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Mulheres Ricas: veja dez lições para aprender e dez para esquecer

Val Marchiori, Lydia Sayeg, Débora Rodrigues, Brunete Fraccaroli e Narcisa Tamborindeguy. Saiba o que essas cinco mulheres "ricas" podem ensinar. E o que você deve esquecer 08/02/2012 às 12:14
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Val Marchiori, Lydia Sayeg, Débora Rodrigues, Brunete Fraccaroli e Narcisa Tamborindeguy
Uol Comportamento ---

Assim como a maioria dos reality shows, há os que amam e os que odeiam “Mulheres Ricas”. O programa vai ao ar todas as segundas-feiras, às 22h15, e, para quem não conhece, mostra o cotidiano de cinco mulheres brasileiras consideradas ricas pela Band: Val Marchiori, Lydia Sayeg, Brunete Fraccaroli, Débora Rodrigues e Narcisa Tamborindeguy .

 Joias exuberantes, roupas caríssimas, carros de luxo, mansões, viagens e, principalmente, muito champanhe e compras compõem o repertório da atração --que mostra, também, exageros, picuinhas, cafonices, vexames das participantes e muito merchandising.

Seja você do time do contra ou torça a favor das socialites, o fato é que o programa, além de entreter, também pode ensinar. Duvida? Especialistas listaram bons e maus exemplos mostrados por "Mulheres Ricas". Confira:

Dez lições para aprender:

Vaidade
A imagem é supervalorizada em "Mulheres Ricas". Excluindo o exagero, é inegável que a preocupação com o visual é importante. No programa, todas sempre estão arrumadas, bem penteadas, maquiadas, mesmo em ocasiões informais. "Acho um bom exemplo", diz a consultora de moda Vanessa Akemi, de São Paulo.

"A boa aparência é essencial para conquistar vários objetivos: um namorado, um emprego, uma promoção... Até mesmo ter um melhor atendimento no banco", exemplifica Vanessa, que afirma que o mundo trata melhor quem se cuida.

Originalidade
À sua maneira, as participantes de "Mulheres Ricas" esbanjam estilo próprio. Brunete Fraccaroli não liga a mínima para a opinião alheia sobre ela ser apaixonada pela boneca Barbie e, na maior parte das vezes, vestir-se de cor-de-rosa. Val Marchiori deu uma pronúncia renovada à gíria "Hello", enquanto Narcisa inventou o divertido bordão "Ai, que loucura!".

“A Narcisa, de fato, é autêntica. Pode parecer exageradíssima para quem não a conhece, mas ela sempre foi desse jeito", conta Claudia Matarazzo, consultora de etiqueta e cerimonialista do Palácio dos Bandeirantes (SP). "Ser original e assumir o que gosta, sem se importar com o que os outros vão dizer e pensar, pode fazer a diferença em várias situações da vida. A pessoa se destaca, vira uma marca registrada", diz Izabel Failde.

Autoconfiança
Val, Narcisa, Lydia, Débora e Brunete servem de exemplo no quesito autoestima. "Confiar em si mesmo é essencial para conseguir qualquer coisa na vida", diz a psicóloga e consultora organizacional Izabel Failde, de São Paulo. "Se a pessoa crê no próprio potencial, faz com que os outros também acreditem. O único problema é saber dosar tanta autoconfiança, para não se tornar arrogante ou prepotente."

Comicidade
Os trejeitos e tiradas de Val Marchiori ou os gritos de Narcisa fazem o telespectador rir e as piadas se espalham como fogo pelas redes sociais. Val parece não levar nada muito a sério, ri de tudo. Narcisa lança mais bordões além de "Ai que loucura". "Deita na BR", "Badalo" e "Já bebi um rio Amazonas de champanhe" são alguns deles.

Com a ressalva de que alguns assuntos são abordados com desdém descabido pelas participantes, encarar com mais bom humor as situações do dia a dia, rir mais (até de si mesmo) e fazer rir, ajudam a encarar dificuldades, reforçam as relações e tornam você uma pessoa mais agradável. 

