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cultura, Festival de Ópera, Teatro Amazonas

Ópera "Lulu", encenada em Manaus, terá referências brasileiras

Obra-prima do austríaco Alban Berg, a montagem será apresentada no 16º Festival Amazonas de Ópera, e terá cenário de Carnaval a palafitas 07/04/2012 às 15:19
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Versão do diretor Gustavo Tambascio para a ópera se passa no Rio, Petrópolis (RJ) e Manaus
Jony Clay Borges Manaus

Originalmente ambientada nos Estados Unidos, França e Inglaterra, “Lulu” ganhará cores, paisagens e referências históricas brasileiras na primeira montagem da ópera na íntegra e cantada em alemão no País, a ser encenada dias 20, 22 e 28, deste mês, no Teatro Amazonas, localizado no Centro de Manaus.

A façanha se deve ao hispano-argentino Gustavo Tambascio, diretor cênico do espetáculo que é um dos destaques do 16º Festival Amazonas de Ópera (FAO).

Obra-prima do austríaco Alban Berg, “Lulu” narra a história da ascensão de uma mulher por meio do sexo, e sua posterior derrocada, da prostituição até a morte por assassinato.

Na versão da ópera concebida por Tambascio, os cenários e figurinos transpõem a trama para o Brasil dos anos 1930, com Lulu seguindo seu trajeto parabólico pelo Rio de Janeiro, Petrópolis (RJ) e Manaus – onde ela encontra seu desfecho trágico.

A cenografia de Leonardo Ceolin, do Ateliê La Tintota, traz ícones cariocas (o Calçadão de Copacabana, o Morro da Urca), um cassino (inspirado no Palácio Quitandinha, de Petrópolis) e palafitas de Manaus.

Toda a ação se passa no período de Carnaval, desde o prólogo, no qual animais de circo (bailarinos da Companhia de Dança do Amazonas, com fantasias criadas pela carnavalesca Rosa Magalhães) se confundem com foliões, até a última cena, quando a festa dá lugar à ressaca.

Homenagem e memória
 A ideia de ambientar a peça em Manaus, conta Tambascio, veio de uma sugestão de um colega, o diretor belga Gerard Mortier.

“Ele disse que ‘Lulu’ teria de morrer em Manaus, e não em Londres”, recorda ele.

“Após falar com o (Luiz Fernando) Malheiro (diretor artístico do FAO e diretor musical de ‘Lulu’), decidi que a peça toda se passaria no Brasil”. Foi também uma oportunidade para o diretor, que morou no Brasil por vários anos, de revisitar referências desse período de sua vida, como a decoração com borboletas que ele viu nas paredes da casa do pai, no Rio; a febre dos cassinos no País; ou a loucura dos bailes de Carnaval no Copacabana Palace.

“Quis fazer uma homenagem àquela alegria louca”, ele comenta.

Violência e paixão
Adaptação de uma peça célebre de Frank Wedekind, “Lulu” causou escândalo na sua estreia, em 1937, com sua trama de violência e exploração sexual. Na trama, Lulu seduz vários homens (e uma mulher), que literalmente se matam por ela, e depois acaba numa situação miserável e abjeta.

“A peça é o que é: o uso do sexo por essa mulher para subir e atingir sua liberdade; por parte dos homens, para possuir essa mulher; e depois o uso do sexo como exploração”, resume Tambascio.

A essa receita, o hispano-argentino decidiu acrescentar algo de humor. “Introduzi humor na tragédia, pois é algo sombrio demais”, afirma.

“A tragédia segue paralela ao grotesco da comédia. É uma interpretação minha, e que acho que é próximo do que Berg quis dizer. Mas essa, como toda grande obra artística, presta-se a muitos níveis de interpretação”.

Tambascio antecipa que, no final, a peça será um grande entretenimento para o público.

“Vamos ver cantores maravilhosos e um espetáculo que não se parece com nada que se tenha visto nunca. Não digo que seja melhor ou pior, mas não se parece com nada visto até agora”.

Pintura
Na montagem amazonense de Lulu, o retrato da protagonista feito pelo Pintor e usado em cena é uma homenagem ao quadro “Pierrete”, do pintor carioca Di Cavalcanti