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Sem pressa ou sem planos para ser mãe, mulheres optam por 'maternar' cães e gatos

Umas adiam a gestação, outras criam filhos com os animais e algumas optam por se dedicar somente aos pets 07/05/2016 às 19:50 - Atualizado em 09/05/2016 às 10:59
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Isabella não tem pressa de engravidar e diz cuidar de Lupita e Joaquim com amor maternal
Natália Caplan Manaus (AM)

Se existe um direito que toda mulher tem é o de optar, ou não, pela maternidade, sem pressão social. Algumas mulheres sonham com essa possibilidade desde a infância. Outras, acolhem crianças que não tiveram a chance de ter uma família, seja por escolha ou porque têm dificuldades em engravidar. Também há as que não se vêem no papel de mãe e encontram esse amor nos animais de estimação.

Ter filhos está nos planos de Isabella da Silva Farias, 25. Entretanto, a enfermeira não tem pressa de engravidar e cuida de Lupita e Joaquim com amor e dedicação maternal. De acordo com ela, que casou há menos de um ano, os dois cachorros da raça daschund são a alegria da casa e servem como uma espécie de “treinamento” antes de, enfim, decidir aumentar a parte humana da família.

“Casei em julho e sempre quis ser mãe, porém, queremos planejar bem a vinda de um filho de verdade. Enquanto isso, dou o amor que tenho aos meus filhos caninos e é um amor muito bem retribuído. Eles são assunto das minhas histórias mais inusitadas, o motivo de muitas das minhas risadas e me fazem companhia na maior parte do dia”, diz. “Eles são minhas companhias e são tratados como filhos. Cuido da saúde e dou muito carinho”, completa.

Na opinião dela, apesar de considerar o casal de quatro patas como filhos, nunca se deve comparar uma criança com um animal de estimação. Para Isabella, é preciso ter bom senso e evitar que outras mulheres se ofendam. Por outro lado, acredita que as mães também devem compreender as donas de pets, que têm um carinho especial pelos peludos e gostam de nutrir uma relação maternal com eles.

“Eu não comparo uma criança a um cachorro, tenho bom senso perante as mães. Mas acho que aquelas que se doam, podem entender como é não ter um filho, mas ter esse amor para dar a quem é frágil, dependente e amável como os animais domésticos. Quando cuido deles tenho certeza que serei uma excelente mãe para meu filho de verdade. Então, acredito que não há motivo pra complicar essa relação maternal”, declara.

Luciana decidiu não ter filhos para cuidar dos animais resgatados por ela das ruas

Preconceito e cobrança

Diferentemente de Isabella, a turismóloga e futura veterinária Luciana Medeiros Pasquali, 31, decidiu não ter filhos para cuidar dos dois gatos e quatro cachorros resgatados por ela das ruas. Além dos pais, a família dela é formada pelos cães Fofão, Meg, Maicon e Rocky — que, inclusive, está em tratamento de uma neoplasia (câncer maligno) — e os felinos Mimi e Bilu. Segundo ela, essa decisão incomoda muitas pessoas.

“Antes, eu pensava em ter filhos, hoje não está mais em meus planos. Já tenho seis, que consomem muito tempo. Essa é minha opção. As pessoas devem respeitar o amor que nós, mães de pets, temos. A mesma preocupação que elas têm, eu tenho com os meus pets. Eles recebem amor, cuidado, adoecem e precisam de uma mãe humana. Gasto quando estão doentes, choro com eles e isso incomoda muitas pessoas”, enfatiza.

Baltazar é considerado integrante da família

Xodó da casa

O poodle Baltazar, de 4 anos, não apenas recebe muito amor, como também dorme em uma cama feita sob medida, come comida fresquinha, viaja pelo Brasil todo — o destino favorito é Búzios (RJ) — e ainda tem um Instagram (@baltazarsouza), com mais de mil seguidores. Ele é o xodó de Andrezza Cavalcanti Souza, 31, que considera o cachorro como integrante da família.

“Ele é amado por todos, tratado como filho, pela irmã, como ‘maninho’, pelos meus pais, como neto, e por aí vai. É a alegria da casa”, afirma, ao citar o cuidado especial. “Ele come carne e frango, sem tempero, feitos no mesmo dia, com arroz integral e verduras. Dorme no quarto conosco. Quando viajamos dentro do Brasil, sempre nos acompanha", declara.

Segundo a empresária, que está grávida de sete meses, Baltazar tem uma madrinha para cuidar dele, quando o cachorro não pode acompanhar a família na viagem. Ela “abomina” quem compra ou adota animais e não cuida como deveria. “Eu sou mãe e cachorro e sempre vou ser. Acho que o amor que eles têm por nós é algo puro, sincero; só quem tem, ama e cuida de verdade entende o que é ter um filho cachorro”, ressalta.