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Dia Teatro

O amor e a dedicação de artistas que fazem teatro em Manaus

Artistas do teatro amazonense falam da paixão e dedicação à arte e também dos desafios que precisam ser superados 27/03/2012 às 09:55
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A arte de representar é celebrada no Dia Mundial do Teatro
Cassandra Castro Manaus

Amor, dedicação, ousadia e muito trabalho. Ser artista de teatro é um ofício encarado com muita paixão pelos atores, atrizes, diretores, figurinistas, cenógrafos e demais profissionais abnegados espalhados pelo Brasil e pelo mundo. Esta arte que é representada por duas máscaras simbolizando os gêneros da tragédia e comédia é homenageada no dia 27 de março no qual é comemorado o Dia Mundial do Teatro. A data foi criada em 1961, pelo Instituto Internacional do Teatro (ITI) e faz referência à data de inauguração do Teatro das Nações em Paris.

Em Manaus, como em muitas outras cidades brasileiras, fazer teatro é trabalhosamente prazeroso e apaixonante. Que o diga Selma Bustamente,56, que chegou à cidade vinda de São Paulo primeiro para conhecer e trabalhar, mas sem nada muito definido. Selma é uma militante do teatro  e despertou em muitos o amor pelos palcos. Selma é a idealizadora do grupo de teatro Baião de Dois, que é referência em Manaus e serviu de escola para muitos atores e atrizes na cidade. Selma conta que a realidade do teatro brasileiro ainda é pouco vista e conhecida. “ Apesar de toda a tecnologia que existe, as pessoas desconhecem muito o que é feito no resto do Brasil.  Apenas em estados que tem maior visibilidade por causa da mídia como São Paulo, Rio de Janeiro , é que se tem uma ideia do que está sendo produzido”, comenta.

Para Selma, o cenário teatral em Manaus teve evoluções importantes, aumentou o número de grupos, existem mais espaços nos quais os artistas podem apresentar seus trabalhos e eventos esporádicos. Apesar de tudo isso, a diretora de teatro acredita que é necessário um aprofundamento do fazer teatral na cidade.  “ A classe teatral em Manaus é mobilizada, mas esta mobilização é pontual, precisa haver uma discussão mais aprofundada de uma política cultural para o teatro na cidade e no Amazonas”, afirma Selma. A artista acredita que o artista precisa estar sempre buscando, procurando se aprimorar , ele não nasce sabendo tudo. “ Nós temos ainda aqui em Manaus uma cultura de que um espetáculo fica velho muito rápido,mas não é bem assim. O público de teatro varia e o artista precisa aprofundar seu trabalho para oferecer algo diferenciado para sua plateia”.

A busca e a experimentação também são palavras chaves para o grupo Beija-Fulô criado em 2006 por um grupo de alunos de artes cênicas que queriam justamente experimentar um fazer teatral diferente e isso exige também muito estudo. Wallace Abreu, 25, é itacoatiarense mas vive em Manaus e faz parte do grupo. Ele conta que é muito comum as pessoas ou até mesmo alguns grupos acharem que fazer teatro é algo simplório e que não exige preparação. “ Fazer teatro requer muito estudo e muita dedicação. Se um grupo pensa em montar um espetáculo para o público infantil, precisa ter um certo conhecimento da psicologia infantil, por exemplo. Cada gênero teatral exige muito do ator/atriz.

Wallace é o único que ainda restou da formação original do grupo. Muitos integrantes seguiram outros rumos, viajaram, precisaram se dedicar a uma outra atividade profissional. “ Ninguém vive só de teatro, não só aqui mas em muitas outras cidades brasileiras. Algumas pessoas acabam deixando de lado o teatro porque tem toda esta questão de ter muitas vezes de ensaiar em horários alternativos justamente porque boa parte dos artistas trabalha em outro ofício e aí acaba tendo que sacrificar momentos inclusive de descanso ou lazer para os ensaios”, conta Wallace.

O ator aponta avanços conquistados pelo Amazonas como a melhoria na qualidade técnica dos espetáculos produzidos, a gradativa formação de plateia entre o público manauense e a criação de um curso de graduação em teatro que é oferecido pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA), uma antiga reivindicação da classe teatral amazonense. Mas , o teatro, como outras manifestações culturais, ainda tem dificuldades para chegar ao interior do Amazonas. “Temos o problema da difícil logística para chegar a alguns municípios o que limita bastante a popularização do nosso teatro”.  Um desafio a mais para ser superado por todos os que amam o teatro.