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Matemática na sala de aula: Conhecer para ensinar

Pesquisa, realizada pelo doutorando em Educação Matemática Tarcísio Luiz Leão e Souza, pretende contar a história do ensino da Matemática nas escolas do AM 01/02/2013 às 10:32
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A falta de interesse pela matemática nas salas de aula, para o mestre Tarcísio Souza, é reflexo da falta de preparo dos professores
Ana Celia Ossame ---

Contar a história do ensino da Matemática no Amazonas fazendo uma análise histórica e cronológica é o objetivo do doutorando em Educação Matemática Tarcísio Luiz Leão e Souza, 56, no projeto de pesquisa denominado ‘Uma História da Matemática Escolar no Amazonas no Período do Império: 1851–1890’. 

Segundo ele, fazer esse relato desde os primeiros invasores portugueses e espanhóis vai permitir analisar os elementos históricos do ensino dessa disciplina escolar e mostrar que a falta de investimento na formação de professores prejudica o aprendizado dos alunos que não se interessam pela ciência por não ver aplicabilidade prática nela.

Durante o império, algumas instituições de educação, como o Colégio Amazonense Dom Pedro II, foram determinantes para o ensino da disciplina, destacou o pesquisador, que conta com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), por meio do Programa de Apoio à Formação de Recursos Humanos Pós-Graduados do Estado do Amazonas (RH-Doutorado).

SELEÇÃO

Segundo ele, é importante citar que fatos como o de que o primeiro presidente da Província do Amazonas era professor dessa disciplina que, infelizmente, tem sido muito usada ao longo da história para colocar à margem as pessoas que não têm muito poder aquisitivo. Essa, pelo menos, era a intenção, na época que foi criada a disciplina, pois as pessoas que não podiam pagar um professor particular teriam uma profissão “menor”.

“Os que podiam pagar para ter aulas de Álgebra, Aritmética e Geometria, constantes nos exames preparatórios para entrada na rede pública, eram os aprovados para cursos de Direito, Medicina e Engenharia, deixando os demais excluídos do acesso a qualquer ensino superior nessa área”, apontou o pesquisador.

Matemática ‘indígena’

Ao dizer que a matemática existente entre os povos indígenas é preservada ainda hoje e diferente da do colonizador, Tarcísio lamenta, no entanto, a dificuldade para encontrar documentos que comprovem isso.

O professor, cuja tese de mestrado defendida há dois anos teve como tema “Elementos históricos e culturais do ensino da matemática no contexto amazonense (1870 - 1910)”, lembrou ter sido o primeiro a se debruçar sobre esse tema. E continua na busca de documentos porque, segundo ele, contar essa história vai impedir a repetição de erros que contribuíram para afastar essa ciência dos estudantes.

Teoria e prática na sala de aula

O fato de as pessoas verem a Matemática de forma negativa é predominante até hoje porque, segundo afirmou o pesquisador Tarcísio Souza, não há investimentos na formação de professores capazes, por exemplo, de ensinar ou demonstrar a  aplicabilidade da matemática, na música, cozinha, na construção civil, na feira, ou seja, além da escola .

A má preparação dos professores responde, de acordo com Tarcíso, pela visão aterrorizante de fórmulas cuja função é mais de apavorar e afastar os alunos do que ensiná-los a usar a ciência de forma prática.

Tarcísio citou, por exemplo, que a Matemática, nas comunidades indígenas, é utilizada para resolver os problemas simples do dia a dia, ou seja, tem uma aplicação prática. “Eles aprendem a contar por necessidade de saber identificar os ciclos e descobrir a época mais adequada para plantar, pescar e caçar”, descreveu o pesquisador, lembrando que os indígenas fazem isso de forma intuitiva, enquanto o homem branco o faz de forma teórica.