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Entretenimento
Blues na Floresta

Os 20 anos de estrada do Blues na Floresta

Grupo musical marcou o cenário instrumental amazonense e deixou legado para outros talentos regionais 27/09/2012 às 08:12
Show 1
Grupo surgiu há 20 anos no cenário da música instrumental em Manaus
Rafael Seixas ---

De um duo de estudos musicais em que se trabalhavam temas, melodias e o desenvolvimento em cima dessas temáticas surgiu o projeto/banda Blues na Floresta. Do primeiro show, realizado no extinto espaço cultural Casa de Luz, já se passaram 20 anos. E é dessas duas décadas que os amigos Ítalo Jimenez (saxofonista e flautista) e Regis Gontijo (guitarrista), criadores do Blues da Floresta, contam algumas histórias e apresentam suas opiniões sobre o atual cenário da música instrumental no Estado.

Falando ainda do primeiro show, Jimenez, lembra que eles não tinham dinheiro para montar um cenário para a apresentação e que Nonato Tavares (diretor da companhia teatral Vitória Régia), na época responsável pela Casa de Luz, fez questão de criar uma cenografia para o evento, contando apenas com um guarda-chuva velho, goma (cola) e papéis de seda.

 “Ele colocou uma luz por trás do guarda-chuva, mas achávamos que não ia acontecer nada porque era algo tão simplório. Quando ele acendeu a luz de dentro do guarda-chuva deu um efeito! A gente não acreditava naquilo (risos). Com muito pouco fazíamos grandes coisas. O que movia nossa vida não era o dinheiro e sim o querer fazer. Não tínhamos dinheiro, cachê, um ajudava o outro”, disse o saxofonista, se referindo ao resultado final desse “experimento” de Tavares.

 Origem do nome

O Blues na Floresta foi a primeira banda que se apresentou na Casa de Luz. Aliás, daí foi que surgiu o nome Blues na Floresta, pois, na verdade, este era o título do show – eles não tinham nome da banda –, porém, o público saiu feliz da apresentação e chamando o grupo de Blues na Floresta, aí, fazer o quê, pegou, ficou e permaneceu até hoje.

A banda teve várias formações, mas Ítalo e Regis só consideram eles mesmos como integrantes do grupo, pois tudo iniciou com os dois. Hoje, a dupla só convida profissionais da área para tocar com eles.

Cenário de hoje

Da atual cena instrumental de Manaus, Gontijo explica que existem músicos bons e que a cidade conta com o Festival Amazonas de Jazz. “O festival é incrível! O pessoal da terra reclama do lance de haver um olhar maior paras as bandas locais, mas acho também que tem que parabenizar o Robério Braga (secretário de cultura).

Tivemos nesse ano, o músico Ron Carter que é incrível, mas acho que devem rever, também, algumas coisas”, opinou o guitarrista, que traz influências de nomes como Louis Armstrong e Bessie Smith.

Para Jimenez falta, ainda, um espaço onde se faça música e que tenha formadores de opinião. “Desses 20 anos para cá muita coisa aconteceu. Temos bons grupos, músicos que têm outra forma de pensar dentro da música instrumental. Isso é muito legal”, explicou o amazonense, que também é professor de flauta doce do Liceu de Artes e Ofícios Claudio Santoro e um dos músicos convidados da banda Os Tucumanus – recentemente ele esteve junto com o grupo em Nova York, participando do Brazilian Day.

Apesar dos 20 anos de história, o Blues na Floresta nunca gravou um álbum do trabalho que desenvolve. Este ainda é um sonho que a dupla espera realizar em breve.