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GESTÃO

Novo secretário de cultura promete aproximação com classe artística do AM

Em entrevista ao BEM VIVER, o titular da SEC, Denilson Novo, traçou as diretrizes para a nova gestão, além de afirmar que tem “grande interesse” em manter os festivais realizados pelo Estado 02/11/2017 às 16:30 - Atualizado em 02/11/2017 às 18:33
Show denilson novo
Denilson foi chefe da Divisão de Marketing da Secretaria de Comunicação da Prefeitura entre 2010 e 2012 (Foto: Evandro Seixas)
Rosiel Mendonça Manaus (AM)

O anúncio do nome de Denilson Novo como o substituto de Robério Braga à frente da Secretaria de Cultura (SEC), há cerca de um mês, pegou a classe artística de surpresa. Afinal, chegava ao fim a gestão responsável por traçar e implementar as políticas culturais do Estado nos últimos 20 anos. O momento é de expectativa pelo que virá, e algumas respostas serão dadas na próxima terça-feira (7), quando o novo secretário terá uma reunião aberta com artistas e produtores amazonenses, no Palacete Provincial.

Antes disso, Denilson recebeu o BEM VIVER no Centro Cultural Palácio Rio Negro para uma de suas primeiras entrevistas após a posse como titular da SEC. Nela, o secretário fala sobre os desafios da nova gestão, que terá 14 meses para renovar o fôlego da pasta e descentralizar as suas atividades. “Estamos trabalhando para nos adequar ao novo cenário político e econômico. Hoje precisamos reduzir custos e fazer muito com pouco, mas a transformação tem que vir de dentro pra fora”, diz ele, Relações Públicas de formação e músico integrante da banda Os Tucumanus.

Quem é Denilson Novo e qual a sua visão de cultura?

Essa é uma pergunta que eu sempre fico matutando, porque dá margem para várias respostas. Mas, resumindo a ópera, sou amazonense, filho de amazonenses, mas não de “famílias que pesam o sobrenome”, como diz uma letra dos Tucumanus. Sou apaixonado pela cultura amazonense e pelo modo como nossa gente se relaciona com o meio em que vive. Desde sempre optei por projetos que pudessem vincular esses sonhos e ideais. A Comunicação também se abriu como um desses caminhos, sempre com a música em paralelo. O movimento Pirão AM, do qual sou fundador, mas não o dono, é um exemplo disso. Ele veio da necessidade de buscar espaço e alternativas para nossa arte, agregando pessoas e ideias.

A vida preparou você para esse momento como secretário de cultura?

Acredito que nada seja por acaso, tudo acontece com um propósito. Estamos diante desse desafio, e quando recebi o convite para encará-lo, foi com muita honra e sentimento de responsabilidade. Esse é um momento ímpar da nossa história, por tudo que o Amazonas e a política brasileira vêm passando. Não tenho vínculos partidários e nenhum outro vínculo que não seja o meu compromisso com a cultura. Acredito que este seja um governo menos político e mais técnico, ele vem com uma proposta bem clara e definida. Tudo que nós queremos é agir de forma coerente para atender às necessidades do nosso chefe maior, que é a população amazonense.

Que marca pretende imprimir à sua gestão?

Temos um curtíssimo tempo para isso, mas nesse período quero dar continuidade ao que está dando certo, e é inegável o legado que a SEC conquistou e tem deixado para a população. Agora queremos usar nossos recursos e talentos para potencializar o desenvolvimento cultural no nosso Estado. Estamos trabalhando com base em alguns pilares. O primeiro é a parceria, que nos faz buscar alternativas diante do atual cenário econômico. Isso envolve tanto a parceria da SEC com ela mesma, no sentido de conhecermos nossos próprios processos e trabalhar a interdisciplinaridade, quanto a parceria com outras instituições públicas e privadas e com os artistas e produtores. Outro pilar é a simplicidade: queremos simplificar os processos, os sistemas burocráticos e de gestão, para melhorar o relacionamento com a classe e o público em geral. Outros pilares são a aproximação com a nossa realidade e a transparência das nossas posturas e ações.

Recentemente, a secretaria começou a receber propostas para a ocupação dos seus espaços culturais. Essa é uma das ações em curto prazo?

Sim, a ocupação dos espaços culturais com atividades que fortaleçam nossa identidade e valorizem a nossa cultura é outro pilar dessa nova gestão. Acreditamos que esses espaços devem se projetar para preencher lacunas da sociedade que dão lugar à violência e outras mazelas. O Liceu Cláudio Santoro faz esse trabalho por meio da arte, temos indicadores que apontam isso. Esse chamado à ocupação representa uma aproximação com a classe artística, mas queremos potencializá-lo no próximo ano. Os centros culturais da SEC podem ser autossustentáveis e vetores de desenvolvimento econômico, oportunizando o mercado cultural. Isso pode acontecer, por exemplo, pela cobrança de voucher para turistas, ainda que por um preço simbólico, para termos verba nem que seja para trocar uma lâmpada. A gratuidade em tudo é perigosa porque mexe com o mercado, que desenvolve uma dependência da Secretaria e enfrenta concorrência desleal. Por que o amazonense vai pagar por um show que amanhã ele pode ter de graça? Queremos que todos saiam ganhando. Por isso, também estamos estudando alternativas para que o artista possa cobrar ingresso nos espaços da SEC. Por enquanto, precisamos transpor barreiras burocráticas.

E que ações projetam em longo prazo?

Existem várias em estudo, nem todas tão impactantes ou diretamente explícitas ao público. Estamos dando continuidade em muitas atividades que já estavam programadas. Teremos que fazer quatro anos de gestão em apenas um. Mas já avançamos bastante na compreensão do corpo da Secretaria. Um dos projetos em desenvolvimento é uma cartografia da cultura amazonense, que usará nosso próprio cadastro de artistas contratáveis. A proposta é ampliar esse cadastro por meio de um portal em que os artistas poderão se cadastrar e ter seus perfis online, para serem facilmente localizados. Isso vai dar mais transparência para nossas contratações e vai estreitar os relacionamentos. Outro trabalho em estudo é para processos criativos de capacitação, que vão abranger todo o Estado. Vamos promover o intercâmbio e a formação de agentes culturais e talentos do interior para que eles possam ser multiplicadores em suas comunidades. Através dele, a SEC vai chegar lá.

Calendário de eventos

Denilson Novo diz que tem “grande interesse” em manter os festivais realizados pela Secretaria de Cultura. “A ideia é aproveitar da melhor forma possível esses eventos para que eles não sejam apenas eventos. Queremos transformá-los em ninho para novos processos, para que eles despertem outras sensibilidades além do circuito do Centro. Não se trata de lutar contra o que temos de bom. Para o Festival de Ópera do próximo ano, já temos parceria com o governo da Indonésia e conversas com os de Portugal e da França”, adianta.

serviço

o quê: Encontro com a classe artística

quando: Dia 7 de novembro, às 10h

onde: Palacete Provincial (Praça Heliodoro Balbi – Centro)

quanto: Acesso  livre