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Ópera "com pimenta" durante Festival em Manaus

O concerto "Ópera bem temperada", na próxima quarta-feira (2), vai unir música e dança no palco do Teatro Amazonas 28/04/2012 às 09:29
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Baião, toada de boi bumbá, rock e outros ritmos vão "temperar" óperas famosas
Jony Clay Borges Manaus

Além de grandes produções do repertório lírico, o Festival Amazonas de Ópera (FAO) também investe em eventos e produções alternativas, que desmentem a ideia errônea de que ópera é algo “só para intelectuais”. Depois do flash mob na Saraiva Megastore, outra iniciativa da atual edição do festival nesse sentido é o concerto “Ópera bem temperada”, que acontece no dia 2 de maio, quarta-feira, no Teatro Amazonas, com entrada franca.

O espetáculo trará trechos de óperas famosas, executados com ritmos e instrumentos musicais populares, acompanhado de números de dança. O concerto vai reunir três corpos artísticos da Secretaria de Estado de Cultura (SEC): Orquestra de Violões, Coral do Amazonas e Balé Folclórico do Amazonas. A direção musical e regência são de Davi Nunes e Zacarias Fernandes, e a coreografia é de Conceição Souza.

Cross-overs

A proposta de combinar ópera, dança e música popular foi de Marcelo de Jesus, diretor artístico adjunto do 16º FAO, que concebeu a ideia de reunir os três Corpos Artísticos nos mesmos moldes do Concerto Regional, realizado ano passado, para promover um cross-over – mistura de estilos – inusitado. “O cross-over já é algo comum no mercado musical. Recentemente uma cantora lírica lançou um CD de rock, por exemplo. Assim, propus aos grupos que pegassem grandes coros ou trechos famosos e apresentassem em ritmos brasileiros – daí o ‘tempero’”, explica.

Ao todo, o concerto terá 12 trechos de óperas, todos adaptados para ritmos conhecidos do grande público. “Vamos tocar a abertura de ‘Barbeiro de Sevilha’ em ritmo de rock n’ roll. Vamos fazer ‘Carmen’ em ritmo de baião. Outros trechos a plateia vai ouvir em estilos como reggae, Bossa Nova, chorinho e até ritmos amazônicos”, antecipa Nunes, maestro titular da Orquestra de Violões. Embora bem diferentes dos originais, os arranjos assinados por César Lima e Edson Lopes, ele informa, são reconhecíveis. “Não deixa de ser um concerto operístico, pois são peças de óperas, porém com roupagens modernas, reestilizadas”, afirma.

Cor e movimento

Alguns dos trechos operísticos “bem temperados” serão acompanhados de coreografias dos 36 bailarinos do Balé Folclórico, em sintonia com os novos ritmos de cada peça. “‘O guarani’ é tocado em ritmo de toada, e ‘La traviata’ vem como um baião. Estamos fazendo coreografias sobre esses ritmos, e o resultado hiperalegre, contagiante”, afirma Conceição Souza, diretora do balé. O figurino, ela acrescenta, combina o folclore em saias coloridas e chitão, com trajes de óperas adaptados. “Ficou bem interessante”, diz.

Para Nunes, a ópera com tempero popular vai surpreender e agradar a plateia: “A ópera era a música popular no passado, e hoje nós trazemos essa música, mas adaptando-a para nossos dias. O público vai gostar e se identificar, percebendo que a música rompe fronteiras de tudo, e uma prova disso é fazer música dos séculos passados adaptada aos dias de hoje”.