Publicidade
Entretenimento
Memória de Cazuza

Mãe de Cazuza fala sobre legado do filho e saudade

A relação intensa de Lucinha Araújo com o filho Cazuza é relembrada por ela que fundou uma ONG em homenagem ao filho 30/12/2012 às 14:38
Show 1
Cazuza e Lucinha Araújo sempre tiveram uma ligação muito forte
Rafael Seixas Manaus

A história de Agenor de Miranda Araújo Neto, o Cazuza, é famosa, desde seu início de carreira até sua morte em decorrência da Aids, em 1990. A memória desse artista continua viva não somente por seu talento ou por suas composições atemporais, mas também pelo trabalho que sua mãe, Lucinha Araújo, desenvolve na ONG Sociedade Viva Cazuza, que dá assistência a crianças e adolescentes portadores do vírus do HIV.

“Quando meu filho morreu, eu não pensava em trabalhar com Aids, até o espetáculo ‘Faça parte  desse show’, em homenagem ao Cazuza, feito na Praça da Apoteose, no Rio de Janeiro, em 1990. Resolvemos que a bilheteria deveria ser doada para alguma instituição que trabalhasse com Aids. Naquela época, era o Hospital Gaffrée e Guinle, e assim a Viva Cazuza começou o seu trabalho, permanecendo naquele hospital por dois anos”, disse a carioca, que também já foi cantora.

“Quando resolvi me desligar do Gaffrée, pensei em montar uma casa para os pacientes que recebiam alta e não tinham para onde ir. Foi quando conheci a Casa Vida do padre Julio Lancelotti, em São Paulo, que atendia exclusivamente crianças carentes HIV positivas. Me identifiquei imediatamente com o trabalho e tomei a decisão de montar uma Casa de Apoio no Rio. A Viva Cazuza é uma tábua de salvação na minha vida”, complementou.

Música predileta

Grande poeta, as canções de Cazuza servem de inspiração para jovens até os dias atuais. Entre seus grandes sucessos estão “Codinome beija-flor”, “O tempo não para”, “Faz parte do meu show”, “Exagerado”, “Todo amor que houver nessa vida” e “O nosso amor a gente inventa”. Porém, para Lucinha, a canção favorita de seu filho é “Um trem para as estrelas” (leia a peça Trecho). “Por ter uma letra oportuna e denunciadora”, explica, revelando em seguida que o que mais deixava seu filho irritado eram “o preconceito e a miséria”.


Doença

O Brasil acompanhou de perto a saúde de Cazuza, após ele ter assumido publicamente ter sido infectado pelo vírus HIV. Aliás, ele foi o primeiro artista brasileiro a assumir publicamente ser portador do vírus e ser homossexual. Naquele tempo, ainda não se sabia muito sobre a doença e os medicamentos disponíveis tinham efeitos colaterais graves. De acordo com Lucinha, desta fase, o momento mais difícil foi quando acabou a esperança, no dia da morte de seu filho (7 de julho de 1990).

“Todos os momentos que passamos juntos desde seu nascimento até a morte foram especiais, cada um no seu jeito. Cazuza representou um brasileiro consciente e que tinha nas mãos um modo de fazer suas denúncias que eram suas canções, o que ele fez muito bem”.

 Mensagem

Lucinha acredita ter dito tudo o que queria ao seu filho, durante os seus 32 anos de existência, porém, se tivesse outra oportunidade de conversar  com ele, diria: “Não vejo a hora de encontrá-lo”.