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Flauta Mágica

Ópera de Mozart alia tecnologia e contexto amazônico no Festival Amazonas de Ópera

Uma das óperas mais esperadas desta edição do Festival Amazonas de Ópera,  " A Flauta Mágica" de Mozart, traz tecnologia e releitura contemporânea    11/05/2012 às 12:17
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Montagem de " A Flauta Mágica" de Mozart, vai contar com tecnologia e ganha ares contemporâneos
Jony Clay Borges Manaus

O antagonismo entre a Luz e as Trevas, apresentado de forma alegórica na ópera “A Flauta Mágica”, vai se transformar num embate entre as forças de preservação e destruição da Amazônia, na montagem da peça que estreia domingo, às 19h, no Teatro Amazonas. A concepção cênica é de Robert Driver, diretor geral e artístico da Opera Company of Philadelphia, que coproduz o espetáculo com o 16º Festival Amazonas de Ópera (FAO).

Na versão contemporânea de Driver, a vilã Rainha da Noite é uma empresária ambiciosa, que usa a filha, Pamina, para obter poder. Já o sacerdote Sarastro foi concebido como um ex-empresário que trocou os negócios por uma vida simples na floresta. “O que quero mostrar é que Sarastro é o mundo em equilíbrio com a natureza, e a Rainha, o mundo que só pensa em dinheiro”, explica o diretor. As provações vividas por Pamina e Tamino na peça, na visão dele, são simbólicas para qualquer jovem. “Eles estão, no sentido do século 18, na escuridão, e precisam chegar à luz. É uma educação deles para chegar, esperamos, mais perto de Sarastro que da Rainha”.

 Diretor insere em obra de Mozart particularidades amazônicas

Driver ainda se inspirou em figuras do mundo pop, como a Miranda Priestley do filme “O diabo veste Prada”, ou a Lara Croft do game “Tomb Raider”, para os respectivos papéis da Rainha e de suas três Damas. O príncipe Tamino surge como um naturalista do final do século 19.

Tecnologia

Além das referências contemporâneas, a montagem d’“A Flauta Mágica” terá recursos tecnológicos da atualidade. Projetores vão exibir paisagens em movimento numa tela curva, enquanto o cenário terá paredes que se movimentam e elevadores. “Quis poder trocar imagens, como as da floresta, sem perda de tempo, com movimento. Para mim é incrível podermos fazer isso. Esse teatro é uma maravilha”, elogia Driver.

 Norte-americano nascido no Brasil, o diretor lembra que o pai o exortou a conhecer o Teatro Amazonas. “Na última conversa que tive com meu pai, ele disse, ‘Um dia você precisa ir a Manaus para ver esse teatro’. No dia seguinte ele morreu. Uns 20 anos depois vim para ver, somente. Agora fazer uma ópera aqui é incrível”, comenta ele. “É um prazer enorme trabalhar aqui, pois todos trabalham com vontade, seja Apolo (Muniz) ou a senhora que abre a porta. É preciso dizer: a boa vontade é, creio, uma coisa brasileira. Não se vê em todo mundo”.

Versão alemã é estreia

Em Manaus, a ópera de W.A. Mozart (1756-1791) terá duas récitas na íntegra em alemão – pela primeira vez no Brasil – e outras duas na íntegra em português. Comumente, as produções nacionais mesclam falas em português e trechos cantados no original alemão. Cada versão terá diferentes elencos, um com cantores convidados em sua maioria, e outro com cantores do cenário local.

“É interessante fazer dessa forma, pois o texto é o mesmo, mas duas pessoas fazem a mesma coisa de um jeito bem diferente”, comenta Robert Driver, que se surpreendeu com o talento dos artistas locais e nacionais. “Já escolhi os cantores que farão a peça na Filadélfia porque não conhecia ninguém daqui, mas os dois elencos são fantásticos”.

Marcelo de Jesus, maestro e diretor artístico da ópera, lembra que o trabalho com o elenco local iniciou em fevereiro, com a colaboração de seu assistente Hilo Tiago. “Ele é um jovem músico de Manaus, e é uma pessoa séria e comprometida com o seu trabalho”, elogia. O regente acresce que é a primeira vez que dois elencos, um de convidados e outro local, trabalham com um diretor estrangeiro. “Isso mostra um outro estágio de profissionalização da gente daqui. Não significa que estamos prontos, mas que lacunas estão sendo preenchidas. Estamos caminhando sempre à participação maior e de qualidade dos artistas locais”, diz.