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Novo imortal fala sobre a cultura no Amazonas

Descubra mais sobre o intelectual Renan Freitas Pinto nesta conversa que ele teve com o BEM VIVER sobre sua vida e sobre o o cenário artístico no Estado. 12/11/2012 às 16:52
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Professor e novo imortal da AAL Renan Freitas Pinto
Gabriel Machado Manaus (AM)

Quem conversa pela primeira vez com o professor da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) Renan Freitas Pinto não imagina o quanto este cientista social tem a oferecer ao Estado no âmbito cultural. No melhor sentido da expressão “como um livro aberto”, o novo membro da Academia Amazonense de Letras (AAL) se mostrou um verdadeiro mestre quando o assunto é artes plásticas, cinema, música e literatura e não poupou elogios ao falar dos amigos e da cidade que o acolheu há exatos 50 anos.

Natural de Maceió, o professor sempre teve uma grande afinidade com os diversos campos da arte, relação que só se aprofundou após receber um convite para trabalhar na TVE (Televisão Educativa). “Eu já tinha, digamos assim, uma identificação muito grande com fotografia e cinema, pois estudava e lia muito sobre. Tínhamos aqui, inclusive, um grupo de estudos cinematográficos”, revelou.

Segundo ele, ainda, a Sétima Arte, mesmo à época da ditadura militar, sempre esteve muito presente no cenário amazonense. “Era muito animada essa parte de cinema aqui. A atividade de ver filmes e comentá-los era uma forma de sobrevivermos culturalmente, em função do período bastante fechado”, completou, destacando o período da Nouvelle Vague francesa, do neorrealismo italiano e do Cinema Novo do Brasil como o mais forte do audiovisual no País.

Crescimento cultural

Desde que chegou a Manaus, com apenas 19 anos, Renan percebe não somente um aumento na produção artística, mas também uma grande mudança no cenário cultural da cidade. “Quando cheguei aqui, a energia elétrica era racionada e vivia faltando luz. O Márcio Souza até brinca dizendo que, como todo mundo andava de lanterna, era uma espécie de ‘Guerra nas Estrelas’ (risos). Então para hoje, que temos os festivais de cinema e ópera, é um grande progresso”, concluiu.

Além do avanço tecnológico, que possibilitou a globalização da informação, o cientista social aponta um outro fator como sendo chave nessa transformação: a universidade. “Eu a considero uma instituição cultural extremamente dinâmica e atuante na Amazônia, pelas conexões que possui e pelo cenário totalmente novo que ela cria. As universidades têm um papel cultural destacado, pois toda semana você vê professores de outros países e regiões do Brasil integrando bancas e conferências”, defendeu.

Apesar da ascensão, o professor acha que ainda tem muito que melhorar no Estado, principalmente nas ações de incentivo à cultura nos municípios do interior. “Quando nós falamos em cultura, só falamos em Manaus. O interior vive uma situação lastimável em termos culturais, já que tudo se concentra na capital. Precisamos descentralizar isso e construir mais teatros, cinemas e bibliotecas especializadas, pois o desenvolvimento da Amazônia depende dessa força cultural”, frisou.

Acadêmico

Atual ocupante da cadeira 32 da Academia, Renan diz que ingressar ao time de imortais do Amazonas é como entrar em um grupo de amigos, que já faz parte da sua vida há muito tempo. “Aldisio Filgueiras, Márcio Souza, Marilene Corrêa, Tenório Telles e Rosa Brito são apenas alguns dos amigos com quem convivi boa parte da minha vida e que transformam a Academia em um ambiente completamente familiar”, entregou, lembrando, também, antigos membros do seleto grupo que teve a oportunidade de conhecer pessoalmente, como André Araújo, Samuel Benchimol, Djalma Batista e Mário Ypiranga Monteiro.

“Senti-me prestigiado em ser associado a tantos outros grandes nomes do Estado, e é uma honra fazer parte de uma instituição na qual acredito bastante. Muitos estudos que fiz sobre a Amazônia foram através da ‘Revista da Academia’, então, mesmo sem pertencer a ela, já possuía um forte vínculo”, finalizou.

Perfil

Ernesto Renan Melo de Freitas Pinto

Data de nascimento: 11/08/1943

Signo: Leão

Filhos: André e Fabrício Freitas e Matheus Gondim

Formação: Letras - Língua e Literatura Inglesa pela UFAM, mestrado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), doutorado pela Universidade de São Paulo (USP) e pós-doutorado em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP)

Filme: “Terra em transe”, de Glauber

Cor: Vermelho, pois é a cor dos radicais e da revolução

Lembrança: “A amizade e o exemplo do professor Octavio Ianni, com quem trabalhei no meu doutorado. Tenho uma grande admiração pelo que ele representa para a cultura brasileira”

Livro: “Um autor com que estou trabalhando muito agora é Theodor Adorno, importantíssimo da Teoria Crítica. Ele é, hoje, um escritor chave, com mais de 100 obras publicadas por brasileiros sobre o seu trabalho”

Paixões: Leitura e música

Saudade: De Olinda (foto acima). “Onde passei uma parte muito boa da minha vida”


Personagem literário: Diadorim, do livro “Grande sertão: Veredas”, de João Guimarães Rosa

Comida: Caruru, vatapá e as caldeiradas do Amazonas