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Maquiagem: nos palcos e nas telonas

Profissionais da cidade falam sobre as diferenças e pontos em comum das maquiagens feitas para o teatro e cinema  02/12/2012 às 15:33
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Maquiagem: nos palcos e nas telonas
Rafael Sexias ---

Numa produção para o teatro e cinema tudo deve ficar no “ponto”, seja o texto do ator, figurino, iluminação, sonoplastia, fotografia de cena, assim como a maquiagem, que é um dos elementos indispensáveis nas artes cênicas e no audiovisual. Pensando nisso, a equipe do BEM VIVER reuniu dois profissionais do ramo – um voltado mais ao teatro e outro ao audiovisual – para falar das diferenças e pontos em comum das maquiagens dessas áreas de atuação.

Segundo Jonatas Sales, que é maquiador há dez anos, atuando em diversas companhias (de teatro e dança) da cidade – cerca de 12 –, na hora do espetáculo tudo deve ficar em harmonia, inclusive a maquiagem. “No teatro usamos uma mais forte, carregada, por causa da questão da luz. Quando você vai para o palco, como, por exemplo, do Teatro Amazonas, que é imenso, as luzes são fortes e a pessoa da última poltrona precisa ver a maquiagem do ator”, disse Sales, que já ganhou dois prêmios de Melhor Maquiagem no Festival de Teatro da Amazônia (FTA), além de Melhor Concepção Visual pelo trabalho – como um todo – no espetáculo “Chapeuzinho Amarelo”, da Companhia de Teatro Metamorfose, na última edição da premiação.

De ponta Sales, que costuma trabalhar em boa parte dos festivais realizados pela Secretaria de Estado de Cultura (SEC), revela que em muitos filmes a maquiagem é feita com aerógrafo – instrumento provido de uma fonte de ar comprimido utilizado para realizar pinturas através do ar –, devido ao resultado final do produto ter de ser impecável. “No teatro os olhos são mais fortes, é preciso lápis branco nos olhos para abri-los mais. No cinema e televisão é algo mais natural mesmo”.

Segundo Sales, o seu processo de concepção é feito diretamente com o diretor da peça. Além disso, é necessário acompanhar os ensaios e ficar por dentro de toda a história e adereços que a personagem utilizará.

Minucioso

Franck Padilha, que já assinou a produção de maquiagem de muitos curtas, longas, documentários e filmes do minuto, explica que no audiovisual é algo mais cuidadoso, sutil, com nada cintilante, pois reflete na luz. “O maquiador tem que estudar anatomia, conhecer rosto, ter noções de artes plásticas, saber desenhar”, enumerou Padilha, conhecido no cenário, em especial, pelos efeitos horripilantes que faz – como queimadura, cortes, marcas de tiro, cicatrizes e por aí vai.

O maranhense, radicado em Manaus desde os 7 anos de idade, trabalhou também na novela “Ana Raio e Zé Trovão” (da extinta Rede Manchete). Outros “make ups” de sua autoria podem ser vistos nos filmes “Um rio entre nós”, “A floresta de Jonathas”, “Cachoeira” – todos de Sérgio Andrade – e “Nas asas do condor”, de Cristiane Garcia.

Apoio

Ambos os profissionais concordam que ainda falta investimento na área em Manaus, sendo necessário patrocínio e criação de cursos e oficinas. Sales, apesar de ter seu trabalho reconhecido por boa parte dos profissionais do meio cultural da cidade, confessa que nunca fez um curso de maquiagem, e que aprendeu, como costuma dizer, na marra: lendo, pesquisando e praticando. Já Padilha, desde 1982, quando iniciou, fez 15 cursos, alguns em outros Estados, porém concorda que falta profissionalismo na região.