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Márcia Siqueira canta um ‘Ritual’ legitimamente amazônico

O quarto CD da cantora foi lançado no palco do Teatro Amazonas, durante o 3º Festival Amazonas de Música, em um show que fez lembrar a Techno Macumba de Rita Ribeiro e as encenações do Festival Folclórico de Parintins 05/10/2012 às 12:39
Show 1
Eclética, Márcia Siqueira canta estilos variados e se consagrou como uma das únicas mulheres cantoras de boi-bumbá, no Amazonas
Leandro Tapajós Manaus (AM)

A união de composições inspiradas no folclore caboclo e no lendário indígena, o emprego de metais, instrumentos de percussão e corda, arranjos cheios de melodia e uma voz privilegiada fizeram do CD “Ritual” – da regionalmente consagrada cantora amazonense Márcia Siqueira – um trabalho novo e cheio de qualidade. Interpretações que merecem ganhar o Brasil, pois em nada devem (e em muito superam) toadas que fizeram sucesso e expuseram o “exótico amazônico” mundo a fora, como: Vermelho, Tic Tic Tac e Bumba Bumbum Bumbá.  

“Ritual” foi lançado no palco do Teatro Amazonas, durante o 3º Festival Amazonas de Música, nessa sexta-feira (28), em um show que fez lembrar a Techno Macumba de Rita Ribeiro e as encenações do Festival Folclórico de Parintins. A apresentação contou com um staff de aproximadamente 50 profissionais, entre músicos, dançarinos e produtores, e mesmo com um orçamento disponível apertado conseguiu emocionar. Cerca de 500 turistas, fãs da cantora e pessoas que não conheciam sua música fizeram parte da plateia, aplaudiram de pé e dançaram durante o evento.       

Há cantores que mostram todo o seu talento em produções gravadas, conseguem produzir CDs de extrema qualidade, mas deixam a desejar quando se apresentam ao vivo. Esse, definitivamente, não é o caso de Márcia Siqueira. Quem ouve e o CD e assiste ao show tem certeza de que se trata de uma intérprete legítima, merecedora dos títulos adquiridos nos vários festivais que já venceu.


Segundo a própria cantora, “Ritual” é uma homenagem justa aos compositores amazonenses. Entre eles: Rui Machado, Sidney Rezende, Pereira, Emerson Maia, Paulinho Dú Sagrado.

O CD reúne romantismo, caboclitude e folclore de modo harmônico, sem tornar a música exótica, ou comercial em demasia. Com propriedade, Márcia interpreta – com os traços físicos, gestual e indumentária indígena estilizada – a legitima música amazônica e o próprio boi-bumbá de Parintins.  Movimento esse que, mesmo após cerca de 10 anos de contribuição ativa, não dá o merecido valor para essa artista ímpar, que tecnicamente supera muitos dos cantores de toada regionais.     

Biografia

Márcia Siqueira ganhou destaque ao vencer o prêmio Canta Nordeste, realizado pela Rede Globo em 1995. Ela já realizou apresentações na Alemanha (durante a Expo 2000, em Hannover, e na Mostra do Cinema Brasileiro, em Munique); participou do projeto Pixinguinha; venceu como melhor interprete vários festivais no Brasil. Márcia foi também a primeira mulher a cantar em apresentação solo na arena do Bumbódromo, onde é realizado o  Festival Folclórico de Parintins. Eclética, a intérprete canta vários estilos, entre eles: MPB, toadas de boi-bumbá, blues, samba rock e pop. Já lançou os CDs: “Canto de Caminho”, “Márcia Siqueira”, “Nada a declarar” e “Ritual”.  Em março de 2011 chegou a ser vítima de censura e impedida de subir ao palco por não apresentar a carteira da ordem dos músicos.


Escute a música  “Povo de alma vermelha” (Paulinho Dú Sagrado) e “Eterno Amor” (Kleber Paiva)