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Mulheres e as doenças cardíacas: Qual a proporção?

O progresso da doença está relacionado ao local onde ocorrem os sintomas. Em homens, as ocorrências podem ser localizadas, enquanto que em mulheres, os sintomas constumam ser generalizados, o que faz com que as mulheres os ignorem, de acordo a médica Carolyn Landolfo 12/11/2012 às 10:20
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Fumo, diabetes e menopausa devem ser fixados na atenção das mulheres
acritica.com Manaus, AM

O bom funcionamento do coração é imprescindível em homens e mulheres. Porém, há algumas diferenças entre a manifestação de saúde (ou não-saúde) no público masculino e feminino. Para elucidar essas diferenças, assim como frisar a ocorrência de doenças cardíacas especificamente em mulheres, a Dra. Carolyn Landolfo, médica cardiologista da Clínica Mayo de Jacksonville, Flórida, especializada no tratamento de mulheres com doenças cardíacas explica sobre a relação entre menopausa, outras doenças e o coração.

A cardiologista afirmou que, antes de dar seguimento a qualquer outro tópico, e necessário entender como o coração funciona. “O coração é um órgão muscular que bombeia sangue, rico em oxigênio, para o cérebro e todo o resto do corpo. Para o músculo do coração funcionar apropriadamente, precisa ter seu próprio suprimento de sangue. As artérias coronárias, que exercem a função de “dutos sanguíneos” do coração, se encarregam de manter o fluxo do sangue. O coração também depende de “eletricidade”, que o faz bater em ritmo regular. E o coração dispõe de válvulas que, como comportas, regulam o fluxo do sangue entre as câmaras”, disse.

Doenças que merecem atenção redobrada

Dentre as doenças do coração, Landolfo destacou as que mais necessitam de atenção na ocorrência à mulheres. “A forma mais comum de doença cardíaca é a doença de artéria coronária, um problema que envolve o acúmulo de colesterol, cálcio e outras células (a placa aterosclerótica) dentro das artérias. Essa formação da placa pode resultar em dores no peito ou mesmo em infarto agudo do miocárdio (popularmente, ataque cardíaco), quando o suprimento sanguíneo é reduzido", afirmou.

Vários problemas podem ocorrer, fazendo com que os músculos do coração se enfraqueçam e, portanto, a função de bombeamento seja reduzida. Esse problema é conhecido como insuficiência cardíaca congestiva. Há muitos problemas que afetam a eletricidade do coração, o que pode transmitir a sensação de um ritmo cardíaco irregular. O coração pode bater rápido demais, devagar demais ou fora de ritmo. Além desses distúrbios, as válvulas podem ter vazamentos ou podem emperrar. Frequentemente, precisam ser substituídas. Todas essas condições – e muitas outras – afetam as mulheres”, assegurou Carolyn.

Menopausa

A chegada da menopausa é frisada pela especialista como uma propensão maior ao surgimento de problemas cardíacas no público feminino. O fumo e o diabetes também influenciam sobre o coração da mulher, de acordo com a médica.

“O risco de desenvolver cardiopatias coronarianas aumenta com a chegada da menopausa. Todas as mulheres correm riscos de doenças cardíacas ainda jovens, mas isso é muito mais comum em mulheres que entram na menopausa, quando os riscos se tornam maiores. Mulheres jovens, principalmente aquelas que fumam ou têm diabetes, correm um risco maior de desenvolver cardiopatias coronarianas, mesmo antes da chegada da menopausa. Mulheres jovens correm riscos de contrair outros tipos de doenças cardíacas. Elas podem ter espasmos das artérias coronárias, defeitos cardíacos congênitos (de nascença) e, além disso, uma forma rara e devastadora de doença da artéria coronária chamada de Dissecção Espontânea de Artéria Coronária, que pode ocorrer depois do parto”, asseverou Carolyn.

Fatores de risco

A especialista continuou a elencar os fatores de risco que mais incidem em problemas de coração. “Os fatores de risco mais comuns de doenças cardíacas são o diabetes, o fumo, a hipertensão, o colesterol alto e o histórico familiar de doença cardíaca prematura. Todas as mulheres, jovens ou idosas, precisam manter esses fatores de risco sob controle, para prevenir o desenvolvimento de doenças cardíacas em algum ponto da vida", contou.

"Mulheres que têm hipertensão, mesmo em caso de pressão arterial moderada antes do início da menopausa, correm um risco maior de desenvolver doenças cardíacas mais tarde, na vida. Assim, é importante prestar atenção ao que chamamos de pré-hipertensão, no intervalo da pressão arterial sistólica (o maior valor verificado na aferição), entre 120 a 130 mmHg. Uma pressão arterial sistólica superior a 130 mmHg é considerada agora uma hipertensão moderada”, afirmou a médica.

