Publicidade
Entretenimento
Vida

Ópera baseada na poesia de Max Carphentier será reapresentada no Teatro Amazonas, em Manaus

A obra de resgate infantil e folclórico, 'Onheama', terá sua segunda apresentação nesta quarta (28), por meio do XVIII Festival Amazonas de Ópera 27/05/2014 às 14:54
Show 1
Reapresentação da ópera 'Onheama' promente encantar novamente os amazonenses
Laynna Feitoza Manaus (AM)

A mitologia amazônida entrelaçada na saga de um mini-guerreiro ganha uma brilhante revisitação musical para o público infanto-juvenil na obra “Onheama”, que terá sua segunda apresentação nesta quarta-feira (28), às 20h, no Teatro Amazonas (Largo São Sebastião, Centro), por meio do XVIII Festival Amazonas de Ópera. Não é a toa que a apresentação cativou plena lotação em sua data de estreia mundial, ocorrida no último domingo (25). Um caldeirão de cores, lendas, dinamismo, talento (tanto adulto quanto infantil) e um leve humor se espreitaram ao público que conferiu a obra, classificada como uma ode à infância dos cidadãos da Amazônia.

Tecida com base no poema “A infância de um guerreiro”, de Max Carphentier, a ópera teve as palavras de seu texto redesenhadas com música pelo renomado regente João Guilherme Ripper e ganhou vida por meio da coragem e maturidade musical do sopranino Edilson Cardoso, intérprete de Iporangaba, o protagonista da história. Nela, ele trava uma caminhada acompanhado da sereia Iara (soprano Dhijana Nobre) e pelo boto (tenor Enrique Bravo), para salvar Guaraci, o chamado Sol dos Domínios, do “estômago” da onça celeste Xivi (soprano Isabelle Sabrié, competentemente equilibrada na dupla interpretação do felino e de Nhandeci, a mãe da tribo). A introdução da saga é cantada por Tuxaua, o pai da tribo, vivido pelo barítono Rafael Lima.

A libertação de Guaraci do estômago de Xivi acarreta em impedir que a onça devore também a lua e as estrelas, evitando que a tribo dos Manaós e o mundo inteiro sejam submergidos na escuridão eterna. Com duração digerível (em três atos que juntos duram 1h30 min), a montagem seduz a plateia por ser cantada em português, e pelo impressionante brilhantismo dos artistas presentes no palco.

Um destes exemplos é o tenor Enrique Bravo, que mistura o charme da versão humana do boto à comédia (cujo imponente canto e demais gracejos “assustam” e divertem até as vitórias-régias em cena) e a soprano Isabelle Sabrié, a viver no palco as singularidades de mãe da tribo e da onça celeste com verdade e coesão, tornando imperceptível ao espectador o fato de que os dois papéis são interpretados pela mesma mulher.

Pontos

Um fator determinante para o êxito de “Onheama” se evidencia também na capacidade de trazer à tona as lendas regionais em cada ângulo apresentado, a exemplo da aparição do boto enquanto animal e depois o foco na sua transformação, seguido pelo seu cortejo à sereia Iara, nada oposta à sua principal característica no folclore real: a de encantar, quem quer que seja. Uma montagem lúdica ao seu ponto real, de resgatar até na luta e nos passos do pequeno (e grande) corajoso Iporangaba uma analogia entre a curiosidade dos pequenos em desvendar mitos – e o mundo – a fundo.

Serviço

O quê: Reapresentação da ópera “Onheama”

Quando: quarta (28), às 20h

Onde: Teatro Amazonas (Largo São Sebastião, Centro)

Infos: (92) 3633-2850