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Obras de Caio Fernando Abreu serão base para o espetáculo ‘Amores Urbanos’

O espetáculo é composto pela adaptação de três contos do autor gaúcho, que são ‘Os Sobreviventes’, ‘A Dama da Noite’ e ‘Caixinha de Música’. As três obras representam os três fragmentos, nos quais a peça teatral será dividida 09/10/2012 às 12:36
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De acordo com o diretor do espetáculo, Wallace de Abreu, foi necessário 1 ano de pesquisa sobre as obras do autor
Laynna Feitoza Manaus, AM

Um quarto de apartamento será o cenário do espetáculo ‘Amores Urbanos – De Seu Caio, o Fernando Abreu’, que estréia em Manaus neste sábado (6), às 19h, no Casarão de Ideias, localizado na rua Monsenhor Coutinho, 275, bairro Centro. A peça teatral, apresentada pelo Grupo Beija-Fulô, dirigida por Wallace Abreu e com elenco composto por Eduardo Gomes e Tharcila Martins, é baseada na adaptação de obras do escritor Caio Fernando Abreu. A entrada é franca.

Pesquisa sobre o autor

De acordo com o diretor do espetáculo, Wallace de Abreu, foi necessário 1 ano de pesquisa sobre as obras do autor gaúcho, para que o núcleo artístico mergulhasse no clima e reproduzisse o intimismo e a simplicidade proposta pelos contos do autor em cena.

“Caio foi um grande escritor brasileiro na década de 80. As principais características das obras dele são o amor, morte, sexo e angústias, e também foi conhecido como o escritor que retratava o cotidiano, o dia a dia das pessoas”, ressaltou o diretor.

Três fragmentos

O espetáculo é composto por três contos do autor gaúcho, que são ‘Os Sobreviventes’, ‘A Dama da Noite’ e ‘Caixinha de Música’, cuja adaptação é assinada pelo cearense Manuel Rocha. As três obras representam os três fragmentos, nos quais a peça teatral será dividida.

Naturalismo em pauta

Todo o âmbito da peça está centrado no conceito de naturalismo, identificado como premissa principal das obras de Caio.

“Há muitas formas de trabalhar o teatro, e o naturalismo é uma das formas mais cotidianas. Evitamos, com o estilo, tipos estereotipados e excesso de interpretação, para trazer o espectador à realidade da história. Temos o objetivo de buscar maior organicidade, maior naturalidade, como se fosse uma situação cotidiana, conforme defendeu o autor em suas obras”, assegurou Abreu.

O quarto, o espectador e a realidade

E para aproximar os espectadores do ar intimista do espetáculo, a produção fará com que os prestigiadores ingressem além do ambiente teatral, e alcancem o núcleo real das obras adaptadas.

“O cenário é um quarto real projetado no estúdio. As pessoas terão a oportunidade de entrar nesse quarto e assistir toda a situação teatral de perto. A ideia de colocarmos o espectador no quarto surgiu de indicações do próprio Caio que, em seus textos, costumava dizer que são nos quartos que as pessoas mostram quem elas realmente são. E levaremos os espectadores para o íntimo desses personagens”, certificou Wallace.

Trilha sonora

As músicas da cantora Angela Ro Ro foram escolhidas para embalar a trilha sonora do espetáculo por conta da proximidade com Caio Fernando Abreu, e serão transmitidas por meio de uma caixa acústica.

“Utilizaremos a Angela Ro Ro porque Caio citou, no início da obra ‘Os Sobreviventes’, que o conto devia ser lido ao som de Angela Ro Ro. Além da pesquisa sobre as características das obras do autor, fizemos também uma pesquisa centrada na carreira e nas músicas da cantora, o que demorou um tempo. Após compilarmos tudo, chegamos à conclusão que seria a Angela quem representaria o som do espetáculo”, afirmou o diretor, lembrando que cada cena (fragmento) contém uma música da artista como pano de fundo, porque as composições reproduzem fielmente o enredo das cenas.

Das músicas selecionadas para a peça teatral, estão ‘Balada da Arrasada’, que acompanhará a cena ‘Dama da Noite’. “A Dama da Noite é uma prostituta fora da roda da sociedade. A música da Angela conta a história de uma mulher que não tem mais saída, que vive no quarto, trancada e bêbada sob o efeito de remédios”, contou o diretor.

Na cena ‘Os Sobreviventes’, Angela entrará com a canção ‘Só Nos Resta Viver’. “A música retrata a história de um casal que se uniu por conveniência. A mulher é lésbica e o homem é gay, e eles se casam para mascarar a imagem deles pra sociedade. Eles resolvem se separar e a música conta esse momento de separação, da decisão de largar tudo para viver o que sempre se quis”, disse Abreu.

Já na última cena, correspondente à obra ‘Caixinha de Música’, a canção ‘Dorme, Sonha’, também de Angela, mostrará o mundo dos sonhos vividos pelos casais. “A letra da música retrata um sonho vivido por um casal que é exatamente o enredo do ‘Caixinha de Música’. A terceira cena é o despertar de um casal através de um sonho, que representa o casamento deles. Na cena, o personagem acorda do sonho do casamento, onde depois ele desperta para o mundo real, e enxerga que a união não é só feita de sonhos’, concluiu Wallace.