Distrair-se
Depois de um dia estressante, assistir a um programa que fuja totalmente à nossa realidade (e, talvez, à realidade das participantes, também), nos mais diversos sentidos, pode ser algo relaxante, ainda que digam que ele não acrescenta nada. "Um pouco de diversão sem compromisso não prejudica a vida nem a inteligência de ninguém", afirma a psicóloga Izabel Failde. Que tal, depois de assistir a um episódio, propor-se a ler um bom livro para compensar?

Fantasia

"Mulheres Ricas" proporciona uma bem-vinda dose de sonho. Não há dúvida de que muitas mulheres gostariam de ter um profissional para arrumar seus cabelos 24 horas por dia, como Val Marchiori diz ter. E quem não adoraria gastar dinheiro sem fazer contas, saber o preço ou refletir se é necessário? Ou frequentar bons  restaurantes, dirigir carros de luxo e viver sem pensar se o salário será suficiente até o fim do mês?

Sabendo valorizar o que é realmente importante na vida, não é um crime render-se ao supérfluo de vez em quando. Fantasiar é essencial para atingir objetivos de vida, desde que não se perca a noção da realidade.

Empreendedorismo
Ricas, sim, mas dispostas a fazer o dinheiro crescer ainda mais. Lydia Sayeg turbinou a joalheria que herdou do pai, enquanto a ex-caminhoneira Débora Rodrigues se transformou em uma bem-sucedida piloto de Fórmula Truck.

Brunete Fraccaroli é um nome importante no mercado de arquitetura nacional. Se tivesse somente ambição, mas pouca disposição, Val Marchiori teria continuado com o nome contando na lista de proteção ao crédito e vendendo cosméticos de porta em porta. Até Narcisa, herdeira de uma fortuna, se empenhou para cursar Direito e Jornalismo.

Reflexão
Na opinião da psicóloga Izabel Failde, “Mulheres Ricas” estimula o senso crítico –mesmo se o telespectador se ater somente ao aspecto fútil do programa. É possível fazer inúmeras avaliações assistindo a um episódio: desde o comportamento de cada uma à realidade que vivem, muito diferente da que a maioria dos brasileiros conhece. “Apesar de retratar o cotidiano das milionárias, é possível traçar um paralelo com algumas situações que vivemos no dia a dia", afirma Izabel.

Identificação
Com "Mulheres Ricas", pode haver ou não a identificação com as atitudes mostradas no programa. Um exemplo: todas trocam farpas entre si (e Val Marchiori é a campeã nesse quesito). Você faz algo semelhante no seu círculo de amigos? O reality show pode te levar a fazer uma autoavaliação. Você já parou para pensar como trata a sua faxineira? E o garçom que te atende? E como gasta o seu dinheiro? Talvez, em outras proporções, você não lide com as suas finanças com tanta responsabilidade.

Mudança de vida
Apesar de ser alvo de criticas e acusada de ter se envolvido com um bilionário casado para se dar bem na vida, Val Marchiori, humilde filha de agricultores, construiu um patrimônio. Débora Rodrigues, ex-participante do MST, trabalhou como babá, frentista e motorista de caminhão. Segundo os especialistas, ambas podem servir de exemplo de que nascer pobre não é empecilho para ter uma vida melhor e até enriquecer.

Dez comportamentos para esquecer

Ostentação
“É óbvio que milionário compra roupa, mas não do jeito que é mostrado no programa”, diz a consultora Claudia Matarazzo, criticando a ostentação excessiva do quinteto de "Mulheres Ricas" com compras, passeios, casacos de pele, bolsas de grife... “A questão é que elas são financeiramente abonadas, não ricas de verdade. Quem é verdadeiramente rico sabe o valor do dinheiro e como usá-lo.”

Falsidade
Para Claudia Matarazzo, uma certa hipocrisia é socialmente aceitável. "Afinal, como seria o mundo se todos saíssem por aí falando o que de fato pensam?”, pergunta ela. Porém, o convívio entre as protagonistas da atração da Band mostra que a amizade das "Mulheres Ricas" é construída à base de picuinhas, atritos e muita falsidade. “Há uma constante desvalorização da figura feminina nessas cenas”, diz a psicóloga Raquel Fernandes Marques, de São Paulo.