O colesterol também é um potente indicador de risco tanto em homens quanto em mulheres, conforme a cardiologista. “Maior risco também ocorre quando o nível de colesterol “mau” é alto e/ou o nível do colesterol “bom” – o HDL – é baixo. O colesterol é um fator de risco que tende ser igualmente importante nos dois gêneros. Altos níveis de triglicerídeos (gordura) também constituem um fator de risco considerável, particularmente nas mulheres. Estamos examinando agora outro marcador inflamatório, chamado de fator da proteína C-reativa (PCR). Para quem tem um alto nível de PCR, mais um alto nível de colesterol, os riscos de contrair doenças cardíacas no futuro aumentam significativamente”, pontuou.

Homens e mulheres: sintomas iguais, porém diferentes

Há diferenças na manifestação de doenças cardíacas entre o público masculino e feminino, o que depende da situação, segundo Carolyn. “Os sintomas da doença da artéria coronária podem, definitivamente, ser diferentes entre homens e mulheres. Mas, frequentemente, isso depende da situação. Durante um infarto do miocárdio, por exemplo, homens e mulheres tendem a ter sintomas similares: dores esmagadoras no peito, abaixo do esterno (osso do peito), sensação de peso no peito – não uma dor, mais uma pressão, rigidez, uma sensação de aperto, transpiração e náusea. A dor pode se irradiar para o braço, as costas, o pescoço ou para o maxilar”, apontou.

O progresso da doença está relacionado ao local onde ocorrem os sintomas. Em homens, as ocorrências podem ser localizadas, enquanto que em mulheres, os sintomas constumam ser generalizados, o que faz com que as mulheres os ignorem, de acordo com Landolfo.

“As diferenças entre os sintomas de homens e mulheres tendem a se acentuar quando não se trata de uma problema repentino, mas de um desenvolvimento progressivo de bloqueios dentro das artérias. Nessa situação, os homens tendem a apresentar mais sintomas típicos, tais como pressão no peito, frequentemente associada ao esforço", disse.

As mulheres, por sua vez, também podem apresentar os sintomas mais comuns da doença, mas é bem provável que elas também reclamem de sintomas que não tem nada a ver com o tórax. Por exemplo, elas podem reclamar, mais que os homens, de fatiga, falta de ar (um sintoma muito predominante em mulheres) ou mesmo distúrbios do sono. Elas sentem mais desconforto nas costas, nos braços e no pescoço. Infelizmente, muitas vezes esses sintomas são atribuídos à idade, à menopausa ou ao estresse”, admitiu a cardiologista.

“Frequentemente, as mulheres negam seus próprios sintomas, de forma que esses sinais de advertência não são detectados ou são ignorados pelos médicos. Um dos problemas reais é o de que as mulheres, elas mesmas, costumam minimizar seus sintomas. Elas não admitem que esses sintomas podem, possivelmente, estar relacionados a doenças cardíacas", ressaltou Landolfo. 

Digo a meus pacientes e faço a mesma coisa quando estou falando a um grupo de mulheres que se sentirem qualquer coisa fora do normal – por exemplo, se já não conseguem fazer as coisas de sempre, porque se sentem mais cansadas do que antes, ou se sentirem falta de ar quando se desempenham um atividade costumeira, então devem se perguntar: ‘Isso pode ser um sinal de doença cardíaca?’ Se a mulher considera que essa é uma possibilidade, está na hora de consultar um médico para tirar a dúvida’, advertiu Carolyn  para as atividades diárias, quando começam a ser limitadas por determinados sintomas.

'Quando eu, mulher, devo ir ao médico?'

Questões precisam sempre ser levantadas pelas mulheres quanto à sua saúde, principalmente aos dados relacionados ao coração, conforme a médica.

“As mulheres devem fazer essas perguntas: “Será que tenho uma doença cardíaca? Quais são os riscos de eu contrair uma doença cardíaca? Como pode ser confirmado que eu não sofro de uma doença cardíaca”? Em geral, os teste s solicitados para detectar doenças cardíacas dependem de muitos fatores, como os sintomas que os pacientes estão sentindo, os fatores de risco e a idade.

"No caso de mulheres que vêm ao consultório para um “check-up do coração”, mas não apresentam quaisquer sintomas, elas devem, no mínimo, fazer exames de colesterol, pressão arterial, peso e taxa de glicose no sangue. Eu gosto de fazer um exame de sangue para a proteína C-reativa, que é parte dos exames que prescrevo para verificar o perfil de lipídio de uma paciente. Os exames de imagem que as mulheres podem fazer dependem de seus fatores de risco, idade e sintomas”, reforçou a especialista.

“As mulheres precisam ser informadas sobre os vários exames. Se uma mulher não apresenta sintomas, então não precisamos necessariamente realizar um teste de esforço, por exemplo. Mas, se alguém tem um histórico de doenças cardíacas na família ou se pelo menos um fator de risco é predominante, então essa pessoa deverá passar por uma bateria de testes”, finalizou Landolfo.