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Entretenimento
Estreia Lulu

Ópera Lulu tem estreia nacional no XVI Festival Amazonas de Ópera

Montagem da obra do compositor austríaco Alban Berg vai trazer até chuva cênica ao palco do Teatro Amazonas em Manaus e marca estreia nacional de Lulu 20/04/2012 às 11:08
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Na "Lulu" do FAO, a trama em torno da ambiciosa protagonista ( a soprano Anke Berndt) se passa no Brasil
Jony Clay Borges Manaus

Numa espécie de sintonia com a montagem, que apresenta elementos do Carnaval brasileiro, “as águas vão rolar” em “Lulu”, literalmente. É que o espetáculo terá uma cena com chuva cênica – feita com água de verdade –, fazendo “chover” no palco do Teatro Amazonas pela primeira vez na História da casa de ópera. O espetáculo estreia nesta sexta (20), às 20h, abrindo a temporada lírica do 16º Festival Amazonas de Ópera (FAO), com direção musical e regência de Luiz Fernando Malheiro, e direção cênica de Gustavo Tambascio.

 O prodígio de fazer chover no palco de um espetáculo lírico representou uma tarefa difícil para a equipe técnica do FAO. “O desafio foi o de alagar o teatro e não acabar com a cena por conta do barulho da água ”, comenta Flavia Furtado, diretora de Palco e de Produção no festival, acrescentando que o recurso demandou enorme trabalho de engenharia. “É a primeira vez que vai chover no palco do Teatro Amazonas, e está chovendo mesmo”.

Experimentos

 A chuva de “Lulu” será produzida a partir de duas mangueiras ligadas a um tanque de água, tudo disposto sobre o palco. Antes de chegar a esse esquema final, porém, houve várias experiências. “Os técnicos fizeram várias experiências, avaliando se se faria com chuveiros ou não, e até os tipos de pingo”, comenta a diretora.

 A água não cairá diretamente sobre o palco: o líquido cairá sobre uma lona impermeável, forrada com pano para evitar barulho em cena. Da lona, por um alçapão, a água escorrerá para um bolsão que a levará ao fundo do fosso dos instrumentistas – também para evitar o ruído do escoamento. O resultado final agradou toda a equipe. “Está todo mundo bem feliz, porque deu supercerto”, afirma Flavia. A chuva cênica, ela diz, será na cena final de “Lulu”. “As pessoas têm de ficar até o final da ópera para não perder”, recomenda.

Violência e paixão

 Tida como uma das peças mais importantes do repertório lírico do século 20, “Lulu” estreou em 1937, sem o terceiro ato, deixado incompleto por conta da morte do compositor, o austríaco Alban Berg. Apenas nos anos 1970 a peça foi completada, com música adicional de Friedrich Cerha, e é essa versão — cantada em alemão – que será apresentada em Manaus, numa estreia nacional.

“Lulu” narra a história da ascensão de uma mulher por meio do sexo, e sua posterior derrocada e morte por assassinato. A trama tem cenas fortes de sexo e muitas mortes, algumas autoinfligidas. “‘Lulu’ não é aconselhável para crianças”, informa Luiz Fernando Malheiro, que recomenda o espetáculo ao público adulto. “Mas ela é uma ópera de grande intensidade e importância. E é uma experiência nova, algo que ainda não tínhamos feito no festival. A encenação feita pelo Gustavo é bastante instigante, e tem um ótimo elenco encabeçado por Anke Berndt, uma cantora maravilhosa”.