Incitação à violência
Entre as passagens mais polêmicas exibidas até agora, o primeiro lugar da lista vai para a aula de tiro de Lydia Sayeg, em que a joalheira, ao acertar um boneco de borracha e imaginar que assassinou um bandido, suspira: "Ai, que delícia". Para a psicóloga Raquel Fernandes Marques, ao sugerir que deve ser gostoso matar alguém, a cena banaliza a violência. “Nem todo mundo, é claro, vai ficar com vontade de sair atirando por aí ao assistir ao programa. Mas esse é um aspecto que não precisaria ser abordado dessa forma”, diz.

Valores invertidos
Na opinião da especialista em comportamento profissional e social Maria Aparecida Araújo, de São Paulo, o grupo de mulheres transmite a imagem de que somente quem tem dinheiro pode se dar bem na vida e é valorizado pela sociedade. “O ter, para elas, é mais importante do que o ser”, afirma a especialista, que ainda diz: “Na verdade, elas nem são tão ricas assim. O ‘parecer’, nesse caso, se torna ainda mais fundamental do que o ter."

Desdém com comida e bebida
Em um país onde milhões passam fome e sede, assistir às peripécias de Val Marchiori às vezes é uma agressão. Durante uma viagem a Buenos Aires, ela recusou um típico prato alegando que não comeria "linguiça", por ser "coisa de pobre". Em outra cena, observando a praia de Copacabana (RJ) pela janela, a loira diz sentir vontade de "jogar Dom Pérignon no povo" (a garrafa da bebida custa quase R$ 700).

Mais modesta, Lydia Sayeg prefere os benefícios da água mineral. Só que vez de bebê-la, a joalheira não demonstra o menor pudor em afirmar que usa o líquido para tomar banho.

Ausência de filantropia
Esse é o principal argumento dos detratores do programa: entre uma comprinha e outra, nenhuma das participantes parece se preocupar em destinar uma porcentagem que seja de sua fortuna em prol da solidariedade. “O montante que gastam em champanhe poderia ser revertido, de alguma forma, para questões sociais”, diz a psicóloga Raquel Fernandes Marques. E ainda que optem por não contribuir, o que é um direito de cada um, o descaso com a miséria e os problemas alheios em um país como o Brasil é dispensável e chega a ser ofensivo.

Modos suspeitos
Voz estridente, gestual espalhafatoso, figurino exagerado... Para Maria Aparecida Araujo, as atitudes deslumbradas de Val, Lydia e companhia não condizem com o que se espera de uma pessoa bem educada. “Nenhuma delas é sofisticada, pois ignoram uma regra básica: quanto maior a simplicidade, maior a sofisticação. E isso não tão nada a ver com afetação", afirma.

Ela cita o episódio em que uma delas faz questão de comentar que o motorista a esperava. “Ora, para uma mulher rica, ser aguardada pelo chofer é a coisa mais natural do mundo. Não é algo a se anunciar", diz. 

Futilidade
A defesa dos direitos dos animais é uma missão que vem cada vez mais fazendo parte do dia a dia dos brasileiros. Qualquer denúncia de maus tratos mobiliza a sociedade. Porém, se por um lado espancar um cachorrinho é uma crueldade sem limites, dar-lhe água francesa para beber em uma taça –como Brunete Fraccaroli costuma fazer com sua cadelinha maltês– é uma atrocidade.

"O que me incomoda muito é o fato de elas aparecerem bebendo champanhe o dia inteiro. Isso passa uma imagem totalmente falsa da vida das socialites", afirma a consultora Claudia Matarazzo.

Consumismo
Lydia Sayeg compra de forma compulsiva e admite, sem a menor vergonha, que sequer precisa daquilo que vai levar. Em Buenos Aires, Val Marchiori, diante de uma loja de luxo com as portas fechadas, chegou a dizer: “Hello! Abre logo essa porcaria, queremos comprar”. Para Claudia Matarazzo, a única que tem os "pés no chão" é Débora Rodrigues. "As demais compram sem parar para se exibir."

Infantilidade
Falar o que vem à cabeça, sem antes elaborar um raciocínio ou avaliar se aquilo vai ou não ofender alguém, é uma atitude tipicamente infantil. Não são poucas as cenas em que Val, Narcisa, Lydia, Débora ou Brunete criticam as pessoas obesas, pobres ou desfavorecidas sob algum aspecto. Val também faz comentários típicos de adolescente, como: “Quero comprar um carro vermelho para combinar com meu sapato."