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Momentos congelados, memória eternizada

No Dia Mundial da Fotografia, profissionais de A CRÍTICA mostram seu talento 18/08/2012 às 20:24
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Os fotógrafos (da equerda para a direita) Bruno Kelly, Márcio Melo, Antônio Lima, Odair Leal, Luiz Vasconcelos, Antônio Menezes, Clóvis Miranda, Winnetou Almeida, Alexandre Fonseca, Euzivaldo Queiroz, Márcio Silva, Ney Mendes e Juca Queiroz formam a equipe de Fotografia do jornal A CRÍTICA
Mellanie Hasimoto Manaus (AM)

A arte da fotografia envolve muito mais que apertar um botão. Talento, ousadia, dedicação e muito trabalho são alguns dos ingredientes de uma boa foto. Afinal, como disse Henri Cartier-Bresson, “as suas primeiras 10 mil fotos serão suas piores”. Celebrando o Dia Mundial da Fotografia, os profissionais da equipe de fotojornalismo de A CRÍTICA mostram algumas fotos mais importantes e impactantes de suas carreiras. Além disso, a reportagem aponta uma tendência que vem se expandindo na cidade, os fotoclubes.

Formada por um total de 12 profissionais, a editoria de Fotografia de A CRÍTICA tem dezenas de prêmios. Entre os mais importantes está o World Press Photo, conquistado por Luiz Vasconcelos (A), em 2009, um dos maiores prêmios de fotojornalismo do mundo, o que faz com que seja uma das fotografias mais importantes de sua carreira de mais de 30 anos.

Já Clóvis Miranda (B) foi ganhador do Prêmio Esso de Fotografia, em 2008, com a foto “Martírio no presídio”. Ela mostra um detento sendo removido por outros presidiários durante uma rebelião. “A imagem choca ao se assemelhar com a de Jesus Cristo sendo retirado da cruz”, descreve a legenda no site do prêmio.

Muito mais

Para profissionais apaixonados pelo que fazem, é difícil resumir a importância de sua arte para si numa só imagem, mas é o momento por trás da foto que importa bem mais. “Acho que nós somos mais seletivos, e não fotografamos pela quantidade de fotos, pelo simples fato de ver algo e clicar. O fotógrafo de verdade precisa ver as coisas por trás das cenas”, disse Alexandre Fonseca.

Na imagem que representa seu trabalho (C), está o antropólogo norte-americano Roy Wagner cumprimentando um indígena. “Quando vi que ele iria cumprimentar o Raimundo Dessana, corri e me abaixei. E ficou parecendo que ele se curvaria e ali colocaria toda a sua humildade perante o Dessana”, disse. A foto rendeu a Alexandre o Prêmio Fapeam 2012 de Fotografia.

Veja galeria de imagens

Eternizados

As mudanças climáticas na região deixam muita gente temerosa, ainda mais com o imponente rio Negro seco, como registrado na imagem feita por Euzivaldo Queiroz (D). Em contraste com ela, o registro de Bruno Kelly (E) traz populares utilizando um navio petroleiro para jogar uma partida de futebol durante a cheia do rio.

A violência urbana também está presente. Uma foto de Márcio Melo (F), elogiada por especialistas, mas criticada pela polícia,  mostra o despreparo de quem lida com situações de risco.

“O momento foi marcante. O choro, o desespero de não ter onde morar, tudo é forte nessa foto”, disse Evandro Seixas (G), cuja foto mostra uma família que acabou de ser expulsa de uma invasão.

No “Futebol de favela”, as crianças fotografadas por Antonio Lima (H) se divertem com o que têm.

Outro registro relacionado ao clima da região vem na foto de Antônio Menezes (I), onde crianças soltam pipa de dentro de uma canoa. Já a foto de Márcio Silva (J) retrata a perseguição à luz do dia de um assaltante.

Ney Mendes (K) mostra a imensidão do rio ao registrar uma competição no Encontro das Águas. E, muito mais que um exercício de paciência para pegar a luz certa, a foto de Célio Jr. (L), editor executivo de A CRÍTICA, “transmite uma sensação de liberdade dos peixes-boi criados em cativeiro”.

Fotoclubes


Crianças se divertem no PinholeDay. (Foto: Reprodução/Blog do A Escrita da Luz)

Quem tem experiência, como os fotógrafos de A CRÍTICA, e amor pelo que faz, curte compartilhar sua paixão com outras pessoas. E é esse fascínio pela fotografia que fez com que cada vez mais grupos de Fotografia surgissem na cidade, expandindo o interesse pela arte.

O pioneiro deles é A Escrita da Luz, criado em 2006 pelos fotógrados Alexandre Fonseca e Ione Moreno. “O grupo nasceu da necessidade de reunir amantes da fotografia para trocar experiencias”, ressalta Fonseca.

Para entrar no grupo, não precisa ser profissional. A preocupação dos membros d’A Escrita da Luz é, principalmente, atrair pessoas comprometidas com o lado social da fotografia, que tenham nela muito mais que um hobby.

“Basta ter em mente que a fotografia vai além de um mero produto comercial. Quem entra  participa de nossas atividades, em especial as ações sociais com jovens em comunidades carentes”, completou.

Mais interesse

Visto como o responsável pelo boom que a fotografia local vem passando, o grupo A Escrita da Luz vê frutos do trabalho iniciado há seis anos: a participação em festivais nacionais, como o Ennefoto, no Pará; o Festival da Fotografia, no Distrito Federal; e o Devercidade, no Ceará, são alguns deles. As atividades do grupo foram amadurecendo com o tempo. “Agora promovemos atividades mais consistentes, a médio e longo prazo. Agora são menos saídas aleatórias, com foco mais para projetos que envolvam as pessoas do grupo com a comunidade e jovens”, esclareceu.

Outro fotoclube que vem crescendo é o Lentes da Amazônia, fundado no ano passado. O coletivo realiza jornadas fotográficas mensais pela cidade e arredores. E, claro, ambos os grupos têm um objetivo em comum: apoiar e divulgar o desenvolvimento da arte fotográfica, agregar interessados em fotografia e disseminar conhecimentos fotográficos.

Comemoração

Para celebrar o Dia Mundial da Fotografia, A Escrita da Luz convida todos os amantes da arte, fotoclubes e fotógrafos profissionais para uma confraternização hoje, a partir das 18h, no Tacacá da Gisela, localizado no Largo de São Sebastião.

No encontro desta noite vai ter Jornada Fotográfica, Foto Escambo (imagens 20 x 30cm), Fotovaral, projeções e bate papo fotográfico.

Para participar das projeções, os interessados precisam levar um CD com as suas imagens. As imagens para o fotoescambo (20x30cm) serão utilizadas no fotovaral e, ao final, os participantes poderão trocar as imagens entre si.