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'O pop rock perdeu lugar na preferência da juventude', diz Samuel Rosa do Skank

Em entrevista ao UOL, Samuel Rosa falou sobre como vê o atual cenário da música no Brasil 31/07/2012 às 10:44
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Banda Skank
uol/música ---

Às vésperas de celebrar 20 anos de lançamento do primeiro álbum de sua banda, "Skank", Samuel Rosa acredita que "o pop rock perdeu lugar na preferência da juventude". Formado ainda por Henrique Portugal, Lelo Zaneti e Haroldo Ferreti, o Skank se tornou um dos grupos mais bem-sucedidos do gênero pop rock emplacando hits como "Garota Nacional", "Pacato Cidadão" e "Resposta"

Em entrevista ao UOL, Samuel falou sobre como vê o atual cenário da música no Brasil. "De um lado, vejo uma rapaziada antenada, fazendo coisas melhores, mas pouco acessíveis. De outro, vejo um pop rock adocicado, infantiloide". Para ele, não há bandas jovens como o Skank ou o Jota Quest, que agreguem públicos variados. Para dialogar com seus "variados fãs", o Skank acaba de lançar o álbum "Skank 91".

"Temos desde os fãs que só escutam o que está na rádio, até aqueles que querem saber mais, entender mais a banda. Não temos pretensão de vender milhares de cópias com esse CD. Talvez as rádios nem se interessem, mas deve interessar a muita gente", declarou. "O 'Skank 91' é um mimo, um docinho para os fãs do Skank. É um pedaço da nossa história que está sendo contada. Um bastidor, uma intimidade que está sendo revelada", explicou o vocalista.

As gravações incluem de registros da banda no Disco Reggae Night, em São Paulo, a músicas que não entraram no disco original, caso de "Raça", de Milton Nascimento, e de "Shot in the Dark", de Henri Mancini. "Reunimos os primórdios do Skank. Tivemos sorte, porque essas gravações tinham uma qualidade razoável para serem lançadas hoje. Está sendo divertido mostrar isso para as pessoas", opinou Samuel sobre o repertório que flerta basicamente com o reggae e o ska.

O músico fez questão de descartar o caráter comemorativo do lançamento. "Não estamos celebrando os 20 anos, não existe essa data simbólica. Quisemos trazer à tona algo que nos pareceu autêntico", frisou Samuel, que define o álbum como "um rascunho do que seria o álbum de lançamento do Skank".

Sobre o crescimento do grupo nesses 20 anos, Samuel afirmou que "a banda continua relevante para muita gente". "Nossos discos vendem bem, somos chamados para festivais. Ainda transitamos pelo universo que escolhemos transitar, o da rádio FM", garantiu o vocalista. As diferenças, segundo ele, são principalmente nas composições. "Ainda bem que eu não componho mais daquele jeito. Seria estranho estar sempre atrelado a uma mesma estética".

A banda não irá fazer turnê de novo projeto, mesmo que Samuel não veja problemas em cantar sempre os sucessos. "Não me incomodo em defender 'Garota Nacional' ou 'Pacato Cidadão'. Isso é a música pop", frisou.

Sem previsão de lançamento de um disco de inéditas – ou melhor, "de um disco com músicas compostas recentemente" –, Samuel não descarta projetos futuros envolvendo parcerias com Nando Reis e Lô Borges. Quanto ao sucesso do "casamento" de mais de 20 anos com os outros integrantes, ele revelou: "Às vezes, é preciso dar um tempo, ter encontros mais esporádicos, tocar outros projetos. Chega um momento em que cada um olha mais para si".