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Manutenção gera descobertas no Teatro Amazonas

Em agosto, pintor descobriu letreiros folheados a ouro por baixo do reboco do prédio histórico 09/09/2012 às 16:04
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Relatório da descoberta será encaminhado ao Iphan, já que o teatro é tombado pelo governo federal
Rosiel Mendonça ---

Prestes a completar 116 anos de história, quem diria que o Teatro Amazonas ainda guardava algumas surpresas por baixo de suas muitas camadas de tinta... Em parceria com a empresa Sharewin-Williams, o imóvel passa atualmente por uma manutenção de pintura externa desde o início do verão amazônico. Paralelamente, o Departamento de Patrimônio Histórico do Estado, por meio do Ateliê de Restauro, vem realizando um mapeamento de danos para detectar problemas no reboco do prédio, focos de infiltração, etc.

 Foi numa ocasião dessas, no último dia 24 de agosto, que um pintor notou o desprendimento do reboco de um dos quatro letreiros que ficam nas laterais superiores do teatro. Por baixo, o operário detectou a existência de pastilhas douradas que faziam parte da ornamentação do prédio na época do seu apogeu. Logo, a notícia correu a cidade e pensou-se que as pastilhas eram, de fato, feitas de ouro. Se, de um lado, a descoberta confirmava a opulência com que o teatro foi construído, por outro, ela também foi motivo de receio quanto à segurança do monumento histórico.

Folhas de Ouro
Poucos sabem ou lembram que já existe algo parecido nos cinco letreiros localizados na varanda do Salão Nobre. Nessa área, o ornamento apareceu durante a grande restauração pela qual o teatro passou em 1990. “Eu participei dessa restauração e, naquela altura, pensamos que as pastilhas só existiam nesses lugares mais nobres, agora sabemos que não”, declarou a diretora do Departamento de Patrimônio Histórico, Regina Lobato. Segundo a gerente do Ateliê de Restauro, Judeth Costa, as quatro placas laterais são ornamentadas com apliques de folhas de ouro cobertas por ladrilhos de vidro âmbar. Não há registros de quando nem por quê os enfeites foram cobertos com reboco, e o material ainda seguirá para análise laboratorial.

Massa pigmentada
Medindo 220x63cm, os letreiros escondiam outro segredo: o trabalho de prospecção feito pelo Ateliê de Restauro também revelou que as letras foram feitas com massa pigmentada azul. "Depois dessa outra descoberta, fomos analisar os letreiros da varanda e constatamos que, por baixo da tinta, também havia letras azuis", disse Regina Lobato. Judeth Costa adiantou que prospecções serão realizadas em outras partes do teatro. “Vamos analisar o frontão e o relevo com as figuras mitológicas para vermos o que aparece”.