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Entretenimento
Entrevista Rui Carvalho

Organizador do Festival Amazonas Jazz fala sobre experiência de realizar o evento em Manaus

Organizador do Festival Amazonas Jazz desde a primeira edição afirma que nunca duvidou do sucesso da empreitada 26/07/2012 às 11:38
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Rui Carvalho, maestro da Amazonas Band
Virgílio Simões Manaus 26 de julho

O maestro Rui Carvalho é o organizador do Festival Amazonas de Jazz (FAJ) desde a sua primeira edição. Nascido em 1954, em Lisboa (Portugal), iniciou os estudos musicais na Suécia aos 18 anos. Chegou no Brasil em 1978. Foi professor em Tatuí, conhecida como a “capital da música” no interior do Estado de São Paulo, e se especializou em regência de Big Band.

A convite da Secretaria de Estado da Cultura (SEC) veio a Manaus em 2001, para ser maestro da Amazonas Band. Realiza o FAJ desde 2006. Enquanto se prepara para subir no palco do Teatro Amazonas, junto com a Amazonas Band e os músicos David Liebman e Marcelo Coelho, nos concedeu entrevista falando de sua trajetória e projetos.

Como vingou a ideia de um festival de jazz no Amazonas?

Eu nunca duvidei que o festival pudesse se tornar um sucesso, até porque foi uma realização da SEC, que conta com uma equipe de trabalho muito bem estruturada. Claro que um festival de jazz na Amazônia podia se tornar uma marca. Afinal, a Amazônia é símbolo de luta pela preservação ambiental, o que se constitui num signo de modernidade, tal qual o jazz ou, se você preferir, a música instrumental com alto grau de improvisação. Encontrei algumas dificuldades apenas fora do País, pois nem todos os agentes, especialmente de músicos dos Estados Unidos, sabiam alguma coisa acerca de Manaus. Mas as dificuldades estão aí para serem superadas, e cá estamos nós na sétima edição de um festival agora consolidado como um dos melhores no mundo. Palavra de quem roda o mundo, participando de outros festivais. Isso, para nós que trabalhamos na SEC, é motivo de orgulho.

 Foi difícil trazer músicos de fora, no início?

Tem uma história hilária: teve um agente que me perguntou, não ONDE ficava Manaus, mas o que ERA Manaus. Depois me perguntou se Manaus tinha hotéis. E por fim perguntou se os hotéis aqui tinham ar-condicionado. Mas a história mais hilária foi quando cheguei no pronto-socorro, totalmente estressado durante a organização do primeiro festival. E o médico de plantão, que não sabia quem eu era, me recomendou relaxar e ir assistir ao festival de jazz que começava dali a uma semana. Quando eu lhe disse que eu era o responsável pelo festival, ele arregalou o olho e saiu-se com esta: “Legal! Então me conta aí quem vem!”

Quais foram as maiores surpresas do FAJ?

Eu não diria “surpresas”. Diria antes realizações. Poder apresentar a Amazonas Band com uma lenda como o Liebman. E, como aconteceu na terça-feira, na abertura, com o Mauro (Senize) e o Gilson (Peranzeta), é extremamente gratificante do ponto de vista profissional.

Como surgiu a homenagem a um artista popular como o Teixeira de Manaus?

A iniciativa foi do secretário de cultura, Robério Braga, que achou por bem homenagear um homem cuja música traduz uma memória afetiva muito presente no imaginário manauara.

O Festival está consolidado, ou ainda há passos importantes a serem dados?

O passado já aconteceu. O futuro a Deus pertence, e o amanhã deverá sempre ser melhor que hoje. Trabalhamos para isso. Na essência, mudou pouca coisa, mas, do ponto de vista organizacional, tende a aprimorar-se, bem como do ponto de vista da programação, que pretende sintonizar-se com os anseios que auscultamos junto ao público local.

 Já está pensando no festival de 2013?

Agora estou pensando apenas no ensaio com o Liebman e o Marcelo (Coelho).

E os próximos trabalhos da Amazonas Band?

Não sei ainda. Sei que será um desfio maior.

Como será a apresentação de hoje no festival?

 Uma das peças, que apresentaremos com Liebman e Marcelo, tem duração de meia hora. Foi originalmente gravada por Liebman e Michael Brecker durante um encontro em Colônia, cidade da Alemanha. Era um encontro da IASJ (International Association of Schools of Jazz), realizado em 1998. Essa peça foi escrita por Ed Sarath, que é o fundador do departamento de jazz da Universidade de Michigan (EUA). O Sarath inclusive já esteve no FAJ em 2008, quando apresentamos essa peça em parceria com o Corpo de Dança do Amazonas, com o próprio Sarath de solista. Depois de gravada por Liebman e Brecker, a peça nunca voltou a ser apresentada pelos dois. Infelizmente o Brecker veio a falecer. Marcelo fará a parte de tenor e Liebman, o soprano. Será um espetáculo eivado de improvisações, lirismo e bastante poética musical. Depois tem a apresentação do Grupo Pau Brasil, que firmou conceitos estéticos na música instrumental brasileira, e se tornou referência.