tema”, mas de contribuir para o conhecimento sobre o tema e estimular novas pesquisas.

“Diria que o livro é uma espécie de ‘catarse’ sobre os Anos de Chumbo no Amazonas. Achei importante transmitir esse conhecimento às novas gerações, exatamente para que esses fatos nunca se repitam”, conclui.

Serviço

O que é: Lançamento do livro “O golpe militar no Amazonas – Crônicas e relatos”, de Paulo Figueiredo

Onde: Livraria Saraiva, Manauara Shopping, avenida Mário Ypiranga Monteiro, 1.300, Adrianópolis

Quando: Neste sábado (16), às 19h

Quanto: Gratuito e aberto ao público em geral